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Helena Vila Verde

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SÃO PAULO, BRASIL

Eu sei que vou te amar...

Nós lá fora

Helena Vila Verde

SÃO PAULO, BRASIL - Muitas vezes dou por mim a pensar o que amo e o que odeio em São Paulo ... e são tantas as coisas que amo que é difícil acreditar...

São Paulo... é uma cidade de muitos opostos, é uma cidade que se ama e se odeia, é chamada a cidade da garoa, cidade da selva de pedra, cidade dos bandeirantes, cidade dos negócios, da cultura e da multiculturalidade, cidade dos muito pobres e dos extremamente ricos, cidade dos afetos e das distâncias, dos restaurantes, do glamour e da moda, cidade do trânsito... cidade onde tudo acontece.

Muitas vezes dou por mim a pensar o que amo e o que odeio em São Paulo ... e são tantas as coisas que amo que é difícil acreditar...

O que “odeio” em São Paulo é tão pouco, que podemos resolver a questão em duas ou três linhas: o trânsito caótico, em especial na altura do Natal (OMG... estamos quase lá) e o fato de termos sempre que estar alerta por conta da insegurança. E pronto é isto, embora a questão da insegurança tenha um grande peso que não se exprime em duas ou três linhas!

Agora, vamos lá ao que gosto de São Paulo. Preparados? A lista é grande, mas começo pelos amigos e também as pessoas, depois temos os restaurantes, a possibilidade de comer diferentes tipos de cozinha, o glamour, a diversidade dos bairros, a oferta cultural, a sua organização desorganizada (!), enfim uma multiplicidade de coisas

Gosto dos amigos, de os receber em casa, de ir a casa deles, de jantar e almoçar fora com eles, de ir ao boteco, ao teatro ou à praia, de viajar com eles... E ainda que muitos já tenham ido embora, os que cá ficamos continuamos a aproveitar bastante!

Gosto das pessoas do bairro, da vida de bairro, de sair de casa e dizer “Bom dia” ao senhor que vende flores na esquina, aos taxistas do ponto de táxi e aos seguranças que vejo todos os dias. Em São Paulo, por questões de segurança, todas as ruas, em especial as que têm algum comércio (lojas e restaurantes) têm segurança 24 horas. Vivi algum tempo na Rua Óscar Freire, que é uma das ruas de maior comércio de S. Paulo, e todos os dias eram (ainda são) os mesmos seguranças que ali estavam, uns passam o dia e outros viravam a noite. Quando saia de manhã para trabalhar, lá estava o Sr. Ricardo e o Eduardo no ponto de táxi, quando voltava à noite o Eduardo já lá não estava, mas o Sr. Ricardo parecia ganhar raízes. O Sr. Ricardo aparenta ser um durão, mas uns minutos de conversa bastam para perceber a sua boa disposição e simpatia. Uma das vezes que puxei conversa com o Sr. Ricardo, ele disse-me que o dia dele começava quando o patrão acordava e terminava quando ele decidisse. E “Férias!?! Não sei o que isso é!” lá disse ele esboçando um sorriso. À noite quando saíamos para jantar sempre tinha dois seguranças, pai e filho, que ali passavam a noite a guardar todas lojas do quarteirão e gostavam de puxar conversa sobre futebol, ou mais tarde quando nasceu a Kaká, perguntando sobre ela.

Gosto dos restaurantes da cidade e dos seus diferentes tipos cozinhas. Gosto de comer feijoada na Beth, carne argentina no 348 ou no Barbaro, sushi no Jam ou no Nakka, moqueca de camarão e peixe no Consulado da Bahia ou no Tordesilhas, a coxinha de frango e caipirinha de tangerina com pimenta de dedo de moça no Velloso, massas na Famiglia Mancini ou no Piselli, onde o tiramissú também é de se lhe tirar o chapéu, pizza na Margherita e na 1900, esparguete vôngole e steak poivre no Spot, steak tartar no Chez Mis ou no Ramona, café da manhã (pequeno almoço) no Le Vin e no Mr. Baker, os ovos Benedict e pipocas no Tavares, água frutada e dadinhos de tapioca no Tea Connection, qualquer prato na Casa do Porco, moulles e frites no Le Jazz, costela no Bafo e caipirinhas com picolé (gelado de gelo) no Patriarca, de beber Original no Salve Jorge ou em qualquer lugar que a tenha, comer ceviche no La Mar ou no La Peruana, atum com puré de batata e wasabi no Santo Grão, hambúrgueres no Z’deli e no Cabana, vieiras gratinadas no Seen, e a lista poderia continuar... não sei quanto a vocês, mas já estou aqui a salivar.

Gosto de passear na Óscar Freire e entrar nas lojas. As lojas da Óscar Freire são diferentes, têm um glamour que só se entende entrando e conhecendo cada uma delas, mas nunca deixo de ir nas Havaianas, Melissas e Tufi Duek. Sim, sem dúvida que é uma delicia passear na Óscar Freire, em especial aos sábados, onde, por vezes, as lojas contratam DJ’s para passar música e, por vezes também, servem caipirinhas ou espumante.

Gosto de passear pela Paulista, de dia e de noite, e ver a sua imponência e beleza. São vários os belíssimos e imponentes edifícios da Paulista, encontrando-se pelo meio alguns casarões do tempo das fazendas de café (que foram tombados, o que significa que são património protegido que já não se pode deitar abaixo). Gosto de olhar para o relógio no topo do Conjunto Nacional, que se vê de vários pontos da cidade, para antenas no topo de alguns edifícios da Paulista, de ir à Livraria Cultura no Conjunto Nacional, comprar ou folhear um livro e esperar que a chuva passe.

Gosto da vista do topo do Terraço Itália, do Banespa, do Martinelli, do Seen no Hotel Tivoli, do Skye no Hotel Unique, do Esther Rooftop e da vista do antigo terraço do apartamento da Carol e do Zé.

Gosto de passear pelas ruas de Vila Madalena ver as lojas alternativas e galerias de arte, ir ao Beco do Batman e à Praça do Por do Sol, ouvir e dançar um sambinha no final de semana, beber uma cerveja Original, tomar uma caipirinha e assistir aos jogos de futebol no Patriarca, no Salve Jorge, no Posto 6 ou no Harmonia. Comer sorvete (gelado) no Bacio de Latte. Sair para dançar na Casa 92 ou ir para uma região diferente da cidade e cair na noite alternativa da Rua Augusta, passando pelo Beco 203 e, quem sabe ainda ter energia para dar um passinho de dança no Love Story (a mãe de todas as casas).

Gosto de ir ao centro, mostrar como São Paulo era antigamente, passar no Teatro Municipal, na Galeria do Rock, subir ao Banespa, contar a história do Edificio Martinelli, passar no Centro Cultural Banco do Brasil e ver o que se passa por lá, na Praça da Sé, no Pateo do Colégio e contar a história de como nasceu a cidade de São Paulo, no Mosteiro de São Bento, na faculdade de Direito da USP no Largo de São Francisco, na Pinacoteca, na Estação da Luz, na Sala São Paulo e (antes do incêndio) no Museu da Língua Portuguesa, mostrar o “Mercadão” e a “25 de Março”. E, agora há que fazer uma pequena pausa para explicar a “25 de Março” e as redondezas. A “25 de Março” é o nome de uma rua, mas acabou por ser assim que ficou conhecida a região, que se eu tivesse como descrever (porque só indo lá, dá para perceber) diria que é um grande shopping ao ar livre. É curioso ver como está organizada esta parte da cidade, pois ela está dividida por “regiões comerciais”, ou seja, dependendo do que se vai comprar escolhe-se uma região/rua que dá nome à região. Na “25 de Março” compra-se de tudo: fantasias para qualquer festas, bijuterias, roupa, sapatos, tecidos, decoração de casa, roupa para cachorro (cães), decoração para festas, artigos de confeitaria, papelaria, brinquedos. Outra forma de definir a “25 de Março” seria “O que você procura, você acha”. Depois temos a “Santa Efigénia” onde se compram coisas elétricas e eletrónicas, o “Braz”, onde se compra roupa a preço quase de fábrica ou a “José Paulino”, onde também se compra roupa com preços muito simpáticos, a “Zona Cerealista”, onde se compra castanha de cajú, do pará, frutas cristalizadas, chás e farinhas dos mais diversos tipos, os artigos de cozinha e restauração que se encontram na Rua Paula Souza e a Rua São Caetano é a rua das noivas, onde se compra tudo para casamentos. Digo que é uma desorganização organizada, porque apesar de organizada por diferentes áreas de comércio, a confusão nas ruas é tão grande, que quem lá vai a primeira vez pode ficar assustado.

Outra coisa maravilhosa é a oferta cultural da cidade. Temos o mais sofisticado Ballet ou Ópera no Teatro Municipal ou os concertos na maravilhosa Sala São Paulo, o teatro alternativo do Teatro Oficina ou da Praça Roosevelt, o teatro musical no Teatro Renault, o teatro mais comercial nas mais variadas salas, o teatro a preços populares (acessíveis ao público) nas várias salas do SESC, presente em vários bairros da cidade, o teatro gratuito na FIESP e em outras salas espalhadas pela cidade e, claro, não poderíamos deixar de mencionar a presença assídua de vários cantores internacionais e de festivais de música, como Loolapalooza, Pop Load Festival e o Tomorrowland (que é fora da cidade de SP). E não posso deixar de mencionar o MIS, Museu da Imagem e Som, que recebe algumas das melhores exposições do circuito internacional, tendo recebido a do David Bowie, do Kubrick e onde está agora uma mostra de Hitchcock e a Pinacoteca, onde já esteve exposta a nossa Paula Rego. É verdade, seja a pagar ou gratuito a oferta na cidade em termos a teatro, música, cinema e museus é inacreditável.

Por isto tudo e muito mais, que fica por dizer, como não amar São Paulo por toda a minha vida?!

VISTO DE FORA

Dias sem ir a Portugal: 112 dias

Nas noticias por aqui (ainda) se fala nas eleições para a Presidência da República de Outubro.

Um número surpreendente: A população da Cidade de São Paulo de 12 milhões vive numa área de 1.521 km2 (https://www.ibge.gov.br/geociencias-novoportal/por-cidade-estado-geociencias.html?t=destaques&c=3550308), enquanto que a população de Portugal é de 10 milhões e vive numa área de 92.152 km2 (https://countrymeters.info/pt/Portugal e https://www.portugal.gov.pt/pt/gc21/portugal/sobre-portugal).

Sabia que por cá foi criado um App em prol do voto consciente e contra a corrupção, que é um Detetor de Corrupção chamado “Vigie Aqui” (http://www.vigieaqui.com.br/), que utiliza reconhecimento facial (98% de precisão) para identificar o político fotografado (os eleitores podem fotografar o rosto do político em qualquer lugar: nas ruas, na TV, na internet, em revistas e jornais) e revela imediatamente, na tela do celular, quais processos de corrupção ou processos administrativos ele responde na Justiça.

Helena Vila Verde

Helena Vila Verde

SÃO PAULO, BRASIL

Nascida no Porto, é uma mulher do norte que rumou com o marido, na altura namorado, para o Brasil em 2011 à procura de novas experiências, culturas e oportunidades. Adora viajar, comer e sente muita falta do mar. Estudou direito na Faculdade de Direito da Universidade do Porto e trabalhou como advogada e consultora de tributação internacional até 2015. Depois de uma pequena pausa após o nascimento de sua filha, decidiu repensar a sua vida profissional e acabou fazendo uma mudança radical de vida e viver mais uma aventura: ser atriz. Hoje está a dar os seus primeiros passos como atriz e é também corretora numa Boutique Imobiliária.