Quase 50 graus no Canadá? É só uma amostra do inferno que vem aí

Lytton (quase) obliterada Noventa por cento da vila canadiana foi consumida pelos incêndios, na sequência do calor Foto: GettyImages

É uma das previsões mais vezes repetidas por cientistas: as alterações climáticas estão a tornar os eventos extremos, como secas e ondas de calor, mais frequentes e intensos. Mas uma coisa é ouvir a teoria, outra é passar pela experiência. No domingo, 27 de junho, os 250 habitantes de Lytton, na Colúmbia Britânica, Canadá, sentiram-no na pele, quando os termómetros atingiram 46,6 ºC, ultrapassado largamente um recorde nacional com 84 anos, de 45 ºC.

Esse domingo foi só o início do pesadelo. Na segunda-feira, novo recorde, com 47,9 ºC. E na terça-feira as temperaturas chegaram a uns inimagináveis 49,6 ºC. Repita-se, para que não haja dúvidas: 49,6 ºC. No Canadá. Para se ter uma ideia de quão anormal é este valor, diga-se que a temperatura mais alta de sempre em Portugal é de 47,4 ºC, estabelecido na Amareleja durante a onda de calor de julho/agosto de 2003 (que é também a segunda temperatura mais alta de sempre na Europa, depois dos 48 ºC atingidos em Atenas, em 1977).

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