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Afinal, não há pessoas "normais". Todos temos (uns mais do que outros) a nossa "pancada"

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Neurocientistas da Universidade de Yale, nos EUA, dizem que é necessário ter uma visão mais ampla no que diz respeito ao conceito de normalidade, principalmente no campo da psiquiatria

Afinal, não existe um "perfil universalmente ideal de funcionamento cerebral", ou, por outras palavras, ninguém é normal. Esta é a conclusão de um estudo conduzido por ciemtistas da Universidade de Yale, nos EUA, que explicam que ser normal é muito relativo e depende, entre outras fatores, do lugar, tempo e circunstâncias.

Os especialistas defendem que não há um caminho concreto e certo para os humanos, tanto mental como fisicamente, e que, por isso, deve começar-se a adotar uma visão mais abrangente do que é ser normal.

Neste estudo, publicado na revista Trends in Cognitive Science em fevereiro deste ano, os neurocientistas desmistificam o conceito de normalidade, tanto em pessoas como em animais.

A equipa pegou na evolução para mostrar que a uniformidade nos cérebros humanos é completamente anormal: o que é muito mais comum, desde há milhões de anos atrás, é a mudança e a variedade dentro e entre todos os seres. No fundo, o único estado constante é um estado em constante transformação, explicam os cientistas, e isso significa que qualquer comportamento pode parecer bom ou mau, dependendo do contexto.

Ao analisarem a variedade dos bicos numa espécie de ave, entre muitas outras variações evolutivas, mas também um grande número de comportamentos humanos descritos como ideais, os pesquisadores concluíram "as forças evolutivas que moldam a nossa espécie selecionam uma diversidade incrível de comportamentos humanos".

Por isso, a equipa refere que, no campo da psiquiatria, não se devem examinar comportamentos isolados e sem contexto, mas sim avaliar cada indivíduo e compreendê-lo de forma singular, de acordo com uma vasta gama de comportamentos e tendências que vão flutuando.

Os pesquisadores afirmam que a psiquiatria clássica classifica os doentes de uma maneira linear e muito limitativa, podendo levar a um tratamento injusto, já que tenta fazer com que uma pessoa se adapte a uma doença. Por isso, propõem uma abordagem quântica, que considera vários fatores entrelaçados para resolver um problema, não vendo apenas caraterísticas isoladas.

Por exemplo, num paciente diagnosticado com défice de atenção deve ser observado por um psiquitra de uma forma mais abrangente, dizem os especialistas, examinando os cenários em que a tendência de distração é saudável e não prejudicial, por exemplo.