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Trump nega que vídeo editado tenha sido... editado

Mundo

Momento da conferência de imprensa em que o jornalista da CNN Jim Acosta (com o microfone na mão) interpela Donald Trump

MANDEL NGAN/Getty

Em causa estão as imagens da conferência de imprensa em que Donald Trump mandou calar um jornalista da CNN e, de seguida, tirou-lhe a credencial de acesso à Casa Branca

O vídeo da conferência de imprensa de Donald Trump no rescaldo das eleições intercalares continua a dar que falar.

Recorde-se que houve um confronto verbal quando o jornalista da CNN Jim Acosta quis fazer uma pergunta a Trump sobre a caravana de migrantes e este não quis responder. “Já chega”, disse na altura Trump. Entretanto uma funcionária tenta tirar o microfone ao jornalista, mas este prossegue com mais perguntas na direção de Trump com este a dizer “Você é uma pessoa rude e horrível, você não deveria estar a trabalhar para a CNN”.

Depois disto Jim Acosta viu ser-lhe retiradas as credenciais de acesso à Casa Branca com a porta-voz da mesma da dizer no twitter: “O Presidente Trump acredita numa imprensa livre. Não vamos nunca tolerar, no entanto, um repórter que pouse a sua mão numa jovem que estava apenas a tentar fazer o seu trabalho como estagiária”. Mais tarde, e depois do vídeo começar a circular nas redes sociais, Sara Sanders escreveu que a Casa Branca defende “a nossa decisão de revogar a acreditação deste indivíduo. Não toleraremos o comportamento inadequado claramente documentado neste vídeo”.

Só que o vídeo publicado – que veio da Infowars, uma página de extrema direita dedicada a disseminar teorias da conspiração – foi adulterado para dar a entender que Jim Acosta terá tocada na mulher de forma agressiva. A velocidade de reprodução do momento em que a rapariga tentar tirar o microfone ao jornalista foi diminuída.

Vídeo de 15 segundos publicado no Twitter da Casa Branca:

O dia tem sido passado em análises e contra-análises aos 15 segundos do momento. À revista New Yorker, Hany Farid, especialista em análise forense de imagens digitais, explicou que o vídeo foi editado em três momentos: na parte em que a estagiária estica a mão para alcançar o microfone foi desacelerado e desfocado; na parte em que o jornalista toca na mulher foi acelerado; e alguns frames foram repetidos no momento em que há contacto físico entre eles.

Trump diz que não. Antes de descolar para Paris, para a comemoração do fim da I Guerra Mundial, o presidente dos EUA negou: “Tenham paciência, ninguém manipulou o vídeo.” E acrescentou que “isso não passa de jornalismo desonesto, foi apenas feito um close-up [aproximar da imagem] e ele [o jornalista] não foi correto com a rapariga”.

Trump ainda destilou um pouco mais sobre Acosta, acusando-o de ser “mau profissional” e de ser “pouco inteligente” e deixou um alerta geral para outros jornalistas credenciados para entrar na Casa Branca: “se não forem respeitosos” podem ter o mesmo caminho de Jim Acosta.

Perceba como o vídeo foi editado: