Nem Tudo É Ficção
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Lúcia voltou para o mar

O psicólogo sentiu inveja da paciente. Lúcia queria ser mar. E, ele, o que queria ser? “Chame-a à realidade”, pedira--lhe Marina, a filha de Lúcia. “A realidade está muito sobrevalorizada”, retorquira Pedro, num tom de brincadeira. Nem ele estava a brincar nem Marina achara graça:– A minha mãe nunca conseguiu superar a morte do meu avô – murmurou. – Tenho receio do que possa fazer. Ultimamente diz que ouve vozes. As coisas falam com ela. – Que coisas?– Coisas que não têm boca: nuvens, morros, inclusive cores. Está completamente maluca.“Ela é mais lúcida do que todos nós”, pensou Pedro

Crónicas
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A última

Mesmo em prosa, fui descobrindo o meu ritmo, recorrendo a repetições para imprimir cadência aos parágrafos e ensaiando jogos de palavras, metáforas de potencial gráfico e até uma novilíngua particular

Crónicas
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A última crónica

Aprendi a escrever 3 000 caracteres intuitivamente. Sem ter de usar a opção “contagem de caracteres”. Aprendi a escrever de forma automática, sem pensar. Ou seria fácil ou seria impossível. Optei pela primeira via

Crónicas
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As crónicas que não escrevi

Consta também da listinha que sempre quis ter um diastema (aquele espaço entre os dentes) como a Madonna. Sei que há quem chame a isso dentes de mentiroso

Opinião
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Palco

Por isso afino com quem não aprecia o (para mim) óbvio desconforto de estar debaixo das luzes. Pessoas recatadas em palco emitem uma espécie de energia em sinal negativo, como se fossem aspiradores que sugam para si pessoas como eu

Autobiografia Não Autorizada
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O deus das pequenas coisas (ca. 13:30-14:30)

Tive educação católica, fiz a primeira comunhão, cheguei a dar catequese, mas a fé em Deus de que falo não me foi ensinada pela religião católica ou por outra, e nada tem que ver com a fé por que se continua a matar todos os dias. Resulta da intimidade com uma ideia de Bem que me faz sentir não estar só nas decisões que tomo, nos falhanços em que tropeço, nos pequenos triunfos que calham acontecer-me

Boca do Inferno
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Cuidado com a língua

O melhor era enforcar os dicionários todos, à cautela

Jornal de Letras
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Não achas?

Jornal de Letras
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Lianor

Crónicas
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Dar à luz sem sombra

Revolta-me especialmente que seja tão comum ser vítima de maus cuidados de saúde no processo de gravidez e parto em Portugal

Mapeador de Ilhas
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Morrer de raça (2)

Sabíamos que o mundo era grande, mas estávamos longe de pensar que houvesse uma tal variedade de raças

Crónicas
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Café Corcel

Lembro-me de que o Rui Veloso me contou que conheceu o Zé Nabo no Corcel, que acaso, que encontro tão importante, tão determinante para mim

Autobiografia Não Autorizada
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Sonhei, a noite passada

Eu continuei a crescer, continuamos sempre a crescer, mesmo quando o corpo para e começamos a enrodilhar por dentro. Gostava de acreditar que foram as palavras da Nóemia e da Daphne du Maurier que me guiaram para o homem bom com quem me casei, mas hoje sei que nas coisas do amor é mais a sorte doque a lucidez que comanda

Jornal de Letras
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Como se ganham guerras

As pessoas não procuram a verdade, procuram a certeza. E é um problema quando a encontram. Depois, a lealdade, a amizade, a cooperação criarão a coesão necessária para impedir que a verdade se intrometa e as esboroe

Jornal de Letras
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A pobreza dos ricos

"O que faz dos países ricos países ricos é precisamente comportarem-se por vezes como se fossem pobres". António Mega Ferreira, em sua crónica Antes que o mês acabe

Boca do Inferno
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Perigo! Cidadania!

Os opositores da disciplina têm uma fé enternecedora no nosso sistema de ensino. Eles acham mesmo que uma aula semanal de 50 minutos, ao longo de cinco anos, vai servir para os alunos aprenderem seja o que for acerca de 20 temas

Crónicas
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Minguante

A primeira manhã de creche deu direito a semana e meia de ranho, tosse, falta de apetite e febres ocasionais, sempre em casa. A segunda, mais uma semana de molho

Boca do Inferno
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A loja de ferragens do Mestre André

Por mais desinteressado que Costa esteja agora das fechaduras, talvez fosse apropriado, por uma vez sem exemplo, espreitar por uma. Desconfio que, do outro lado da porta, edificaram entretanto uma parede

Crónicas
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O sucesso e o fracasso

Eu penso no sucesso e no fracasso como gémeos verdadeiros, idênticos, formados a partir do mesmo óvulo, gémeos que se confundem

Autobiografia Não Autorizada
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Teremos sempre Veneza

Quando eu me criei nem frigorífico nem fogão, nem água nem luz nas casas, na maioria só frio e fome, fome e frio. Graças a deus, na minha nunca nos faltou o que comer e o lar estava sempre aceso, mas houve anos com tanta fome na aldeia que o meu pai abria o celeiro para que os mais necessitados fossem lá buscar alimento. O meu pai era tão bom para os de fora quanto mau para a família, chamavam-lhe o pai dos pobres

Jornal de Letras
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Morder com êxito

Morder com êxito é útil ao exercício da justiça. Penso: para que estas instruções sejam fiáveis, devo proceder com verdade e não com razão. Para o exercício ser justo devo ser maior do que a causa que me move ou a causa deve ser maior do que o meu movimento?