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Os seis momentos dos dois anos de Marcelo

Portugal

Esta sexta-feira, 9, Marcelo Rebelo de Sousa completou dois anos de mandato. O Presidente em seis instantâneos

Filipe Luís

Filipe Luís

Editor Executivo

NUNO ANDRÉ FERREIRA

A Foto

Dos incêndios de 15 de outubro do ano passado, sobra aquela que, entre as milhares de fotografias, selfies e groupies tiradas durante este período, melhor identifica o Presidente dos afetos. A 19 de outubro em Santa Comba, Vouzela, Nuno André Ferreira, da Lusa, capta Marcelo Rebelo de Sousa enquanto este conforta uma idosa, exprimindo uma imagem de genuíno pesar e solidariedade humana. No lado B do ano bipolar de 2017, entre a euforia e a depressão, a foto resume todo um mandato.

A Viagem

Em 2016, o Dia de Portugal foi comemorado em França, junto dos emigrantes. Simbolicamente, era a forma de levar à letra a segunda comemoração da efeméride: Dia das Comunidades Portuguesas. Do instantânteo captado pela Clara Azevedo, fotógrafa oficial da Presidência, reflete-se a excelente relação institucional entre Presidente e primeiro-ministro, pelo menos, no primeiro ano e meio de mandato.

Clara Azevedo

O Veto

Entre a meia dúzia de vetos políticos, destaca-se o último, que chumbou a lei do financiamento partidário. Pedagógico e inovador, Marcelo justificou o veto pela forma pouco transparente como o diploma fora cozinhado - não tanto pelo seu conteúdo de que, embora discordasse, não continha inconstitucionalidades visíveis. A decisão foi acompanhada de algumas recomendações, para uma eventiual segunda versão da lei que, posteriormente, não só foram seguidas pelo Parlamento, como foram, até, excedidas. Talvez por dominar o Direito Constitucional, o Presidente ainda não se estreou no envio de qualquer diploma para o respetivo Tribunal.

O Discurso

A 17 de outubro de 2017, Marcelo Rebelo de Sousa produziu a mais importante intervenção destes dois anos. Reagindo à catástrofe dos incêndios, que destruiram o Centro do País, Marcelo elaborou uma peça de verdadeira filigrana política, responsabilizando o Governo, o Parlamento, a ministra da Administração Interna (que se demitiu consequentemente) e o primeiro-ministro que, dando, depois, a mão à palmatória, viria a pedir desculpas, seguindo a exortação presidencial. O discurso marca um antes e um depois na relação institucional, afirma a autoridade do Presiente e coloca em alerta o Governo, de que Marcelo deixava de ser "porta-voz". Ao mesmo tempo, o afeto das suas palavras reconciliava o País com a classe política.

A Frase

"O ministro das Finanças, patinho feio - para muitos, muito feio... - de há dois anos, é, agora, um cisne resplandecente". A frase, que traduz toda a malícia do ADN de Marcelo, surgiu a propósito da eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo. O PR nunca mais lhe perdoou o imbróglio do caso em torno da nomeação e posterior demissão da administração da Caixa Geral de Depósitos, liderada por António Domingues, processo em que o PR se sentiu enganado pelo ministro. "Cisne resplandecente" era um elogio de efeito duvidoso, acompanhado de alguns avisos: "Não pode esquecer-se de que é ministro das Finanças de Portugal " e "esta eleição aumenta as responsabilidades do País no cumprimento das metas".

A Causa

Na comunicação ao País de 17 de outubro, Marcelo Rebelo de Sousa fez do sucesso da reconstrução do Interior, bem como da prevenção de novas catástrofes, o sucesso do seu próprio mandato como Presidente. Assim, depois da causa da descrispação e reconciliação nacionais, Marcelo elegeu a recuperação do Interior de Portugal como a sua grande bandeira dos últimos três anos em Belém. Em consonância, é visita assídua nos concelhos mais afetados pelos incêndios, teimando em manter o assunto no topo da agenda política.