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O-Shot, a nova técnica que garante o orgasmo feminino

Sociedade

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A famosa cena do filme Um Amor Inevitável, em que Sally (Meg Ryan) simula um orgasmo num restaurante

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Médico americano alega ter desenvolvido uma técnica que cura a incontinência e devolve o prazer sexual. Placebo, dizem os colegas. Eureka, gritam as mulheres tratadas

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

O truque é sempre o mesmo: retirar sangue do braço, separar o plasma e reinjetá-lo. Na cara, para rejuvenescer, no joelho, para curar uma lesão desportiva, no clítoris, para aumentar o prazer sexual e tratar a incontinência.

Charles Runels é um médico americano, do Estado do Alabama, com uma história de vida algo trágica. Na adolescência sofreu de uma forma extrema de acne que só acalmou quando os dermatologistas lhe propuseram um tratamento à base de radiação. As pústulas desapareceram, finalmente, depois de anos de sofrimento e vergonha. Mas deixaram marca. Como um melanoma que o médico combate agora, com mais radiação. É por saber o que é sofrer que Runels se tem dedicado a devolver o bem-estar e o prazer às mulheres, contou à escritora Kathleen Hale, que publica no jornal The Guardian um longo texto sobre o médico.

Charles Runels

Charles Runels

Runels está por trás do "tratamento vampiro", uma injeção do tal plasma, diretamente na zona T, que rejuvenesce e devolve o brilho à cútis. Ou ainda das injeções que o basquetebolista dos LA Lakers, Kobe Bryant, levou no joelho para tratar uma lesão. Mas o que que lhe valeu a alcunha de Dr. O, e uma certa "santidade", num estado enfiado na Cintura da Bíblia (Bible Belt), onde os vibradores são proibidos, foram as injeções aplicadas no clítoris e na vagina, para aumentar ou devolver o prazer sexual às mulheres. Pelo caminho, alega o médico e as suas pacientes, também trata outros problemas como a incontinência.

Tudo começou há sete anos, lê-se no Guardian, com a exigência da namorada. Charles andava há um ano a injetar o próprio pénis com sangue para ter mais e melhores ereções. A companheira queria o mesmo para ela própria. E resultou. De forma extraordinária, recorda. A partir daí, criou uma marca - chamou-lhe O-Shot - e ensinou mais de 500 médicos de todo o mundo a aplicar estas injeções de prazer. Nas suas contas, haverá hoje pelo mundo mais de 20 mil mulheres satisfeitas.

O seu primeiro objetivo é tratar mulheres vítimas de violação ou de mutilação genital feminina. Mas entre as suas clientes - as primeiras foram as suas próprias colaboradoras - não há só mulheres agredidas. "O prazer sexual é uma forma de dar poder às mulheres", defende.

Todos os clínicos que aplicam a O-Shot apontam uma taxa de sucesso de 85 por cento. O efeito, este pode durar de nove meses a vários anos.

No entanto, estas alegações não são reconhecidas pela FDA (organismo americano que regula os medicamentos) e boa parte dos colegas ginecologistas afirma que as melhorias relatadas pelas suas pacientes não são mais do que efeito placebo.

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