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Polícia italiana investiga quinta de Sting por suspeitas de exploração de imigrantes

Mundo

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© Mario Anzuoni / Reuters

Funcionários seriam obrigados a trabalhar 15 horas por dia, a menos de quatro euros por hora, em condições próximas da escravatura. Isto aconteceria em vários locais da Toscânia, entre eles na propriedade onde o músico britânico produz quatro vinhos

A polícia italiana está a investigar uma rede que explorava imigrantes ilegais em empresas vinícolas na região da Toscânia. Uma das quintas em que atuaria esta rede seria a Il Palagio, propriedade do músico Sting: ali trabalhariam 30 a 40 pessoas em condições próximas da escravatura, avançou o The Telegraph. De acordo com a investigação, os imigrantes não estariam legalizados e seriam obrigados a cumprir 15 horas de trabalho por dia a menos de quatro euros por hora.

O músico britânico proprietário da quinta, porém, não está sob suspeita. Os investigadores entendem que Sting “não teria conhecimento” e nem sequer se encontrava em Itália. “Ele não é parte da investigação, estamos a estudar quem contratou estes trabalhadores para a propriedade.”

Ao The Telegraph, o músico e produtor de vinhos assegurou não estar a par de nada até ser contactado pelo jornal: “Estou angustiado por saber que uma empresa privada que alugava alguns dos nossos campos pode estar envolvida em práticas laborais questionáveis. Espero que a justiça italiana siga o seu curso e leve o assunto aos tribunais.”

Sting é proprietário da Il Palagio, na localidade de Figline Valdarno, há 25 anos. É naquele local que o músico produz quatro vinhos, entre eles o “Sister Moon”, que no mês passado integrou a lista dos 100 melhores vinhos da revista especializada Wine Spectator.

Além das muitas horas de trabalho a baixo custo, a polícia reuniu indícios de que os imigrantes não trabalhariam com uma farda adequada e chegariam a calçar sandálias durante as temporadas mais frias do inverno. Um dos episódios mais graves sob investigação envolve um jovem que terá feito um ferimento na garganta com um gancho e terá sido obrigado a dizer no hospital que se tratara de um acidente doméstico.

Os cabecilhas da alegada rede são italianos e membros da família Coli, dona da quinta de vinhos Coli Spa, situada em Tavernelle Val di Pesa. São suspeitos de utilizar refugiados, maioritariamente vindos de África, em trabalhos nas vinhas de onde saem os vinhos toscanos. Todos os dias, os funcionários seriam levados de camião, de madrugada, até aos campos onde teriam de trabalhar, depois de serem recrutados por um grupo de paquistaneses que escolhia precisamente os imigrantes que ainda não tinham papéis. Onze suspeitos já foram sujeitos a medidas de coação por suspeitas de terem montado uma associação criminosa dedicada a explorar imigrantes, praticar fraudes e emitir faturas falsas.
O caso começou a ser investigado em 2015, quando dois jovens chegados de África denunciaram à polícia ter conhecimento de que pelo menos meia centena de imigrantes ainda sem papéis estariam a trabalhar ilegalmente em empresas agrícolas da zona. Além das suspeitas de contratação ilegal e exploração laboral, também se investiga se os vinhos vendidos por algumas destas empresas – os famosos Chianti – estariam adulterados e se a sua produção poderia ter recebido subvenções públicas.