Crónicas

Homem do Leme: O grande dilúvio

Não estou demasiado preocupado com o grande dilúvio, eu moro no segundo andar. Quando se der o degelo, quando o nível das águas subir, o vizinho de baixo vai ver o seu magnífico apartamento, cheio de peças de porcelana e tapetes árabes, ficar submerso

Crónicas

Bibliotecas

Jornal de letras

O tempo pode bem ser uma flor

A imagem que acompanha este texto mostra a tal flor possível. Um universo a florir pode não ser verdade, mas é belo. Sei que a verdade não é sinónimo de beleza, mas há situações em que podem coexistir.

Jornal de letras

A bandeira da secessão

Dois meses passados sobre a investidura do 46º Presidente dos Estados Unidos, começam a esbater-se as nuvens que assinalaram o desastroso mandato de Donald Trump, ao mesmo tempo que se afirmam linhas políticas diferenciadoras que fazem acreditar que Joe Biden talvez seja capaz de devolver ao seu país uma certa credibilidade moral que ele perdera nos últimos quatro anos. Com Trump, os EUA tinham-se aproximado perigosamente das fronteiras que identificam um Estado-pária, na sugestiva definição de John Rawls. Persistem, no entanto, as ondas de choque do acontecimento traumático que foi o assalto ao Capitólio, em 6 de janeiro, levado a cabo por uma multidão de fanáticos apoiantes acirrados pelo discurso incendiário de Trump.

Jornal de letras

Um médico que deixa morrer à fome

É a senhora matos do 3º esquerdo? Trago aqui as suas compras, pode abrir? Deixe-se estar, não precisa de sair à rua que lhe entrego tudo separadinho por caixas, como pediu: os vegetais, o peixe, a carne, os sumos dos seus netos, as bolachinhas, os sabonetes, as revistas, e ainda lhe trago duas botijas de gás. O elevador não funciona? Não se preocupe senhora, eu subo a pé e levo-lhe todas as caixas lá acima. Vai levar só mais um bocadinho, são muitas caixas. Se tivesse dito que não tinha elevador tínhamos trazido ajuda, hoje sou só eu. Sim, compreendo, não sai de casa há um mês, não reparou no elevador. Já só falta mais uma caixa, pode deixar a porta aberta que eu subo já, já já.

Jornal de letras

Animalidade e humanidade

Crónicas

O que a poesia faz

Crónicas

Bienal de Cerveira

Crónicas

Basta dar a mão (em Paris ou Copenhaga)

Crónicas

A inútil e lúcida autocrítica

É assim que eu vejo a vida, devíamos ser todos livres em vez de nos estarmos para aqui a debater por isto ou por aquilo, a criar conflitos e confusão, quando na verdade nem estamos convictos do que realmente queremos

O Casal Arnolfini
Crónicas

Infiltrados

Os autores, quando não são o tema central, infiltram-se nas obras, como Hitchcock nos seus filmes, como um deus passeando na sua criação

Crónicas

E o Brasil aqui tão perto

O desejo de tais "apoiadores", que Bolsonaro estimula, é um regresso, sem máscara, à ditadura

Crónicas

O Dia Mundial da Língua Portuguesa

Num mundo globalizado, não falamos da língua portuguesa como uma realidade fechada, mas de uma realidade aberta e em movimento, e aí estão a sua riqueza e as suas virtualidades

Crónicas

Cárcere com Caetano Veloso

Primeiro plano para lidar com o desafio, sua voz abrindo na casa, como se pássaro subitamente cantasse pelo interior, mas sem perder voo nem o céu inteiro

Crónicas

Homem do Leme: Armistício

No dia do armistício, Cláudio permaneceu encerrado no seu minúsculo apartamento. Ainda tinha atum e feijão para mais três dias.

Crónicas

Sobre o voo e a vizinhança

Virilio: “O cinema não é eu vejo, mas sim eu voo”

Crónicas

O aperto de mão

Um Presidente que nos encosta a todos à parede imóveis, para depois nos perguntar porque não avançamos com ele

Letras

Rosa Lobato Faria, dez anos depois

No aniversário da sua morte, Eugénio Lisboa recorda a obra de Rosa Lobato Faria

Artes Visuais

O Primo Basílio, em bailado

Nesta sua crónica, o grande queirosiano comenta a adaptação de O Primo Basílio ao bailado, por Fernando Duarte

Crónicas

Por um 2020 verde

Num domínio decisivo para o futuro de todos nós, 2020 começa muito bem para Lisboa. E começa muito bem para Portugal, porque sendo uma caricatura sem graça e um dislate sem nome aquela frase feita "o país é Lisboa e o resto é paisagem", certo é que Lisboa é a capital do país - e além disso, também por isso, uma espécie de seu símbolo. Sublinho-o sem esconder a minha qualidade de "nortenho" - militante

Crónicas

Evo Morales: O índio fora do lugar

Os acontecimentos dramáticos ocorridos na Bolívia seguiram um guião imperial que os latino-americanos começam a conhecer bem: preparar a mudança de regime de um governo considerado hostil aos interesses dos Estados Unidos (ou melhor das multinacionais norte-americanas)