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Copos menstruais: Primeiro estranha-se...

Sociedade

Um estudo francês confirmou a existência de resíduos tóxicos em tampões e pensos higiénicos. Mas há alternativas aos absorventes tradicionais: os copos menstruais que muitos milhares de mulheres já não dispensam

Teresa Campos

Teresa Campos

Artigo publicado na VISÃO 1200 de 3 de março

Jornalista

Num primeiro momento, faz lembrar o anúncio que invadiu a televisão há uns 30 anos: só que, além de se poder ir à piscina, à praia ou andar a cavalo, tem outras vantagens, tão ao gosto do século XXI: é prático, barato e ecológico. Oiça-se Isabel Girão, que comercializa a marca Meluna mas começa por nos falar na primeira pessoa: praticante de vela nos tempos livres, a funcionária da TAP, 52 anos, precisava de uma opção para aqueles dias do mês, algo que não a obrigasse a usar uma casa de banho várias vezes ao dia. "Foi quando descobri o copo menstrual: além de ser reutilizável durante anos, pode ser usado durante 12 horas seguidas, sem ser preciso trocar quando andamos fora de casa."

Há várias marcas comercializadas em Portugal e as opções são múltiplas: diferentes tamanhos, cores à escolha e modelos de pegas, tudo para se adaptarem às necessidades e especificidades de cada mulher da forma mais confortável possível. Além disso, trata-se de um produto feito num material hipoalergénico, mais propriamente TPE a sigla inglesa para Elastómero Termoplástico, o mesmo material em que são feitas as tetinas dos biberões ou chupetas para os bebés. "Como não possui aditivos químicos, ao contrário dos absorventes, não há risco de alergia ou irritações. Além disso, ao manter o sangue em vácuo, evita que oxide, razão pela qual não há proliferação de bactérias e fungos", explica Isabel Girão. Ficam assim afastados os receios da síndrome do choque tóxico, associado ao uso dos absorventes tradicionais. Na semana passada, foi divulgado um estudo do Instituto Nacional do Consumo francês que denunciou a existência de resíduos de substâncias tóxicas em várias marcas conhecidas de tampões e pensos higiénicos.

Fátima Palma, ginecologista na Maternidade Alfredo da Costa, confirma que o copo menstrual tem qualidades: "Quem opta por usar o copo gosta muito. Não conheço ninguém que tenha desistido." As adolescentes aderem porque é ecológico, as mulheres mais velhas porque já usaram tampões e esta opção é parecida, mas com muito menos riscos acrescidos. A médica afasta também outros receios que seja preciso esterilizar antes de usar ou que extravase, além de anuir que é mais saudável do que qualquer outra opção.

Os números de vendas confirmam a adesão: por exemplo, a marca finlandesa Lunete já vendeu, nos últimos cinco anos e até outubro passado, 20 mil copos em Portugal. O interesse cresceu desde a campanha eleitoral para as legislativas, quando ficou conhecido o programa de governo do PAN que incluía a distribuição de copos menstruais.

Argumentos a favor

Fácil
O copo menstrual foi desenvolvido por ginecologistas para se adaptar à anatomia feminina: ao vedar o canal vaginal, faz com que se possa dizer adeus aos cheiros. Não se sente, logo é usável em todas as ocasiões.

Ecológico
É um produto de longa duração, lavável e reutilizável durante anos. Se cada mulher utilizar cerca de 30 absorventes por mês, são 360 por ano, 3600 em dez anos. Multiplicado pelo número de mulheres no planeta, são mais de 400 mil milhões de absorventes depositados em lixeiras.

Económico
O preço dos absorventes pode não parecer significativo mas vários anos de uso geram um gasto imenso. Com apenas 5 euros por mês, em quatro meses o copo fica pago. E pode ser usado durante anos.

Saudável
É produzido em TPE (Elastómero Termoplástico), o mesmo material em que são feitas as tetinas ou as chupetas para bebés. Não possui aditivos químicos, como os absorventes, logo não provoca alergias nem irritações. Ao manter o sangue em vácuo, não oxida, evitando a proliferação de bactérias e fungos e a síndrome do choque tóxico.