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“Ficha S”: Conseguirão as autoridades francesas acompanhar os passos de mais de 20 mil pessoas?

Mundo

Estrasburgo, França

SEBASTIEN BOZON

O atirador de Estrasburgo fazia parte da “Ficha S” (de segurança). Mas, afinal, que lista é esta e quem faz parte dela?

O ataque em Estrasburgo trouxe, outra vez, o medo para as ruas da Europa. Chérif Chekatt, francês de 29 anos, abriu fogo nas ruas que circundam o mercado de Natal e matou três pessoas, deixando mais de uma dezena. A operação policial montada para a sua captura deu frutos 48 horas depois. Chekatt foi abatido não muito longe do local onde cometeu os crimes.

Com um longo historial de delitos e detenções, estava referenciado pelas autoridades e constava da chamada “Ficha S” desde 2015 – altura em que esteve preso e em que se terá radicalizado. Muitos outros suspeitos de terrorismo também estão ou já estiveram na “S”.

O problema maior é que este ficheiro contem mais de 20 mil nomes. Um quebra cabeças para as autoridades francesas.

Mas, afinal, o que é esta lista?

Como, por exemplo, o FBI ou a Interpol, a polícia francesa também tem, desde 1969, uma lista dos chamados “mais procurados”. Inclui milhares de nomes de pessoas procuradas pelos mais variados crimes e uma, chamemos-lhe assim, subsecção onde estão os que são vistos como uma ameaça para a segurança nacional e são marcados com um “S” (de “Sûreté de L’État”, Segurança do Estado).

Fazer parte da “Ficha S” não quer dizer implicitamente que se tenha cometido um crime ou que a qualquer momento se possa ser detido, mas sim que as autoridades podem “acompanhar” os passos destas pessoas.

Todos os anos a lista é revista. Os nomes que já lá estão são avaliados de novo para se saber se ficam ou saem e, claro, podem entrar outros.

A “Ficha S” não é exclusiva de extremistas islâmicos – alguém pertencente ao crime organizado pode lá estar, assim como membros da extrema direita –, mas a realidade diz que são a maior parte. Em 2015, o então primeiro ministro, Manuel Valls, disse que metade dos 20 mil nomes eram, de facto, suspeitos de ter ligações a grupos extremistas islâmicos. Já este ano, e segundo a agência Reuters, o número de “fichados” subiu para 25 mil.

Entretanto, também em 2015 – altura dos atentados no Bataclan, esplanadas de Paris e Stade de France – as autoridade francesas iniciaram uma segunda lista. A “Fichier des signalements pour la prévention et la radicalisation à caractère terroriste” (“Arquivo/Ficha para a Prevenção da Radicalização Terrorista”) tem cerca de 20 mil nomes e, o mais provável, é que alguns sejam os mesmos que estão na “Ficha S”.

As críticas dos franceses não se fizeram esperar. O número de pessoas é demasiado grande para que as autoridades possam fazer o seu trabalho de “acompanhamento”. Enquanto uns defenderam que estas pessoas fossem detidos, outros ficaram aterrorizados com o tamanho da lista.