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Viver em bairros opulentos mas com má vizinhança pode ser prejudicial para a saúde, sugere novo estudo

VISÃO Saúde

José Carlos Carvalho

Uma investigação conduzida por pesquisadores do Reino Unido conclui que, mesmo vivendo em zonas mais ricas e com mais serviços, ter uma vizinhança hóstil tem impacto negativo na saúde

Viver num bairro opulento, mas com vizinhos hostis, é tão mau para a saúde como ter casa numa zona mais pobre.

Esta é a conclusão de uma nova investigação realizada por pesquisadores das universidades de Edimburgo, Sussex e da University College London, que sugere que o risco de doenças entre pessoas que residem em zonas mais ricas mas que não se conseguem ligar aos seus vizinhos é comparável às que vivem em áreas onde os salários, a escolaridade e os serviços são mais baixos.

Os investigadores analisaram registos médicos de mais de 11 mil essoas, todas com mais de 50 anos, e compararam-nos os resultados de inquéritos semestrais, realizados durante 12 anos.

Os resultados mostraram que cerca de dois quintos dos adultos que vivem em zonas mais carentes tinham problemas de saúde, enquanto um terço dos que estavam insatisfeitos com a sua vizinhança, embora em zonas mais ricas, também tinha algum problema de saúde. Já dos adultos que estavam satisfeitos com sua área de residência, menos de um quarto tinham algum problema de saúde.

A satisfação da vizinhança incluiu fatores como a simpatia, a confiança e a gentileza das pessoas. Aspetos como a limpeza da área e o risco de vandalismo também entravam na avaliação da satisfação dos moradores.

Stephen Jivraj, um dos autores da pesquisa, publicada na revista científica Health and Place, e médico da University College London, diz que, embora se saiba que pessoas mais velhas que vivem em bairros mais carentes têm mais probabilidade de terem problemas de saúde, "os resultados mostram que a forma como se sentem na área em que residem tem uma forte ligação independente da circunstâncias individuais", explica.

O investigador afirma ainda que, ao analisar as caraterísticas subjetivas e objetivas de saúde, percebeu-se que ambas estão relacionadas com a dos adultos mais velhos.

Ainda não se sabe ao certo por que o sentimento de satisfação de uma pessoa com a sua vizinhança afeta a saúde, mas acredita-se que a influência na saúde mental e a disposição para se ser física e socialmente ativo desempenhem um papel importante.