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É melhor investir em Lego do que em ouro?

Economia

Jussi Heinonen / EyeEm/ Getty Images

A tese é de uma professora de economia russa: há um monte de coisas extravagantes feitas das famosas peças de plástico a valerem bem mais do que o metal amarelo-brilhante

Transformam-se em carros, castelos e robôs: falamos dos famosos brinquedos de plástico, feitos de uma espécie de tijolos que se interligam e que hoje valem quantias extravagantes, mais do que quaisquer ações, títulos de investimento ou mesmo ouro. Sobretudo os legos mais antigos que estão a ser revendidos online por preços várias vezes superiores ao original. Por exemplo, o kit do Darth Raven, personagem do universo alargado de Star Wars, que apareceu pela primeira vez como protagonista num jogo, foi vendido em 2014 por cerca de 4 dólares (€3,5). Um ano depois, estava disponível no eBay por qualquer coisa como 25 euros - um rendimento de 613 por cento.

É uma tendência que se sentiu sobretudo depois de 2015, concluiu Victoria Dobrynskaya, 37 anos, que se tornou professora assistente na Escola Superior de Economia da Rússia, depois de ter estudado economia e ciência política na London School of Economics, e que ao invés das empresas de investimento, que passaram centenas de horas a estudar os mercados de ações, foi buscar uma inspiração muito menos teórica para o seu estudo.

No artigo “Lego - O Brinquedo dos Investidores Inteligentes”, a especialista russa conta então que analisou mais de 2 mil conjuntos daquele brinquedo vendidos entre 1987 e 2015, para medir o seu retorno ao longo do tempo. Foi quando tomou consciência de que coleções como o castelo de Hogwarts, do universo Harry Potter, e de figuras como os Jedi, de Star Wars, batiam as acções e títulos de investimento nos EUA, rendendo qualquer coisa como 11% ao ano. O melhor? “Os conjuntos de Lego não mostram uma correlação significativa com as crises financeiras””, assegura ainda Dobrynskaya, “daí poderem ser vistos como um investimento atraente com um potencial de diversificação”.