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O IMC não é suficiente para saber se a mulher tem um peso saudável e até pode ser um risco

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As mulheres que pensam ter um peso saudável com base apenas no seu valor de Índice de Massa Corporal (IMC) podem colocar-se involuntariamente em risco de ter problemas de saúde relacionados com a obesidade

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

As diretrizes atuais regem-se exclusivamente pelo valor do IMC para estimarem a probabilidade de uma pessoa se tornar obesa ou sofrer de problemas relacionados à obesidade, como doenças cardíacas ou até mesmo cancro. A mais recente investigação indica que o IMC não é suficiente para um diagnóstico preciso e que convém ter em conta um outro fator: a medida da cintura.

É à volta da cintura que se acumula a gordura mais prejudicial para a saúde, a gordura central. Ao não realizarem esta medida, os médicos podem estar a colocar em risco a saúde das pacientes, que ficam a acreditar erradamente que estão em boa forma física.

O estudo, publicado na base de dados científica Jama Network Open, envolveu a análise de dados relativos a mais de 156 mil mulheres na pós-menopausa, com idades entre os 50 e os 79 anos, que participaram no Women’s Health Initiative, um estudo americano sobre a saúde feminina realizado entre 1993 e 2017. Os dados, analisados durante os últimos dois anos, permitiram concluir que mulheres com um IMC saudável mas com uma cintura larga tinham uma probabilidade 31% superior de morrer durante o período do estudo. Tal significa que as mulheres com um maior diâmetro de cintura eram ligeiramente mais propensas a sofrer de problemas de saúde fatais do que aquelas com um IMC correspondente a "obesidade".

89 centímetros de cintura foi a medida encontrada pelos investigadores acima da qual o risco de vida da mulher aumenta. As principais causas de morte registadas nas pessoas com um IMC normal mas uma cintura maior que esta medida foram doenças cardiovasculares e cancros relacionados com o excesso de peso.

Além disso, os investigadores acreditam que o rácio entre músculo e gordura corporal - não incluído no IMC – deve também ser considerado para um diagnóstico mais preciso.

Wei Bao, professor de epidemiologia na Universidade do Iowa, nos EUA, comenta que “as pessoas com um peso normal baseado no IMC, independentemente da sua obesidade abdominal, eram consideradas normais na prática clínica, de acordo com as diretrizes em vigor. Isto pode levar a oportunidades falhadas de avaliação de riscos e programas de intervenção, dentro deste subgrupo de alto risco”, relata o Independent.

Os investigadores admitem, no entanto, ter tido várias limitações no seu estudo, tanto na amostra, que apenas incluía mulheres no período pós-menopausa; como nos dados, ao não terem acesso a dados de imagiologia do tecido adiposo.