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Diretora do FMI deixa gregos furiosos

Mundo

Numa entrevista publicada no sábado pelo diário britânico The Guardian, Lagarde afirmou que os gregos deviam "começar por se ajudar coletivamente" pagando os seus impostos e disse-se menos preocupada com as crianças gregas do que com as da África subsaariana 

A França juntou-se este domingo às críticas da Grécia às declarações de Christine Lagarde. Aporta-voz do governo francês considera que a diretora do FMI mostrou uma visão "estereotipada e simplista", ao dizer que os gregos deviam pagar os seus impostos. 

Questionada sobre estas declarações, a porta-voz do governo de François Hollande, Najat Vallaud-Belkacem, respondeu: "Acho-as um pouco simplistas e estereotipadas. Penso que, neste momento, não temos de dar lições à Grécia".

As críticas da França junta-se às dos gregos, que não gostaram das declarações de Lagarde. O líder dos socialistas gregos, Evangelos Venizelos, considera que a diretora do FMI "insultou os gregos".

"Ninguém pode humilhar o povo grego durante a crise, e dirijo-me hoje em particular à senhora Lagarde (...), que com a sua posição insultou os gregos", disse o líder do PASOK num comício no sábado à noite.

"Peço-lhe que reveja e reconsidere o que queria dizer", acrescentou Venizelos, cujo partido, quando no governo, aplicou o programa de austeridade imposto pela 'troika' -- FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia -- em troca do empréstimo internacional.

Também o líder da coligação da esquerda radical grega Syriza, Alexis Tsipras, criticou hoje as declarações da diretora do FMI, Christine Lagarde, afirmando que os gregos "pagam os seus impostos" e não precisam da sua compreensão.

"Sobre as recentes declarações da senhora Lagarde, a última coisa que a Grécia quer é a sua compreensão", afirmou o líder do Syriza num comunicado. O partido, que ficou em segundo lugar nas eleições de 06 de maio, opõe-se ao programa de austeridade exigido pelos credores da Grécia, entre os quais o FMI, e pretende renegociar os termos do memorando assinado em troca do empréstimo internacional.