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Não faltam T2 a menos de 90 mil euros

Imobiliário

Ana Maria Baião Correia

O acesso à habitação está genericamente ajustado à capacidade económica das famílias a nível nacional, conclui um estudo da Century21 Portugal. A ressalva vai para cidades como Lisboa e Porto

Marisa Antunes

Em 13 das 18 capitais distritais de Portugal Continental, uma família com rendimentos médios consegue comprar uma casa com 90 m2 (considerada a habitação ideal para a média dos agregados familiares portugueses) por um preço abaixo dos 90 mil euros. O preço mais baixo pode ser encontrado na Guarda (53.850 €) e o mais alto deste intervalo (86.500 €) encontra-se em Setúbal.

Évora, Coimbra, Faro, Porto e Lisboa são as excepções, mas enquanto, nas três primeiras, a compra de tal casa oscila entre 100.000€ e 130.000 €, no Porto tem um valor de 164.714 € e em Lisboa de 305.429 €.

As conclusões surgem no estudo “Acessibilidade da Habitação em Portugal” divulgado recentemente pela Century21 Portugal que avaliou todas as capitais de distrito cruzando o rendimento médio das famílias nas respectivas zonas e os valores dos imóveis bem como a taxa de esforço necessária para os adquirir (tendo como barómetro a taxa recomendada pelo Banco de Portugal e que não deve exceder um terço do rendimento familiar).

Feitas todas as contas e comparações, conclui-se no estudo que “numa perspectiva nacional, o acesso à habitação está genericamente ajustado à capacidade económica das famílias”. Porém, acrescenta-se, “a maior concentração urbana influencia, naturalmente, a acessibilidade à habitação”. Refira-se que as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto concentram cerca de 47,5% dos agregados familiares de Portugal continental.

Não mais que um terço do rendimento

A partir da taxa de esforço referencial dos 33%, o estudo da Century21 realça que entre as 18 capitais de distrito, "apenas Lisboa (58%) e Porto (35%) superam a taxa de esforço aconselhada (33%), embora Faro esteja já a tocar no limite (32%)".

Nas restantes, adquirir uma casa de 90 m² permite taxas de esforço abaixo dos 25% (o mínimo é de 13% em Bragança). Destaque para Braga, Leiria e Aveiro, onde se situa mesmo abaixo dos 20%.

Entre as áreas metropolitanas, os mercados algarvios são os que exigem maior esforço, todos superando a capacidade máxima aconselhada, com taxas entre os 36% e os 52% (Lagos, Loulé e Tavira), sendo precisamente a capital do distrito, Faro, a única onde isso não acontece (32%). Aqui, apenas Portimão fica abaixo do preço da capital distrital (125.444 €), sendo que Tavira e Lagos se situam em torno dos 165.000 € e Loulé fica em 172.566 €.

Barreiro tem os preços mais baixos da AML

Na análise à Área Metropolitana (AM) de Lisboa, os mercados na Margem Sul estão ainda todos abaixo (entre os 18% e os 27% de taxa de esforço), enquanto na Margem Norte, Sintra é o mais favorável (23%) e Amadora e Loures estão já no limite.

Assim, se em Lisboa uma casa nova a preços de mercado com uma área de 90 m2 não custa menos dos já referidos 305.429 €, em Cascais o valor ronda os 225.000 € e Oeiras perto dos 195.000€. Comprar abaixo dos 100.000 mil na AM Lisboa é possível em concelhos como o Barreiro, Seixal, Montijo ou Sintra (a partir dos 75.000 €).

De entre todos os concelhos da AMLisboa, o Barreiro (na foto) é aquele que apresenta o preço da habitação mais baixo - nos 831 €/m² - que cruza com um poder de compra das famílias dos mais elevados, em cerca de 1.411 € líquidos mensais (acima do rendimento médio em Sintra, Amadora ou Loures, por exemplo). "É, assim, o concelho onde a casa tipo é mais acessível, traduzindo uma taxa de esforço de 18%", refere-se na análise acrescentando que a prestação mensal correspondente é de 252 €.

A Área Metropolitana do Porto é a região metropolitana com os preços mais baixos, sendo que além do Porto apenas Matosinhos supera a barreira dos 100.000 €, com Valongo de Gondomar a situarem-se mesmo entre os 70.000 € e os 77.000 €.

No documento destaca-se ainda que “a maioria das capitais situa a prestação mensal para adquirir uma casa de 90 m² entre os 200 € e os 300 €, destacando-se acima deste patamar também Coimbra (366 €), Évora (339 €), e Faro (439 €)”.

Não obstante, “apenas em Lisboa e Porto tal encargo fica acima da capacidade financeira das famílias (equivalente a um terço do rendimento disponível por mês)”.

O objectivo do estudo da Century passou, por um lado, “por identificar o esforço financeiro exigido às famílias para aceder a ambas as soluções de habitação, nas atuais condições de mercado e, por outro lado, por apurar que tipo de habitação seria mais adequado ao seu rendimento disponível e a solução habitacional mais favorável”, pode ler-se no documento.

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