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"Tenho fama de rico, comportamento de pobre"

Economia

Lucíla Monteiro

Na última entrevista que deu à VISÃO, em 2010, Belmiro falou da família, da perpetuação da memória e do futuro... para além da morte.

Quais são as suas extravagâncias como homem rico?

Não sou rico. Tenho fama de rico, comportamento de pobre. Estou bem assim. É um estilo que ficou muito dos períodos difíceis. Nasci em plena Guerra. A única extravagância é comprar um carro caro, de 14 em 14 anos.

O que aconteceu agora, não é?

Sim. Foi um período divertido. Toda a gente me queria vender um carro. E andei, nos últimos dois anos, a escolher e a experimentar os carros que aqui me punham aos fins-de-semana.

Como gostaria que os seus netos honrassem a sua memória?

Não se podem emitir decretos tipo fatahs muçulmanas. Os valores e os hábitos mudam, o estilo de vida das crianças é cada vez mais liberal. O que era crime deixa de ser, a família é cada vez mais uma manta de retalhos, vão uns para cada lado. Por acaso, ainda somos uma família à moda antiga. Mas eles têm de ser aquilo que quiserem ser. Já cá não estarei para controlar isso. E seria estúpido querer controlar.

Como vai garantir que não se cumpra aquele ditado segundo o qual os primeiros fazem, os segundos usufruem, os terceiros destroem?

Não se pode garantir. É preciso manter uma relação de transparência, uma certa liberdade, não fazer julgamentos apressados.

Balsemão criou uma fundação para o seu património, deixando pensado e configurado como tudo deve ser gerido...

Ando há cinco anos a fazer isso. Tenho quatro consultores. Não é fácil. Já tenho um calhamaço de decisões. Está quase tudo escrito. Mas é complicado.

Pensa na morte?

Como é que é?! Naaaaaaaaão.

(Entrevista publicada na VISÃO, em 28 de janeiro de 2010)

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