Dia Mundial do Coração: “Nunca é tarde para começar a fazer exercício”

PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP via Getty Images

A praia de Peniche foi o local escolhido pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia para comemorar o Dia Mundial do Coração, a 29 de setembro. Com uma mensagem virada para o lado positivo, a “boa onda cardiovascular” consegue-se com hábitos de vida saudáveis e “simples”, diz Victor Gil, cardiologista e presidente da instituição.

Victor Gil, cardiologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia

Porque escolheram a praia e o surf para comemorar esta data que tem como mote “Dia da boa onda”?

Isto vem na sequência de um conjunto de ações que temos vindo a fazer nos últimos anos. Uma das campanhas grandes que fizemos foi a de alerta sobre a insuficiência cardíaca, para a qual mandámos fazer um coração gigante que andou numa camioneta a percorrer o País. Mas esse coração tinha um aspeto doente, olhava-se para aquilo e ficávamos admirados, embora fosse mesmo essa a ideia. Este anos quisemos uma perspetiva diferente.

Mais otimista?

Esse coração ficou guardado e, no passado, um grupo de crianças da Associação Coragem (crianças que foram operadas ao coração) sob a orientação de uma artista plástica pintou-o e passou, depois, a ser o símbolo de um outro programa que lançámos nesse ano e a que chamámos “Coração de Esperança”. Ou seja, passámos dos alertas sobre a doença que é terrível para uma outra fase, de esperança.

E este ano?

Agora quisemos ir ainda mais a montante, ou jusante, como se quiser. Isto é, a pessoa está doente, a doença tem de ser identificada e tratada, mas esse tratamento permite, hoje em dia, dar esperança às pessoas. Portanto, o desafio este ano é: voltarmos ao que passamos a vida a discutir, mas que nos esquecemos tão facilmente, que é adotar hábitos de vida saudáveis para entrarmos numa boa onda cardiovascular.

Mudaram o discurso?

A mensagem para prevenir a doença cardiovascular é, geralmente, feita pela negativa. ‘Não faça isto’, ‘Não faça aquilo’. O que queremos dizer é que, se for cumprido um conjunto de regras simples, as coisas correm bem.

Calçar “uns sapatinhos de ginástica” e andar é o mínimo que se deve fazer
Getty Images

Que regras?

Fazer exercício, ter uma alimentação saudável, não aumentar de peso e, caso tenha diabetes ou colesterol alto, fazer o controlo regular. Há um estudo recente, feito nos EUA, que mostra que se as pessoas cumprirem estas regras, começando-as na juventude, têm adicionalmente mais 14 anos de esperança de vida no caso das mulheres e 12 no dos homens do que quem não tem um estilo de vida saudável. A boa onda cardiovascular não é uma fantasia, não é retórica, é, isso sim, consubstanciada em números.

Que atividade física devemos fazer para prevenir as doenças do coração?

Qualquer uma é boa e qualquer tipo de movimento é bom em comparação com a inatividade. É simples: peguem nuns sapatinhos de ginástica e andem. O ideal seria andar uma hora por dia, mas se andarem 30 minutos três vezes por semana já não é mau; aliás, é o mínimo dos mínimos. Andar, mas a ‘puxar’ o passo. Idealmente devia ser uma hora para cinco quilómetros, que é uma velocidade um pouco forte. Claro que nem todos conseguem, mas façam o que conseguirem. O mínimo é andar. Fazer natação, andar de bicicleta, ter aulas no ginásio ou personal trainer? Ótimo, perfeito. O desafio é pôr as pessoas a combater as doenças cardiovasculares por si próprias.

Quais são os três erros que devemos evitar?

Fumar. Não fume ou deixe de fumar. A segunda é a alimentação adequada, e isso reconheço que é difícil, quando muitas vezes tem de se comer fora: aconselho o hábito da marmita, levar a refeição saudável de casa. Por fim, é errado pensar que é tarde para começar a fazer exercício. Nunca é tarde, há sempre um tipo de atividade para qualquer pessoa. Só é tarde quando se chega a um ponto em que há problemas nas articulações e já não se consegue.

Assine a Revista VISÃO, em digital, por €1 e apoie o jornalismo de qualidade.

ASSINE JÁ

ASSINE JÁ!

Mais na Visão

Mundo

Covid-19: Rússia pronta a fornecer vacina a 50 milhões de europeus a partir de junho

As autoridades russas garantiram hoje que poderão fornecer vacinas contra a covid-19 a 50 milhões de europeus a partir de junho, após a Agência Europeia de Medicamentos anunciar o início da análise da vacina russa Sputnik V

Mundo

Covid-19: Ciclo de descida de novos casos na última semana na Europa chegou ao fim

A OMS alertou hoje para o aumento de novos casos de contágio pelo SARS-CoV-2 na última semana na Europa, indicando que se interrompeu um ciclo de descida que durava há seis semanas

Mundo

Covid-19: Andar na rua sem máscara pode dar direito a "longa caminhada" na Guiné-Bissau

A polícia da Guiné-Bissau está a levar pessoas apanhadas na rua sem máscara, no âmbito do combate à covid-19, para longe da sua zona de residência para depois terem de voltar a pé, disseram à Lusa várias fontes

Fotografia

Mo Farah: Os bastidores da jornada em direção aos Jogos Olímpicos de Tóquio em 60 imagens

Mo Farah, multi-campeão olímpico, mundial e europeu, é o atleta de maior sucesso na história do atletismo dos Jogos Olímpicos modernos. Nesta grande galeria, conheça os bastidores de uma preparação dura para os Jogos Olímpicos

Imobiliário

Preços das casas nos centros de Lisboa e Porto já estão a cair

O segundo semestre de 2020 já reflete descidas significativas nos preços médios da habitação em duas das zonas mais caras do País

Exame
Micro

O futuro da água já começou a jogar-se nas bolsas

Contratos de futuros sobre a água já são negociados nos EUA, mas há receios sobre as consequências no uso deste precioso recurso

Sociedade

Neandertais tinham capacidade para entender e produzir discurso humano

Perceber como os neandertais ouviam, através de um modelo digital de reconstrução de fósseis, permitiu a um grupo de investigadores espanhóis calcular a forma como comunicavam

VISÃO VERDE
Alterações climáticas

Estudo mostra como as alterações climáticas afetam a neve das montanhas de forma diferente

As alterações climáticas fazem com que a neve das montanhas derreta muito mais cedo, mas isso não se está a verificar em todas as regiões do globo. Porquê?

Exame Informática
EI TV

Exame Informática TV 716: Hyundai Kauai EV e como tornar a casa mais inteligente

Neste programa, conduzimos o novo Kauai elétrico, analisamos soluções para gamers e mostramos como pode tornar a sua casa mais inteligente

Exame Informática
EI TV

Teste ao novo Peugeot 3008 Hybrid4

O design agressivo e futurista, a tração às quatro rodas e a elevada potência conseguida com a conjugação das motorizações a gasolina e elétrica são alguns dos pontos de interesse

Editorial

Governo planeia de menos e poupa de mais

O nosso forte sempre foi o improviso. Mas precisamos de planeamento e de gastar mais e melhor

Opinião

O grande teste à burocracia europeia

A criação de um passaporte deste tipo, capaz de ser adotado por dezenas de países, é uma tarefa de grande complexidade que, ainda por cima, acarreta uma infindável lista de dúvidas