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Tóquio, a cidade mais honesta do mundo?

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© Yuriko Nakao / Reuters

Já viu uma nota no chão e decidiu ficar com ela? Em Portugal, “achado não é roubado”, mas na capital japonesa, a cultura é bem diferente: em 2016, os cidadãos devolveram 3670 milhões de ienes (mais de 30 milhões de euros) encontrados às autoridades

Não bastando a cortesia de se devolver o dinheiro misterioso, na maioria das vezes o numerário regressa mesmo a casa. Segundo a Polícia Metropolitana de Tóquio, citada pela Bloomberg, cerca de 75% do dinheiro (22,5 milhões de euros) foi restituído a quem o perdeu.

O valor tem vindo a crescer gradualmente desde 2009, ano em que as devoluções não chegavam aos 3 mil milhões de ienes, ou cerca de 24,6 milhões de euros.

A entrega de dinheiro encontrado às autoridades é obrigatória por lei, mas os japoneses fazem-no por boa-educação. O professor Toshinari Nishioka, da Universidade de Estudos Internacionais de Kansai, na prefeitura japonesa de Osaka, explica que os princípios nipónicos são marcados por uma educação que começa cedo. “As escolas japonesas oferecem aulas sobre ética e moralidade, os estudantes aprendem a imaginar os sentimentos de quem perdeu os seus bens ou dinheiro”, afirma o antigo polícia.

Se, durante três meses, ninguém reclamar o que perdeu, quem achou o dinheiro tem direito a ele. E, mesmo que o verdadeiro dono apareça, a lei concede ao bom samaritano entre 5% e 20% do valor encontrado.