Ponto final, parágrafo?

É a terceira vez consecutiva que Rio ganha o partido. A vitória foi dedicada aos militantes de base Foto de Lucília Monteiro

Que Rui Rio conseguiu, contra tudo e contra todos, uma extraordinária vitória parece-me relativamente inequívoco. Não estou assim tão seguro de que tenha sido uma vitória das bases contra “o aparelho” porque o mais certo é terem existido esforços, de um lado e de outro, para arregimentar votos. O caciquismo está demasiado arreigado na nossa tradição para, com esta idade, eu continuar a acreditar na narrativa do voto livre no interior dos nossos partidos.

Mas nada disto diminui a dimensão da vitória. Rio fez uma campanha inteligente e sobretudo fez uma campanha hábil. Sabe bem que os militantes votam com um único racional: escolhem quem acreditam que levará o partido ao poder mais depressa. E Rio apostou tudo na ideia do risco. Do risco que a suposta impreparação de Rangel representava para a governação do País. Mas sobretudo na ideia de que Rangel representava um risco de o PSD perder uma oportunidade histórica de regressar ao poder que estaria ali à mão de semear. Foi ajudado – e muito – por uma oportuna sondagem da Pitagórica que validava precisamente esta tese. A de que um PSD com Rio tinha mais hipóteses de bater o PS do que um PSD com Rangel. Mas a verdade é que Rio conseguiu convencer os militantes do PSD de que Rangel representava um risco demasiado grande. Chapeau. A ideia pegou.

Julgo que esta vitória terá, agora, dois tipos de consequências. A primeira é a de dar um novo impulso e uma nova dinâmica ao PSD. Rio está não só relegitimado mas reforçou também a sua reputação de ser um vencedor de eleições difíceis. Desse ponto de vista, e ao contrário do que o próprio sempre disse, julgo que as eleições diretas foram benéficas para o PSD. Rio sai destas eleições em melhores condições de se bater nas legislativas do que se elas não tivessem acontecido. O mesmo teria, aliás, acontecido com Rangel, fosse esse o vencedor das eleições de ontem. A democracia tem estas vantagens.

A segunda consequência é de sentido contrário. Em caso de perder as eleições, Rio e o PSD ficam numa situação bizarra. Será a primeira vez que um líder do PSD perde duas legislativas seguidas. É evidente que, em tese, o PSD podia chegar ainda assim ao poder num governo de Bloco Central. Mas o mais certo é que isso abrisse uma nova fase conturbada na vida do partido.

Tudo ponderado, Rio sai destas eleições muito reforçado, com condições únicas para bater um PS que dá obviamente sinais de grande desgaste. Mas Rio também sai destas eleições sem margem para falhar esse objetivo. Ou o PSD regressa ao poder já daqui a um mês – e esse cenário não pode ser afastado – ou, paradoxalmente, dois meses depois de umas diretas, vai continuar a discutir-se a liderança do partido já a partir de fevereiro. Ponto final, parágrafo?

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

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