“Não gosto de um mundo que depende de gente rica para dar o que as pessoas deviam ter por direito”

“Não gosto de um mundo que depende de gente rica para dar o que as pessoas deviam ter por direito”

A água tem servido de desculpa para sucessivos conflitos. Mas é uma fama injusta, garante o ítalo-britânico Giulio Boccaletti, investigador no MIT e responsável estratégico da The Nature Conservancy, uma das maiores ONG de Ambiente no mundo. Na verdade, historicamente, sempre foi uma fonte de cooperação, diz o autor do livro Água: Uma Biografia (Ed. Desassossego, €19,90, 368 páginas). Os problemas associados à água, sublinha, não se devem à água em si – seja ela demasiada ou insuficiente –, mas à pobreza dos Estados e à instabilidade sistémica em regiões vulneráveis.

As lendas e os mitos das civilizações antigas relacionadas com a água veem-na como uma fonte de vida ou de morte?
Ambas. Desde que começámos a gerar estes mitos, reconhecemos a água como uma presença poderosa com que a sociedade tem de lidar. É simultaneamente geradora e destruidora. Os mitos das inundações, como o da arca de Noé e o de Gilgamesh, dizem todos o mesmo: que a origem da sociedade decorre de um acontecimento destruidor provocado pela água. Nenhum se refere a um acontecimento físico, mas passam a ideia de que, numa sociedade não moderna, a água é o que dá e o que tira a vida.

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