Ideias (JL)

Contrassenso

Ideias (JL)

Ah, o campo

Jornal de letras

A Travessia do Moderno

Ser poeta e ser moderno implica aceitar a perda de transcendência da poesia, a sua queda no mundo, na temporalidade e na finitude.

Jornal de letras

Um médico que deixa morrer à fome

É a senhora matos do 3º esquerdo? Trago aqui as suas compras, pode abrir? Deixe-se estar, não precisa de sair à rua que lhe entrego tudo separadinho por caixas, como pediu: os vegetais, o peixe, a carne, os sumos dos seus netos, as bolachinhas, os sabonetes, as revistas, e ainda lhe trago duas botijas de gás. O elevador não funciona? Não se preocupe senhora, eu subo a pé e levo-lhe todas as caixas lá acima. Vai levar só mais um bocadinho, são muitas caixas. Se tivesse dito que não tinha elevador tínhamos trazido ajuda, hoje sou só eu. Sim, compreendo, não sai de casa há um mês, não reparou no elevador. Já só falta mais uma caixa, pode deixar a porta aberta que eu subo já, já já.

Jornal de letras

Ruy Belo e Manuel Bandeira...

Num ensaio célebre sobre Manuel Bandeira, publicado em O Tempo e o Modo (nºs 62-63, 1968), lido na Sociedade Nacional de Belas-Artes, numa homenagem ao poeta brasileiro, por sugestão de Sophia de Mello Breyner, Ruy Belo afirmou que o autor de "Vou-me Embora pra Pasárgada" tinha “noções muito precisas acerca da poesia e do público”. Por isso defendia “a necessidade de uma fidelidade à vida tal como ela é”, fazendo-o “pelo recurso à enumeração e pela rigorosa passagem do singular ao universal, o que deve bastar para assegurar a um texto (…) uma temperatura poética que o tempo dificilmente fará arrefecer". E o poeta bem sabia a importância do manejo e combinação das palavras encantatórias criadoras de poesia. Ao lermos esse ensaio e o outro que publicou na revista Rumo, em 1966 compreendemos qual a ideia de Ruy Belo sobre “como um poeta se faz”.

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Olhares sobre o centenário do PCP

O PCP assinala, durante este mês de março, cem anos de existência. A este pretexto, o prof. da FCSH da Universidade Nova de Lisboa, investigador - e vice-presidente - do seu Instituto de História Contemporânea, José Neves, organizou o volume Partido Comunista Português (1921/2021) - Uma Antologia, editada pela Tinta da China, que percorre períodos essenciais do partido. Entre outros, o volume contra com textos de Álvaro Cunhal, José Pacheco Pereira, Fernando Rosas, Francisco Loução, João Arsénio Nunes, António Pedro Pita, Ana Drago, Miguel Cardina e Ana Margarida de Carvalho. O JL falou com o historiador, que foi Camões visiting prof. no King’s College, de Londres, e dirige a revista Práticas da História – a Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past

Jornal de letras

O Business Plan do niilismo ecológico

Há algo de profundamente patológico na noosfera, ou dito de outro mundo, na constelação de representações culturais do mundo contemporâneo sobre a sua própria agonia. Quarenta anos de neoliberalismo planetário debilitaram gravemente a política como horizonte de escolha e liberdade. Se no final da II Guerra Mundial, o nome dos grandes estadistas preenchia o imaginário coletivo, sendo daí que surgia a capacidade de inovação na engenharia social (estado social), na economia (o capitalismo regulado) na diplomacia (as Nações Unidas como muralha contra novas guerras de aniquilação), hoje os políticos que chegam ao conhecimento público têm de imitar as “estrelas” do reality show.

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O amante robot

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A escola do futuro

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Tarde, mas ainda a tempo

Numa entrevista concedida a um jornal luso-francês dirigido à emigração e publicada em 18 de janeiro passado, o Presidente da República produziu, uma semana antes das eleições presidenciais, algumas das mais significativas declarações do seu primeiro mandato, no que respeita aos processos eleitorais e, por extensão, ao próprio regime constitucional por que nos governamos desde 1976. Pena é que tenha esperado pela última semana de campanha e escolhido um jornal de circulação limitada para as divulgar, já que elas introduzem um debate que se arrasta – sem verdadeiro debate – há anos e se tornou mais premente nos tempos de confinamento em que vivemos desde o ano passado.

Jornal de letras

Um Militante da Lusofonia

Durante o pequeno almoço num pequeno hotel da cidade alemã de Rothenburg ob der Tauber, no dia 26 de abril de 1974, tive a notícia do golpe militar em Portugal, na véspera. Regressei então, apressadamente, ao Rio de Janeiro, onde vivia exilado. À chegada fui “convocado” para participar de reuniões de exilados portugueses sobre a situação política em Portugal, num espaçoso apartamento na rua Prudente de Morais, em Ipanema. As reuniões eram organizadas em sua casa por Amândio Silva.

Jornal de letras

A Tempestade de um Minuto

Tenho andado a convencer-me de que nunca vi o nosso mar assim. É certamente da perturbação da pandemia, do cansaço, de não haver ninguém, mas é facto que se põe em montanhas de água, que treinam para se porem de pé.

Jornal de letras

Tarde, mas ainda a tempo

Ideias (JL)

Eduardo Lourenço: o buscador de enigmas

Ideias (JL)

A biblioteca desaparecida

Ideias (JL)

Levantar a cabeça

Ideias (JL)

2021: Reinventar o mundo, só baseado no conhecimento

Alexandre Quintanilha, investigador, prof. catedrático e deputado, olha para 2021 com moderado otimismo e diz que gostaria de viver num mundo "pós-etnia, pós-nação, pós-género, pós-"

Ideias (JL)

Por amor de um verso

A memória rilkeana diz-nos que a identidade é um sistema complexo que não pode ser confinado a um órgão específico, mas à totalidade do indivíduo, sangue, olhar e gesto, porque as recordações (como funções ou manifestações da mente ou do cérebro) não são suficientes

Ideias (JL)

A defesa do Romance

Desde que me conheço que ouço, ciclicamente, anunciar a “morte do romance”. A qualquer inovação tecnológica, a qualquer forma “mais moderna” de comunicar uma história, aparecem logo os profetas de um futuro que nunca conhecerão a anunciar que o romance “está pela hora da morte”

Ideias (JL)

Esperar como um Rocky Balboa

Ideias (JL)

O otimismo como disciplina atlética

Uma das maneiras mais rigorosas de dividir os habitantes do nosso mundo hodierno será entre aqueles (ainda poucos) que já sabem que vivemos na época existencialmente mais decisiva da história da humanidade, e os outros (a gigantesca maioria), que desconhecem ou subestimam esse facto bruto e incontornável