Como o Douro enfrenta o novo clima

Uma questão de equilíbrio Na Quinta do Seixo, aposta-se numa vinha rica em biodiversidade. Num ecossistema completo, uma praga será naturalmente controlada pelos seus predadores

Como o Douro enfrenta o novo clima

Tão perto e tão longe. As águas frescas do Douro parecem rir-se de nós lá de baixo, enquanto calcorreamos os socalcos de terra seca da Quinta de São Luiz debaixo de um sol implacável, sem que corra sequer o sopro piedoso de uma leve brisa. Aparentemente alheias a esta canícula rematada a pó, uma dúzia de mulheres e homens, mais novos e menos novos, conversam sobre coisas mundanas, enquanto cortam cachos com gestos rápidos e seguros, sem tirar os olhos das tesouras.

Ainda falta uma semana para agosto se finar, mas a vindima já arrancou aqui e noutras vinhas da região. “Faz-se cada vez mais cedo”, comenta o enólogo Márcio Nóbrega, responsável de viticultura dos vinhos tranquilos da Sogevinus, empresa que detém a Quinta de São Luiz, no concelho de Tabuaço. “Há 50 anos, começava um mês mais tarde. Outubro era mês de vindima.”

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