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Regresso ao passado em cima de um skate

Visão Júnior

Carlos Pinto

Há cada vez mais (novos) praticantes a invadirem os skate parques

Quando Régis Silva aterrou em Portugal aos 30 anos, vindo de um Brasil em crise, nunca imaginou que, uma década depois, estaria a viver do seu desporto favorito. Até se aperceber do crescimento da prática de skate, e do seu potencial no nosso país, ainda trabalhou em restaurantes e vendeu casas. Sempre que podia, escapulia-se para debaixo da Ponte Vasco da Gama, no lisboeta Parque das Nações, e treinava as manobras. Não foram precisos muitos malabarismos para que um pai lhe pedisse para ensinar esses truques ao filho. Até hoje, já passaram mais de cem crianças pelas suas aulas (só tem alunos dos 3 aos 12 anos). E há dez miúdos que nunca falham.

À medida que foi assistindo ao novo boom, diversificou a atividade. Além das aulas, que custam 15 euros por cada hora e meia (ou cem euros por um pacote de dez), também organiza festas de anos e alguns eventos da modalidade, que já arregimentam quase tantas pessoas como os festivais de verão. Experimente ir ver Tony Hawk - a grande estrela norte-americana - a descer rampas da próxima vez que ele vier exibir-se a Portugal.

A REBELDIA FICOU LÁ ATRÁS

Quando o skate apareceu, na década de 1960, não havia aulas. Foram os surfistas da Califórnia que inventaram este divertimento para os dias em que o mar estava flat. Depois, a prática passou a ser olhada como uma atividade rebelde, em que os novatos não eram bem recebidos nos skate parques. Hoje, passa-se o contrário. E a indústria acompanhou a mudança - há cinco anos, um artigo do New York Times assegurava que ela já valia, nos EUA, cinco milhões de dólares ao ano.

Depois de ter dirigido o departamento de marketing da Despomar (que detém a cadeia Ericeira Surf & Skate), Rodrigo Pimentão lançou-se num negócio próprio aos 38 anos: representar em Portugal e na Europa os norte-americanos surfskates. "No fundo, Collin Newton, ao criar um modelo mais flexível, quis voltar às raízes do skate, com uma tábua que recria os movimentos do surf, em terra", explica. É que estes surfskates deslizam à custa do movimento do corpo e, por isso, são muito usados para o aquecimento antes de os surfistas se fazerem ao mar. A aceitação tem sido excelente: em três meses, recebeu 250 encomendas. Números que não estão muito longe do líder de mercado. Apesar da modalidade ter feito, desde sempre, parte da estratégia da Ericeira Surf & Skate, nos últimos 3 anos a cadeia de lojas assumiu-a como um segmento primordial. "Vendemos cerca de duas mil tábuas e milskates completos por ano, fora o restante material inerente à pratica", diz Pedro Dias, diretor de marketing.

INDIVIDUAL SOCIAL

Existem 70 modelos de tábuas no mercado. E as marcas têm um peso muito grande na hora da escolha, mas o preço também é decisivo na compra. "A mais procurada é a Element Skateboards, mas a que se vende mais é a Screw Skateboards, devido à relação preço/qualidade", continua. A Ericeira Surf & Skate apoia alguns dos melhoresskaters nacionais e começou, em 2015, a organizar o Car Park Tour, uma competição nos parques de estacionamento dos centros comerciais. As grandes marcas de street wear também já perceberam que os adeptos marcam as tendências nesta área e viraram-se para a modalidade, apoiando atletas e os principais acontecimentos mundiais. É precisamente para arranjar patrocinadores e tratar dos happenings que os gémeos Aragão, de 23 anos, pegaram na concessão do Parque das Gerações, quase em cima do mar de São João do Estoril, a poucos quilómetros de Lisboa. Este espaço e o de Chelas foram os últimos a serem inaugurados na zona da capital. Mas eles têm aparecido um pouco por todo o País, pela mão das autarquias e em resposta ao aumento da procura. Os manos também criaram uma skate school e lá recebem alunos de todas as idades (o mais novo tem 3 e o mais velho 53), a troco de 25 euros, com seguro e equipamento, por aula (se for em grupo, baixa para 50 euros mensais). "Há cada vez mais praticantes e a indústria tem acompanhado esse crescimento", assume Rodrigo, explicando que oskate, apesar de ser um desporto individual, é altamente social. "Somos todos iguais, fazemos amigos, partilhamos momentos, com muito companheirismo." E não é disto mesmo que o mundo precisa?

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