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Oscars: Um engano para a história, um "Melhor Filme" inesperado, várias estreias e muito Trump

Cultura

ção: AFPA confusão em palco, com as equipas de "Moonlight" e "La La Land" juntas em palco, enquanto Warren Beatty, ladeado pelo anfritrião Jimmy Kimmel mostra o envelope com o vencedor na categoria de Melhor Filme

MARK RALSTON/ Getty Images

Não há como não começar pelo fim: "La La Land" foi anunciado como o vencedor do Oscar para Melhor Filme... só que não era

O musical "La La Land" saiu da longa cerimónia no Dolby Theatre com seis estatuetas douradas, o maior número de prémios da 89.ª edição dos Oscars. Mas na categoria de melhor filme foi derrotado por "Moonlight", apesar de uma insólita troca de cartões que vai ficar, sem dúvida, para a história dos Oscars: Já Jordan Horowitz, produtor do “La La Land” fazia o discurso de agradecimento pela atribuição do prémio mais cobiçado, depois do recorde de 14 nomeações, quando se interrompeu para anunciar que, afinal, o vencedor era "Moonlight". "Isto não é uma brincadeira", repetiu, perante uma plateia incrédula, antes de mostrar o cartão que, efetivamente, mostrava o verdadeiro "Melhor Filme".

Warren Beatty explicou, depois, que recebeu acidentalmente o envelope com a escolha da Academia para "Melhor Atriz", categoria anunciada imediatamente antes. Beatty conta que por isso hesitou antes de passar o envelope à co-apresentadora Faye Dunaway, que anunciou, então o musical como "Melhor Filme".

Engano insólito à parte, "La La Land" partiu como favorito aos prémios da Academia de Hollywood, com 14 nomeações, mas apenas conquistou seis estatuetas: a de melhor realizador (Damien Chazelle), de melhor atriz principal (Emma Stone), a melhor banda sonora original, melhor canção original ("City of Stars"), melhor produção artística e melhor fotografia.

"Moonlight", o verdadeiro vencedor, contracenado por Mahershala Ali e Naomie Harris, conta a história de um jovem afro-americano que luta para encontrar o seu lugar à medida que cresce em Miami, pelo que o derradeiro Oscar da noite acaba por responder, em parte, às críticas da falta de diversidade entre os premiados nos últimos anos.

Noite de estreias e recordes

A 89.ª gala dos Óscares, que decorreu no Teatro Dolby, em Los Angeles, ficou ainda marcada por uma série de estreias e recordes.

Damien Chazelle, de 32 anos, que conquistou o Oscar de melhor realizador pelo filme "La La Land: Melodia de Amor", tornou-se no mais jovem realizador a ser distinguido; Mahershala Ali, que venceu o Óscar de melhor ator secundário pela sua interpretação em "Moonlight", foi o primeiro ator muçulmano a receber uma estatueta dourada; enquanto "O Herói de Hacksaw Ridge", realizado por Mel Gibson, conquistou o de melhor mistura de som, naquele que foi o primeiro Oscar em 21 nomeações para Kevin O'Connell.

"O.J. Made in America", com quase oito horas, venceu na categoria de melhor documentário, transformando-se no filme mais longo a receber um Oscar, destronando "Guerra e Paz", a adaptação russa que venceu, em 1969, a estatueta de melhor filme estrangeiro (467 minutos contra 431 minutos).

Destaque ainda para os Oscars das categorias de melhor filme estrangeiro e de melhor documentário em curta-metragem. "O Vendedor", do realizador iraniano Asghar Farhadi, que tinha declarado que não iria estar presente na cerimónia em protesto pelas medidas anti-imigração de Donald Trump, recebeu o prémio para melhor filme estrangeiro; enquanto "Os capacetes brancos" ("The White Helmets"), sobre os voluntários que resgatam vítimas da guerra na Síria, conquistaram a estatueta de melhor documentário em curta-metragem.

A cerimónia foi também palco de vários discursos políticos, a começar pelas várias intervenções do anfitrião, Jimmy Kimmel, sobre o facto de os Estados Unidos serem hoje um país "dividido", passando pela declaração lida pela astronauta iranian Anousheh Ansari em nome de Farhadi, até às frases de apresentadores como Gael García Bernal que, enquanto mexicano e ser humano, se mostrou "contra qualquer tipo de muro" que estabeleça uma separação.

A meio da gala, Kimmel enviou, através do Twitter, uma mensagem ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, em menos de 10 minutos, foi partilhada por mais de 150.000 utilizadores.

"Olá Donald Trump. Estás por aí?", escreveu Kimmel na sua conta no Twitter, durante a cerimónia transmitida em direto por televisões de todo o mundo, após perceber que o Presidente dos Estados Unidos, um utilizador ativo das redes sociais, ainda não tinha comentado nada no Twitter, duas horas depois do início da gala.