World Press Photo: Tudo o que (não) vimos em 2020 e podemos ver agora na exposição em Oeiras

O céu é o limite. O provérbio podia ter sido o remate final de uma das muitas reuniões da União dos Fotojornalistas Holandeses na década de 1950. Corria o ano de 1955 quando, numa sala de reuniões da sede desta organização, se decidiu sonhar mais alto: em jeito de celebração dos seus 25 anos, a associação expandia, para uma edição além-fronteiras, o habitual concurso em que se honrava o fotojornalismo nacional. O entusiasmo era muito, e o que era para ser uma edição especial única rapidamente se tornou uma competição anual, com um júri exigente, em que se premiariam os melhores trabalhos dos fotojornalistas ao redor do mundo.

Uma pandemia depois, a VISÃO volta a trazer a Portugal a digressão internacional do World Press Photo (WPP), numa edição que ficará para a História em território nacional por ser a primeira totalmente realizada ao ar livre. A partir da próxima quarta-feira, 15, e durante um mês, quem cruzar a entrada junto ao Templo da Poesia no Parque dos Poetas, em Oeiras, vai deparar com uma verdadeira galeria a céu aberto. Junto ao Anfiteatro Almeida Garrett, será possível encontrar os trabalhos vencedores das oito categorias da edição deste ano do WPP, que contou com mais de 74 mil imagens a concurso, captadas por mais de quatro mil fotógrafos, oriundos de 130 países. Cada categoria da competição – a saber: Temas Contemporâneos, Ambiente, Notícias, Natureza, Retratos, Desporto e “Spot News” – divide-se em duas subcategorias, a de Fotografia Única e a de Reportagem. Além das menções honrosas concedidas a trabalhos que não se enquadrem nas secções principais, todos os anos são ainda atribuídos os galardões Fotografia do Ano e Reportagem do Ano, os ex-líbris da competição.

Constituído por 45 fotógrafos, originários de 28 países, o elenco vencedor da 64ª edição do World Press Photo é um fiel espelho dos desafios globais que marcaram o ano de 2020. Sem deixarem de lado os imprescindíveis, e cada vez mais necessários, rigor e independência jornalísticos, as fotografias premiadas mergulham a fundo nas consequências psicológicas dos confinamentos, no impacto social e político das alterações climáticas e nas lutas travadas pela igualdade ao longo do último ano – do movimento Black Lives Matter aos direitos LGBT, passando pela defesa da democracia em Hong Kong.

À VISÃO, Marika Cukrowski, curadora da digressão internacional, explicou que “o processo do WPP é, acima de tudo, uma luta contra a desinformação que se acentuou desde o início da pandemia; depois de escolhidas pelo júri [presidido, este ano, pela nepalesa NayanTara Gurung Kakshapati], todas as fotografias nomeadas passam por sucessivas verificações para afastar possíveis situações de plágio ou de falta de rigor”.

Entre os trabalhos vencedores, o maior destaque vai para a Fotografia do Ano – também vencedora na categoria Notícias –, captada a 5 de agosto de 2020 num lar de idosos em São Paulo, Brasil, pelo dinamarquês Mads Nissen. Nela, retrata-se o primeiro abraço ao fim de cinco meses, com uma cortina de plástico pelo meio, entre Rosa Luzia Lunardi, uma utente de 85 anos, e Adriana Souza, enfermeira da instituição.

Já o italiano Antonio Faccilongo levou para casa o galardão de Reportagem do Ano, com a cobertura que tem feito do conflito israelo-palestiniano. Entre semblantes tristes de crianças e cartas de filhos para pais, o foco desse premiado trabalho fotográfico está na separação sofrida por muitas famílias palestinianas, ao terem vários dos seus membros detidos em prisões israelitas.

Nota ainda para o terceiro lugar na categoria “Spot News”, alcançado pelo português Nuno André Ferreira, fotojornalista colaborador da agência Lusa. Fogo na Floresta foi o trabalho galardoado, realizado a 7 de setembro do ano passado, durante um incêndio em Oliveira de Frades, no distrito de Viseu. Com as chamas em pano de fundo, foi num bebé dentro de um carro que recaiu a atenção do fotógrafo: completamente alheada do cenário de terror que a circundava, a criança mirava, fascinada, a objetiva que eternizou o momento.

Mas são muitos mais os trabalhos que, até 15 de outubro, nos vão chamar a atenção ao longo da Avenida do Parque dos Poetas. Para começar, abrindo o apetite para a exposição, aventuremo-nos por estas páginas recheadas de boas histórias, contadas apenas a partir de uma objetiva e do compromisso jornalístico para com a verdade e a Humanidade.

WORLD PRESS PHOTO 2021 + VISÃO
Local: Parque dos Poetas, em Oeiras. Entrada Templo da Poesia
Datas: 15 setembro a 15 de outubro
Horário: Segunda a domingo, das 9 horas às 23 horas (de 15 a 30 de setembro – horário de verão) e das 10 horas às 20 horas (de 1 a 15 de outubro – horário de inverno)
Preço: Entrada gratuita

CALENDÁRIO DOS WORKSHOPS FOTOGRÁFICOS
Organizados pela VISÃO, em parceria com a Câmara Municipal de Oeiras
Aulas seguidas de exercícios práticos pelo Parque dos Poetas, com máquinas fotográficas e/ou telemóveis dos participantes, orientadas por profissionais de renome em diversos estilos de fotografia. Participe!
Todos os sábados durante a exposição da World Press Photo 2021
Horário: Das 15h30 às 17h30
Inscrições: No Templo da Poesia, no próprio dia do evento, a partir das 10h30. Limitado a 30 pessoas por workshop
18 DE SETEMBRO
15H30 – Tema: Retrato, com Arlindo Camacho, fotógrafo, colaborador da VISÃO e PRIMA.
25 DE SETEMBRO
15H30 –Tema: Lifestyle, com Gonçalo F. Santos, fotógrafo.
02 DE OUTUBRO
15H30–Tema: Fotojornalismo, com Marcos Borga, fotojornalista da VISÃO.
09 DE OUTUBRO
15H30 –Tema: Fotografia de família, com Rita Ferro Alvim, Autora de “Retratos à Porta” e do Podcast “N’a Caravana”.

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