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Helena Vila Verde

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SÃO PAULO, BRASIL

“Eu gosto é do Verão...”

Nós lá fora

Helena Vila Verde

SÃO PAULO, BRASIL - Eu adoro o Verão, o calor e adoro as noites quentes de São Paulo

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O Verão está a chegar! Em São Paulo há mais dias quentes do que em muitos outros países, podendo parecer que a chegada do Verão não é tão importante, mas para mim a chegada do Verão significa dias de calor constante (sem as oscilações de frio que acontecem no resto do ano), dias mais compridos e com mais horas de sol, noites quentes, muitos gelados (sorvetes), caipirinhas, cerveja geladinha, roupas leves e boa disposição...

Por outro lado, também significa dias de chuvas tropicais, em que parece que cai a água de todo mundo durante uma só hora (aqui diz-se que cai um “toró”), inundando, por vezes, algumas ruas e partes da cidade. A força da água é tanta que nem dá para atravessar algumas ruas a pé. Lembro-me de uma vez que regressava a casa e pensei “tenho de ir depressa, porque daqui a pouco cai um toró”. Ainda tinha quatro ruas para atravessar até chegar a casa. Já estava a chover, mas ainda não era tão forte, que compensava ficar toda molhada e andar depressa para lá tentar chegar em vez de ficar à espera que a chuva parasse. Lá fui eu, atravessei a primeira rua, atravessei a segunda rua, cada vez chovia mais e eu cada vez ficava mais molhada, na terceira rua quase perdi uma havaiana e a quarta rua já não consegui passar. Estava toda molhada e acabei por ter de esperar na mesma. Cheguei a casa, tirei a roupa e ri-me sozinha, porque estava tão ensopada que não havia uma peça de roupa que não tivesse de ser torcida. Apesar de tudo, estas chuvas acabam por ser deliciosas, porque acontecem normalmente ao final da tarde, deixando a noite mais agradável e fresca.

Mas voltemos ao Verão! Eu adoro o Verão, o calor e adoro as noites quentes de São Paulo. Claro que tem alguns dias em que me arrependo de dizer isto, porque está tanto calor que nem o ar condicionado resolve. Além disso, ir à praia no Verão é algo delicioso. Como cresci numa cidade que tem praia e mar, sinto muitas saudades de, às vezes, ir apenas ver o mar, pelo que não preciso do Verão para ter vontade de ir até à praia. Ao longo do ano vamos várias vezes à praia: fazemos alguns “bate volta” (ir e vir no mesmo dia) e passamos fins de semanas, feriados e mini-férias na praia. Já viajei bastante pelo Brasil, amo a Bahia, mas sou uma apaixonada pelas praias do Litoral Norte!

Quem não conhece o Litoral Norte devia seriamente pensar em conhecer, porque sem dúvida que é uma das regiões de praia mais bonitas do Brasil. O Litoral Norte é uma região diferente e tem uma beleza muito especial, com uma vegetação tropical, diversificada, muito extensa e tão densa que não é fácil explicar, mas são essas as características que a tornam numa região muito, muito bela. As praias de Juquehy, Barra do Sahy, Camburi e Camburizinho são sem dúvida algumas das minhas favoritas no Estado de São Paulo e depois temos a talvez vencedora Paraty, que já fica no Estado do Rio de Janeiro.

Paraty não tem propriamente praia, mas de lá é possível pegar um barco e viajar de ilha em ilha e praia em praia, tendo ainda uma cidade colonial muito bem preservada, com um charme sem igual.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que fui à praia no litoral Norte de São Paulo: na Barra do Sahy. A viagem em si é maravilhosa quando feita de dia, porque realmente a descida/subida da praia é lindíssima. A Barra do Sahy é uma praia numa pequena baía, com água calma e uma temperatura muito agradável; é uma praia protegida por uma densa mata atlântica, não se visualizando quase nenhuma das muitas casas existentes no meio da mata. Fiquei maravilhada pelo calor (embora fosse impossível não estar debaixo do guarda sol), pela temperatura da água (não refrescava, mas ainda assim eu gostei), pela beleza e pela comida.

Sim, na praia também podemos fazer um mini roteiro gastronómico.

Na Barra do Sahy temos o restaurante da Pousada do Tiê, em Juquehy e Maresias temos o Baduê, em Cambury e Camburizinho o Manacá e na Praia da Baleia o Acqua.

Juquehy é uma praia com um areal grande, um mar que varia entre o calmo e o ondulado, sendo bom para quem gosta de fazer surf e é ótimo para fazer passeios a pé pela praia. Quantas conversas maravilhosas eu tive enquanto percorria aquele areal! Quantos por-do-sol e quantos banhos de mar...

A água pode ser quente ou mais refrescante, mas é sempre muito bom tomar vários banhos no mar de Juquehy. Em Juquehy há mais casas, mais hotéis e mais comércio do que na Barra do Sahy, a vegetação não é tão densa, mas fica sobre e entre os empreendimentos de casas de praia dando-lhe uma beleza muito especial.

Cambury e Camburizinho, juntas também formam uma pequena de baía, em que as duas praias são separadas por um pequeno rio.

As idas à praia são também deliciosas, porque normalmente são feitas em grupo: passeia-se, dorme-se, lêem-se livros, conversa-se, tomam-se muitos banhos de mar, bebe-se água de côco, come-se açaí e tapioca e, no final dia, faz-se um mega churrasco entre amigos!

A grande questão de ir à praia é o tempo que se demora a chegar e a voltar. Sim, aqui as idas à praia não se medem em Km, mas em tempo que se demora a percorrer a distância.

A praia de Juquehy fica a 159 km de São Paulo, demorando-se, num dia normal, cerca de 2H30 a chegar. A Barra do Sahy e Camburi são um pouco depois e demora-se mais uns 15 a 20 minutos. Durante as férias de verão (em São Paulo são em Janeiro), nos dias em que o fim de semana promete ou em feriados pode demorar-se umas 4 horas ou até mais. Eu sei que é um tempo surpreendente (pela negativa) para quem viaja nas auto-estradas de Portugal, mas nas auto-estradas (rodovias) brasileiras a velocidade máxima é 110 km/hora, havendo radares (fiscalização eletrónica) fixos eletrónicos de x em x Kms. Sei que demorar 2H30 a percorrer cerca de 170 km parece muito, mas vale bem pena e uma pessoa habitua-se. A principal auto-estrada que faz a descida e subida para a praia chama-se “Emigrantes” e tem 6 faixas de rodagem para cada lado, passando a 3 faixa quando se atravessam os túneis da Serra do Mar, mas essa auto-estada só tem cerca de 58 km propriamente ditos. Nos dias mais críticos, as faixas de rodagem da descida para a praia são fechadas (desviam os carros para outra alternativa) e permitem que se usem as 6 faixas de descida, na subida da praia, ficando assim uma parte do caminho com 12 faixas. Os restantes Km que percorremos até chegar a algumas dessas praias são estradas semelhantes às nossas estradas nacionais com uma só faixa, a maior parte do tempo, em que a velocidade máxima varia de 40 a 80 km/hora, existem várias lombas e vários radares eletrónicos. Acrescente-se ainda que as saídas de S. Paulo também podem ser bem demoradas, porque são milhares de carros a sair da cidade. Então, não há como escapar do tempo mínimo que se demora a chegar, se não se quiser receber uma multa em casa (que chega mesmo e no máximo em dois meses). Já falando do tempo máximo não há limite...

As minhas piores experiências foram viagens de São Paulo a Paraty (que são 270km normalmente percorridos em 4H30) em que demorei 12 horas (daria para ter ido a Portugal de avião) e uma vinda de Ilhabela para São Paulo (que são 200 km normalmente percorridos em 3H30) em que demorei 8 horas. Nem vale a pena comentar... mas depois destas experiências passei a perceber que sair da São Paulo nos feriados só de avião ou então, numa dose de muita paciência e querendo arriscar, vale tentar sair fora do horário de pico.

Portanto, ir à praia além de maravilhoso é uma aventura!

VISTO DE FORA

Dias sem ir a Portugal: Já em Portugal para o Natal e passagem de ano.

Nas noticias do Brasil: Alguns jornais comentaram que Portugal ganhou 17 prémios de turismo e foi eleito o melhor destino do mundo pela 2ª vez consecutiva.

Um número surpreendente: 5 milhões de carros é o número de carros que circularam nas estradas paulistas no feriado da Independência (5 de Setembro) deste ano de 2018.

Sabia que por cá as decorações de Natal dos shoppings são incríveis, com árvores de Natal e Pais Natal gigantes (vestidos a rigor apesar do calor que se faz sentir) e com mais ajudantes cães do que renas ou duendes?

Helena Vila Verde

Helena Vila Verde

SÃO PAULO, BRASIL

Nascida no Porto, é uma mulher do norte que rumou com o marido, na altura namorado, para o Brasil em 2011 à procura de novas experiências, culturas e oportunidades. Adora viajar, comer e sente muita falta do mar. Estudou direito na Faculdade de Direito da Universidade do Porto e trabalhou como advogada e consultora de tributação internacional até 2015. Depois de uma pequena pausa após o nascimento de sua filha, decidiu repensar a sua vida profissional e acabou fazendo uma mudança radical de vida e viver mais uma aventura: ser atriz. Hoje está a dar os seus primeiros passos como atriz e é também corretora numa Boutique Imobiliária.