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Uma onda a crescer: largar tudo para viver do surf

Economia

Luís Cunha, ex-animador sociocultural e instrutor de fitness, abriu uma loja no Baleal

Luis Barra

Nos últimos anos, não para de crescer o número de pessoas que deixam para trás profissões “tradicionais” para investirem em negócios – bem mais descontraídos – de surf. É uma filosofia de vida, mas não só: o setor já vale mais de 400 milhões de euros em Portugal

Uma vez, um amigo disse-lhe que qualidade de vida é morar no sítio onde toda a gente paga para ir de férias, e Luís Cunha ficou a matutar nisso. Nascido há 35 anos em Alcobaça, conhece o Baleal, em Peniche, como ninguém. Desde a adolescência que vem apanhar ondas para esta “terra de ninguém”, como gosta de lhe chamar. Mas hoje já não é bem de ninguém – a região viu o turismo explodir depois de entrar para o circuito mundial de surf, em 2009. Só no ano passado, os 15 dias da prova tiveram um impacto na economia local de 10,6 milhões de euros, segundo um estudo da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar.

Foi há quatro anos que Luís se mudou em definitivo para o Baleal. Antes de abrir A Mercearia, que dois anos depois se transformou na loja HangFive, saltitava entre duas profissões: animador sociocultural e instrutor de fitness. Tanto trabalhava com crianças como com idosos. Já nessa altura, há dez anos, “entrava dinheiro fácil”: ganhava mil euros a trabalhar quatro horas por dia, quatro dias por semana. Pôde comprar pranchas de surf e carro, e viajar pela Europa.

Até que uma dilatação da aorta apareceu no seu melhor momento físico e psicológico, obrigando-o a repensar a vida. A mudar. E foi assim que, por obrigação, mas sobretudo por prazer, nasceu a HangFive. “Acredito que coisas especiais atraem pessoas especiais. Sou um sonhador.” A loja vive da alma de projetos como as ilustrações da Lisa, as fotografias analógicas do Miguel Constantino, os acessórios Buhh da Filipa, as pranchas Fly Black Bird do Pedro Falcão, os sumos naturais da Copa (empresa de Alcobaça), de marcas de roupa como a dinamarquesa Oh Dawn ou a francesa Sen No Sen (fabricadas em Portugal), e os bodies para surfar da Magda – tudo junto numa loja decorada com os candeeiros do avô, vidreiro na Marinha Grande, o espelho da avó, a âncora ferrugenta do senhor Vítor da Casa das Marés. “Aqui conheço pessoas novas todos os dias, e mesmo que não comprem nada saem daqui com uma história”, conta. Além do mais, Luís tem ondas à porta de casa. “Sou muito mais rico hoje do que aos 25 anos. Sou feliz.”

José Pereira já foi nadador-salvador e hoje divide-se entre as aulas de inglês e os seus cinco sites Surf Guide para as zonas de Peniche, Ericeira, Nazaré, Lisboa e Sintra

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Luis Barra

35 milhões de potenciais clientes

Os negócios à volta do surf crescem a um ritmo de 20% ao ano em todo o mundo. Só na Europa, o número de novos empregos sobe 5% ao ano. O contacto com a natureza e o espírito de preservação ambiental fazem deste desporto um dos mais procurados por várias gerações. Quem começa a surfar novo, fá-lo ao longo de quase uma vida. E o número de adeptos deverá rondar os 35 milhões, número que não cessa de aumentar. Luís Cunha é um dos muitos exemplos de pessoas que em contraciclo, apesar das dificuldades económicas que Portugal atravessou entre 2010 e 2012, arriscou num negócio relacionado com o surf.

Não foi o único. “A hotelaria renovou-se, refundando completamente hotéis já existentes, e há investimento de estrangeiros em eco resorts e em marcas portuguesas. A procura de casas para segunda habitação também aumentou. Só a Rip Curl inaugurou no sábado, 22, um investimento de mais de dois milhões de euros numa loja própria”, explica António Correia, presidente da Câmara Municipal de Peniche, que diz existir um antes e um depois de 2009. Foi precisamente no areal da praia Supertubos que, este mês, a passadeira vermelha se estendeu para receber a elite mundial do surf, modalidade que se tornará olímpica já nos próximos Jogos, em 2020, em Tóquio.

Por estes dias, passaram por Peniche o havaiano John John Florence, que se sagrou campeão do mundo, os brasileiros Gabriel Medina e Adriano de Souza (os campeões do mundo em 2014 e 2015), o americano Kelly Slater (11 vezes campeão do mundo), o australiano Matt Wilkinson, o sul-africano Jordy Smith e os portugueses Frederico Morais e Miguel Blanco (convidados pelos patrocinadores da prova). Depois da MEO Rip Curl Pro Portugal, 10ª etapa do circuito mundial da World Surf League, resta apenas o Billabong Pipe Masters, no Hawai, em dezembro, para terminar o campeonato.

Mas na cidade do Oeste, onde 300 postos de trabalho estão, diretamente, relacionados com a modalidade (15 surfshops, três fábricas de pranchas, 30 escolas e surfcamps), a estratégia política vai além do surf clássico. “Não podemos ficar entregues a uma única modalidade. Os desportos de deslize nas ondas, como o stand-up paddle, o remo de mar e o surf ski, são aqueles que queremos continuar a trabalhar”, diz António Correia.

Foi a pensar nas cerca de 100 mil pessoas que visitam Peniche durante os 15 dias do mundial que José Pereira, 45 anos, professor de inglês, pensou que estava na hora de avançar com o seu projeto – para apanhar a onda, digamos assim. em trabalho nos meses de verão, fez um curso de webdesign, financiado pelo centro de emprego, aprendeu a desenhar sites e criou os seus Surf Guides. Ainda estão longe de renderem milhares de euros, mas os cinco sites vão começando a dar frutos. O primeiro guia a ficar online, em 2011, foi o de Peniche; seguiu-se Ericeira, Sintra, Lisboa e Nazaré. Aos pormenores da história e da geografia da região, juntou as condições meteorológicas e as webcams, em direto, apontadas ao mar. Acrescentou sugestões de alojamento, restaurantes, escolas de surf, entre outros serviços. Essa é a parte rentável do negócio – só consta dos guias quem paga. “Quero que seja uma ferramenta para turistas nacionais e estrangeiros, pratiquem surf ou não.”

Daniel Beirôco deixou a consultoria em mercados financeiros para abrir a Surf Bus. Tirou a carta de pesados e ele mesmo conduz um autocarro de 17 lugares que faz a ligação entre Lisboa e as praias mais próximas, de Sesimbra à Nazaré

Daniel Beirôco deixou a consultoria em mercados financeiros para abrir a Surf Bus. Tirou a carta de pesados e ele mesmo conduz um autocarro de 17 lugares que faz a ligação entre Lisboa e as praias mais próximas, de Sesimbra à Nazaré

Luis Barra

De ‘yuppie’ a ‘hippie’

Estima-se que a indústria do surf movimente anualmente perto de €45 mil milhões nos cinco continentes, pelas contas da revista Forbes. Um pouco por todo o mundo existem cada vez mais operadores turísticos especializados no setor, e que atraem milhares de pessoas que viajam apenas para ir aproveitar as ondas.

E há muita gente atenta à tendência. Como, Daniel Beirôco, 37 anos, que no ano passado abriu a Surf Bus, uma empresa de transporte de passageiros para fazer a ligação entre Lisboa e as praias das linhas de Cascais e Sintra, chegando agora também à Ericeira, Sesimbra, Comporta e Nazaré. Os cerca de quatro mil passageiros transportados anualmente são na sua maioria (60%) de escolas de surf, que contratam a empresa para levar as crianças até às aulas. No entanto, é com os turistas (40%) que ganha mais dinheiro. “O surfista não é aquele pé descalço. Há muitos CEOs a descomprimir da vida profissional em surftrips até à Costa Vicentina, Sagres ou Peniche”, garante Daniel, que prevê neste inverno triplicar a faturação em relação ao inverno passado.

Longe vão os tempos em que trabalhava numa das principais empresas de headhunters do mundo, onde financeiros recrutam outros financeiros no mercado. Daniel ia trabalhar todos os dias de fato e gravata, mas andava sempre com a prancha de surf no carro. Foi quando sentiu a falta do contacto com as pessoas que sentiu o clique. “Gosto de olhar para cima e aprender, e isso já não acontecia”, diz, à porta do seu autocarro branco e amarelo. Daniel Beirôco ganhou liberdade em escolher o caminho a seguir e a praia passou a ser o seu escritório, ainda que haja dias que nem um pé consegue pôr no areal. No entanto, hoje, o único limite que tem de cumprir são os 100 quilómetros por hora imposto ao transporte de passageiros. O surf passou de hobby a forma de ganhar a vida. E, para já, “vive-se bem”.

João Alves desistiu da gestão hoteleira, em restauração, para idealizar um hostel na Ericeira virado para a comunidade do surf

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Luis Barra

Ericeira, a capital das ondas

O surf quebrou a sazonalidade de toda a orla costeira do País. No último plano estratégico de turismo nacional, o surf foi classificado como um produto turístico, e o Turismo de Portugal tem, atualmente, um orçamento de 650 mil euros para promover a marca Portuguese Waves. “Não basta ter umas ondas boas. É necessário ter a costa preservada de construções em excesso e de lixos e detritos para usufruí-la a pé e de bicicleta”, diz Hélder Sousa Silva, 51 anos, presidente da Câmara Municipal de Mafra, que como vereador acompanhou o processo de candidatura da Ericeira a Reserva Mundial de Surf e como deputado nacional foi o primeiro a falar sobre a modalidade na Assembleia da República.

Nascido e criado na região, Hélder Sousa Silva lembra-se do primeiro campeonato de surf, em Ribeira D’Ilhas, há 40 anos. “A comunidade local mobilizou-se e a vertente desportiva e associativa era a única que interessava”, recorda. Há cerca de dez anos, com o aumento de pedidos de construção na orla costeira, foi preciso pensar em soluções de preservação. A candidatura a Reserva Mundial surge como solução para estancar o desenvolvimento desenfreado da orla costeira, tal como já tinha acontecido em Malibu, o popular resort de surf da Califórnia. E se nessa altura, num dia normal, estariam 15 surfistas no mar, hoje estão 150. Há cinco anos, a Ericeira recebia a distinção de Reserva Mundial de Surf, atribuída pela organização Save The Waves Coalition, a segunda do mundo e a única da Europa, graças às suas sete ondas (Pedra Branca, Reef, Ribeira d’Ilhas, Cave, Crazy Left, Coxos e São Lourenço), todas diferentes e de nível internacional.

Com 21 escolas de surf, 11 fábricas de pranchas e 11 lojas dedicadas aos desportos de ondas, a Ericeira tornou-se no maior cluster da economia de surf em Portugal. Da estratégia política da autarquia (que este ano gastou 700 mil euros na promoção do surf) fez parte, entre outras iniciativas, o novo Centro Interpretativo da Reserva Mundial de Surf e a criação de um conselho municipal de apoio à gestão da Reserva de Surf. “Quisemos formar um grupo que, envolvendo clubes locais, escolas de surf, capitania, juntas de freguesia e hoteleiros, ajude a discutir, projetar e planear a melhor forma de preservar a reserva”, justifica Hélder Sousa Silva. No futuro, interessa-lhe sensibilizar a administração central da importância de incorporar a figura de Reserva Mundial de Surf nos planos de ordenamento da orla costeira e do espaço marítimo, para criar normas estatutárias de nível nacional. “É importante que as câmaras, com as autoridades marítimas, possam definir os regimes de carga de cada uma das praias. Isto é, saber quantas pessoas podem estar na areia e no mar em simultâneo.”

O número de surfistas que se fixam durante temporadas e chegam a comprar casa tem aumentado, como o surfista basco de elite Gony Zubizarreta, que vive na Ericeira, sempre que não está a competir. Mafra é o segundo concelho da área metropolitana de Lisboa com o maior número de alojamentos locais que nasceram só para dar resposta ao surf.

Andreia Passos e Gonçalo Silva, um casal de ex-professores, alugaram uma vivenda de 1955 para abrirem o Hostel & Surfcamp Ericeira55

Andreia Passos e Gonçalo Silva, um casal de ex-professores, alugaram uma vivenda de 1955 para abrirem o Hostel & Surfcamp Ericeira55

Luis Barra

De professora a hoteleira

João Alves não pratica surf, e muito menos faz uso do curso de pilotagem tirado na Escola Náutica, mas a ideia de estar fechado num escritório nunca lhe agradou. Só em junho do ano passado ganhou coragem para pôr um ponto final a 15 anos na gestão hoteleira, em restauração. Aos 41 anos, idealizou um hostel na Ericeira que fosse diferente da típica vivenda com vários quartos. O Ericeira Villa tem 1 375 metros quadrados de área e abriu, este verão, com 19 camas em camaratas e três quartos duplos. O relvado, o court de ténis, a piscina, as espreguiçadeiras e as camas de rede entre as árvores são uma tentação para quem escolhe ali ficar.

Com a taxa de ocupação no mês de agosto a chegar aos 91%, muitos foram os que já marcaram nova estadia para a temporada outono/inverno. “Conseguimos que todos os hóspedes tivessem contacto com o surf. Até um escritor israelita que não queria acabou por ter três aulas, e em vez de três dias ficou 14”, diz João, com orgulho.

Ao Hostel & Surfcamp Ericeira55 também chegam hóspedes de todo o mundo, desde australianos a alemães, desde o mais experiente ao que nunca pegou numa prancha. Há três anos, quando o casal de professores Andreia Passos e Gonçalo Silva foi empurrado para o desemprego, valeu-lhes a Action Waves Portugal, escola de surf que Gonçalo, 38 anos, professor de Educação Física, já tinha desde 2000. No ensino, levaram anos de uma vida dura. Andreia, 37 anos, professora de Matemática e Ciências, acordava às 5h30 da manhã para entrar às 8h10 em Queluz. Acumulava as aulas com as explicações de matemática, e muitas vezes só chegava a casa às nove da noite. O maior sonho de abrir um hostel pertencia a Gonçalo, mas Andreia embarcou nesta aventura sem hesitar.

Alugaram uma vivenda com 60 anos, mesmo de frente para a Praia do Sul, na Ericeira, e abriram o Hostel & Surfcamp Ericeira55 (porque a casa é de 1955...), com 22 camas distribuídas por sete quartos. “Ainda não conseguimos afinar todos os pormenores. Falta melhorar as janelas, pôr madeira no chão dos quartos e fazer um deck exterior para a zona lounge ficar mais descontraída”, enumera Andreia. Do investimento financeiro que fizeram ainda não começaram a ter retorno, mas não estão arrependidos da mudança. Para a empresária, é bom ter estabilidade, mas a sanidade mental é mais importante do que a conta bancária.

Miguel Delgado, de engenheiro mecânico a instrutor de surf

Miguel Delgado, de engenheiro mecânico a instrutor de surf

Luis Barra

Menos dinheiro, mais felicidade

Nos principais destinos nacionais, como Nazaré, Ericeira ou Peniche, é fácil encontrar alojamento, escolas, indústrias e operadores turísticos que vivem exclusivamente do produto turístico do surf. Estima-se que, nos próximos anos, este número continue a aumentar. Fenómenos como as sete ondas da Ericeira ou as ondas gigantes formadas pelo canhão da Nazaré muito contribuíram para pôr estas vilas piscatórias nas bocas do mundo. A culpa é de estrangeiros como Garrett McNamara, que em 2013 galgou uma onda de 30 metros na Praia do Norte, na Nazaré (proeza batida no ano seguinte, na mesma onda, por Benjamin Sanchis, que surfou 33 metros, entrando para o Livro de Recordes do Guinness). Só em 2015, o farol da Praia Grande foi visitado por mais de 110 mil pessoas, e o ascensor que liga a vila ao alto da falésia transportou perto de 900 mil pessoas. Portugal é mesmo o principal destino europeu de surf: temos uma fatia de 38,3% do mercado.

Apesar de o surf só o ter enfeitiçado lá para os 20 e tal anos, quando Miguel Delgado quis mudar de vida não hesitou em ir a favor da corrente. Há dois anos tirou o curso de instrutor para tentar incutir nos outros a mesma paixão que ganhou pela modalidade no mar agreste da Nazaré, onde cresceu. Na sua Surf4You, as aulas não servem apenas para ensinar técnicas para entrar e sair da água ou pôr de pé numa prancha. As aulas de Miguel, 38 anos, começam sempre por desenvolver uma certa empatia entre as pessoas do grupo, na sua maioria turistas estrangeiros, trabalhando medos e fobias de todos. “O mais importante é em contacto com a natureza, que é a minha religião, decifrar uma série de coisas. Entre elas, o objetivo de querer fazer surf.”

A ideia inicial da Surf4You, aberta em conjunto com o amigo de infância Henrique Silva (que já trabalhava na área de coaching) é que, através do surf e do contacto com a natureza, cada um desperte o seu “eu”. Para trás, Miguel Delgado deixou uma dúzia de anos como engenheiro mecânico na indústria dos moldes, numa empresa sueca em Portugal, cheia de formalidades. Deslumbrou-se por uma vida baseada no sucesso e no dinheiro e muito cedo ganhou independência financeira. Até aos 36 anos conseguiu comprar casa, carro e fazer uma vida desafogada, numa lógica do “parecer em vez de ser”.

Hoje, não pensa na faturação. Admite que vivia melhor antes, que tudo era mais fácil. “Mas agora a vida é mais proveitosa.”

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