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Jeff e MacKenzie Bezos vão seguir caminhos separados. E agora, como fica a Amazon?

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JASON REDMOND

A empresa mais valiosa do mundo está à beira de ganhar uma nova acionista. E ninguém arrisca garantir que o processo seja totalmente pacífico

Em 1993, pouco tempo depois de casarem, Jeff e MacKenzie Bezos desenharam juntos, numa viagem entre Nova Iorque e Seattle, o plano de negócios do que viria a ser a Amazon. Agora, 25 anos depois, decidiram pôr um ponto final na sua relação, uma decisão que pode ter implicações na divisão de poder dentro da retalhista online.

A separação foi anunciada esta quarta-feira no Twitter pelo próprio Jeff Bezos: “Decidimos divorciar-nos e continuar as nossas vidas enquanto amigos.” Entretanto, dois tablóides - o National Enquirer e o New York Post - noticiaram que a separação ocorreu depois de Bezos ter mantido uma relação extraconjugal com a repórter de televisão Lauren Sanchez. Mas, para lá da questão emocional, há uma outra que tem estado sob os olhares em especial dos acionistas da Amazon, e que se prende com a ligação do agora desfeito casal à empresa.

Bezos tem hoje cerca de 16% da companhia (79 milhões de ações), que estão avaliadas em cerca de $130 mil milhões, dada a capitalização bolsista da empresa que é esta sexta-feira de cerca de $805 mil milhões. Chegados ao divórcio, surge a dúvida: como será dividido o património da família, que além das participações na Amazon, na empresa de exploração espacial Blue Origin e do jornal Washington Post, conta ainda com propriedades na Califórnia, Texas e em Washington D.C.

Desconhece-se, para já, se Jeff e MacKenzie terão estabelecido um acordo pós ou pré nupcial (embora o canal de televisão de celebridades TMZ assegure que não houve entendimento antes do casamento). Caso nenhum dos acordos exista de facto, deverá valer a lei estadual, no caso a do estado de Washington onde o casal vive. Ora tratando-se de um "estado de propriedade comum", a lei estipula que os ativos acumulados durante o casamento devem ser repartidos ao meio em caso de divórcio.

Neste cenário, MacKenzie passaria a ser uma das maiores acionistas, com 8% da Amazon, empresa que além do retalho desenvolve atividade significativa na área da cloud e da publicidade digital. Como se fará essa transferência de ações e o que fará MacKenzie com esses ativos é uma das preocupações. “Os investidores vão ficar assustados se alguém da família começar a vender quantidades significativas de ações," diz Mark Harrison, da consultora Marcum, citado pelo Business Insider.

"O mercado vai estar atento a sinais de sobressalto emocional entre eles,” acrescenta. Há ainda outra preocupação entre os acionistas do retalhista online norte-americano: que Bezos fique demasiado ocupado com os pormenores do divórcio, pondo em causa a sua capacidade de gerir o dia a dia da Amazon.

Contudo, os especialistas citados pelo Business Insider preveem que o casal venha a reduzir estes riscos, embora processos como estes nem sempre tenham desfecho pacífico. Harrison espera que as duas partes procurem sossegar os investidores e garantir um processo tranquilo, até porque os montantes envolvidos permitem a Jeff e a MacKenzie viver o resto da sua vida virtualmente sem preocupações financeiras. Uma das possibilidades pode ser a criação de uma cláusula no acordo de divórcio que limite a possibilidade de a mulher vender as suas ações e de Bezos manter o controlo dos direitos de voto associados às ações que não detém.

“É apenas 8% das ações. Não é o suficiente para exercer qualquer controlo,” considera o analista Michael Pachter, da Wedbush, em declarações à CNN, referindo-se à fatia acionista que poderá ficar nas mãos de MacKenzie. A CNN refere que ela deverá ser aconselhada a não criar instabilidade e que até poderá vir a receber mais ativos do que o previsto em troca de cooperação.

Para já, os acionistas da Amazon parecem tranquilos, com os títulos a registarem variações pouco significativas desde o anúncio da separação. Mas, avisa Harrison, este é um processo sempre imprevisível, onde as emoções tendem a vir à flor da pele, o que pode levar a azedar as coisas e a arrastar o divórcio. Para o presidente da associação americana de advogados matrimoniais, “a única coisa que pode preocupar os acionistas” é mesmo isto: “uma litigância prolongada.”