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São Miguel: A ilha dos artistas

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O Festival de arte pública Walk & Talk está de volta a São Miguel, nos Açores. VEJA AS FOTOS

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"De tanto andar à roda fiquei tonta". A frase, em grandes letras vermelhas, contorna a fachada arredondada da galeria e quartel-general do Festival Walk & Talk, que começou esta sexta-feira, 17, em Ponta Delgada, São Miguel, nos Açores. Impressa numa manga publicitária de avião, a peça de Ana Pérez-Quiroga é a primeira que se vê da exposição Gente Feliz Com Lágrimas, que ali estará até 1 de agosto, último dia desta quinta edição do festival de arte pública.

Lá dentro, os artistas plásticos João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira juntaram trabalhos de 18 outros artistas portugueses, resgatando peças já criadas e encomendando outras que fizessem sentido nesta mostra com o título emprestado de um romance de João de Melo. "Quisemos falar aqui de questões relacionadas com os Açores, mas mais no sentido do território e do deslocamento, da viagem e da paisagem, da identidade, do sentimento de prisão e, ao mesmo tempo, de segurança que os açorianos têm na ilha", explica Nuno Alexandre Ferreira. Tiago Alexandre, por exemplo, criou três grandes bilhetes dourados, a lembrar os de Willy Wonka, mas que são cartas de chamada para três dos países que mais emigrantes açorianos recebem; Vasco Araújo concebeu duas esculturas sonoras, Exotismo, com ananases e bananas, em torno desse conceito; de Rodrigo Oliveira está exposta a pintura mural Sobre o Leite Derramado; de Nuno Nunes-Ferreira veio o bouquet de megafones resgatados a antigas campanhas políticas; de Maciel Santos, está o enorme contentor azul apoiado numa laranja, a lembrar a exportação daquela fruta açoriana.

Durante as próximas duas semanas, o Walk & Talk leva a São Miguel mais de 60 criadores e coletivos artísticos portugueses e estrangeiros. Ao circuito de arte pública, que já conta com dezenas de graffitis e outras intervenções nas paredes da ilha, hão de juntar-se este ano obras de Vhils, Miguel Januário, André da Loba, Sara e André, Nuno Paiva, Brad Downey, Elian Chali, Pastel, Filippo Minelli e David de La Mano, entre outros. Haverá residências de dança (Luís Guerra), teatro (Raquel André), artesanato (Miguel Flor e Júlio Dolbeth, entre outros), arquitetura (atelier Mezzo), design (Nuno Coelho e Serrote, em parceria com a Tipografia Micaelense e a Fábrica de Chá Gorreana), fotografia (Sandra Rocha e João Paulo Serafim), land-art (Derek Chirstopher Bruno, em parceria com o Centro de Interpretação e Monotorização das Furnas), e som (Waterfalls e Raw Forest), e, ainda, concertos, workshops, ateliês, masterclasses, projeções e visitas guiadas. Uma programação digna de nos fazer andar à roda e ficar tontos, pois.