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Quem é Greta Thunberg, a adolescente sueca que agitou Davos?

Mundo

Aos 16 anos, a sueca Greta Thunberg dá que falar - e promete não se calar tão cedo

FABRICE COFFRINI/Getty Images

Desde o verão que uma rapariga com Asperger promove uma manifestação semanal em nome do combate às alterações climáticas e não perde uma oportunidade para dizer das boas aos líderes do mundo

“Eu quero que entrem em pânico, trata-se da nossa casa que está a arder”. As suas palavras são quase sempre incendiárias e fâ-lo de propósito: é assim desde o verão, quando lançou uma greve à escola, todas as sexta-feiras, enquanto não obtivesse respostas dos líderes locais sobre o que estão a fazer para combater as alterações climáticas - e o seu instagram faz prova disso, mostrando-a repetidamente ao lado de um cartaz em que se lê “skolstrejk for klimatet”, a sua maneira de reinvindicar aos políticos suecos a adoção das medidas necessárias para ficarem em linha com as recomendações do Acordo de Paris.

E assim foi, mais uma vez, durante o discurso que apresentou em Davos, no Fórum Económico Mundial, na semana passada, onde fez ainda questão de se mostrar ao lado dos ativistas que invadiram aquela estância suíça com palavras de ordem, provando que nunca se é demasiado pequeno para fazer a diferença.

HANNA FRANZEN/Getty Images

“Há quem diga que devia estar na escola: mas por que hei de me preparar para um futuro que pode não existir?”, diz, a miúda, em tom provocatório, do alto dos seus 16 anos. Em novembro, impressionou o mundo à sua volta ao se tornar uma das mais aclamadas vozes do TEDx que decorreu em Estocolmo. No mês seguinte, apresentava-se na Polónia, na CImeira do Clima e gelou a sala: “vocês estão a roubar-nos o futuro!”, acusou, rematando “Não quero palavras positivas. Quero que vocês sintam o medo que eu sinto todos os dias", enfatizou, vaticinando que as consequências do ambiente são "um fardo" que será colocado nas mãos das crianças.

Filha de um ator e de uma conhecida cantora de ópera, Greta Thunberg faz questão em contar que tinha oito anos quando ouviu falar pela primeira vez das alterações climáticas e lhe pediram para não acender luzes que não fossem precisas e também para reciclar as embalagens que usasse. A justificação, lembra, era que a Terra estava a sofrer uma tremenda mudança no seu clima e a culpa era do ser humano e da forma como se comportava.

“Achei muito estranho: se assim é então como é que falamos de outras coisas? ”, questionou. “Se queimar combustíveis fosseis é tão grave que põe em risco a nossa existência por que é que o continuamos a fazer?”, acrescentou. ”Como é que não se tornou ilegal?”.

FABRICE COFFRINI

Aos onze anos, a pequena Greta revelava-se uma miúda deprimida que não queria comer, o que a fez perder dez quilos. Foi quando a diagnosticaram com a Síndrome de Asperger: “o que quer dizer que só falo quando penso que é mesmo necessário. E este é um desses momentos.”

Greta gosta ainda de sublinhar que pessoas como ela não são muito boas a mentir, nem apreciam particularmente a vida social. “Mas não vou parar. Afinal, é nestas alturas que me parece que os autistas são os normais e os outros um bocado estranhos. Se é preciso parar as emissões que provocam as alterações climáticas, então é para parar já”

O efeito-contágio das suas palavras não demorou, com manifestações de jovens a replicarem-se em vários locais do planeta - de Bruxelas à Alemanha e até na Austrália.

“Não compreendo como continuam a viver como se não fosse nada”, sublinha Greta, várias vezes nos seus discursos, antes de rematar: “há 30 anos que nos dizem para sermos positivos. Desculpem, mas não vou por aí. Não resulta, ou já teríamos baixado as emissões de gases tóxicos para o planeta. O que precisamos é ação”.