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Estudantes universitários gastam €415 por mês em alojamento

Economia

Os fundadores da Uniplaces: Ben Grech, Mariano Kostelec e Miguel Santo Amaro (da esquerda para a direita)

Gonçalo Rosa da Silva

A Uniplaces, plataforma de aluguer de casas a estudantes, diz que Portugal recebeu universitários de mais de 100 países. A grande maioria prefere alugar um quarto

Arrendar um quarto em Lisboa fica, em média, 16% mais caro do que no Porto. Esta é a conclusão de um estudo da Uniplaces sobre o mercado de arrendamento universitário, tomando como amostra os contratos feitos através da sua plataforma eletrónica.

Em Lisboa, o gasto médio na estadia é de €438, enquanto no Porto a despesa fica-se pelos €378. Coimbra é ainda mais barata, com um gasto médio na estadia de €274.

Mas é preciso ter um conta que cerca de 77% dos universitários que alugaram casa através da Uniplaces, em 2016, eram estrangeiros (representantes de 109 nacionalidades). Segundo a plataforma, estes estão dispostos a pagar rendas mais altas do que os portugueses, mas permanecem na casa por períodos mais curtos (141 dias contra os 170 dias que os portugueses ficam, em média).

Separando as nacionalidades, vemos que são os portugueses aqueles que estão dispostos a pagar menos pela renda (uma média de €395). Seguem-se os polacos, os espanhóis e os italianos.

No topo da tabela estão os ingleses, que se dispõem a pagar uma média de €496 pelo alojamento, seguidos pelos holandeses e pelos brasileiros. Aliás, o grupo de estudantes estrangeiros mais numeroso é o dos brasileiros, seguindo-se os italianos, os alemães e os franceses.

Outro dado revelado pela Uniplaces - uma startup que, no último ano, conseguiu crescer 183% no número de arrendamentos - é que 80% dos estudantes opta por alugar um quarto, em detrimento de outros tipo de alojamento como o apartamento (19%).

“De acordo com dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência, o número de estudantes internacionais em Portugal aumentou 64% nos últimos cinco anos e, só em 2015-2016, 13 282 estudantes estrangeiros inscreveram-se em instituições do ensino superior, através de programas de modalidade de crédito. O clima, a qualidade e o custo de vida são alguns dos fatores que destacam o nosso país, mas não são os únicos”, refere o estudo.

O bom posicionamento de certas universidades portuguesas nos melhores rankings internacionais, bem como o sucesso do programa europeu Erasmus que, só em 2015, levou 678 000 jovens a estudar fora do seu país, são as razões pelas quais há cada vez mais procura no arrendamento estudantil.

E a Uniplaces é um exemplo da expansão deste mercado, tendo-se tornado uma das startups de maior sucesso do País. Esta “Airbnb para estudantes” emprega 140 pessoas, já angariou mais de 30 milhões de euros e tem crescimentos de receita, ao ano, na ordem dos 500 por cento. Os seus fundadores (o português Miguel Santo Amaro, o esloveno Mariano Kostelec e o britânico Ben Grech) foram distinguidos pela revista Forbes no ranking dos empresários sub-30 mais influentes da Europa no ramo da tecnologia.