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Imobiliário comercial cresce 74% em 2018

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Venda de centros comerciais potenciou os números. Compra de casas também continua a crescer e portugueses voltam ao mercado

Os números foram avançados pela consultora JLL mas refletem a totalidade do mercado nacional: no ano que ainda agora passou, as transações imobiliárias comerciais terão disparado para os 3,3 mil milhões de euros – os números são provisórios –, um novo máximo histórico. No ano passado, este número ficou-se pelos 1,9 mil milhões de euros, também um recorde. Em comunicado enviado às redações, a JLL adianta que 2018 representa assim o mesmo valor que a soma do volume investido entre 2008 e 2014.

Para a habitação ainda não haverá números fechados, mas os dados do INE revelam que entre janeiro e setembro de 2018 as vendas das casas foram 19% superiores à do ano anterior, com os preços a continuar a subir – 12%, na média nacional, 20% em Lisboa.

O crescimento exponencial do investimento em imobiliário comercial registado em 2018 foi muito ajudado pela troca de mãos do Lagoas Park, do Dolce Vita Tejo e de todo o portefólio de shoppings da Blackstone – que incluía o Almada Forum, o Forum Sintra ou o Sintra Retail Park, negócios que envolveram muitos milhões de euros e dinamizaram o setor logo no início do ano. Os responsáveis da consultora acreditam que o País estará a mudar um pouco o seu perfil, com menos negócios de maior dimensão a dar escala ao mercado, ao invés dos vários negócios mais pequenos que eram os mais comuns até agora.

Para Pedro Lancastre, diretor geral da JLL Portugal, os números mostram apesar de tudo que Portugal já não é apenas um país de oportunidade e preços baixos, mas um destino estratégico, que vai exigir agora mais atenção na gestão dos portefólios e na conquista de investidores. “Temos hoje um mercado imobiliário que merece uma abordagem estratégica por parte dos operadores internacionais, que não é mais visto como um alvo oportunístico. O país provou ter capacidade não só de atrair como de reter o capital estrangeiro, quer estejamos a falar de investimento institucional em ativos de grande porte, de investimento em promoção, na ocupação de escritórios ou na compra de casa”, acredita o responsável na mesma nota. Na habitação, salienta no entanto o gestor, as compras são, em 80% realizadas por nacionais, o que mostra também o regresso dos consumidores portugueses ao mercado - ajudados pelo aumento da concessão de crédito hipotecário.

Lancastre nota ainda que o caminho feito até agor apelo país, no imobiliário, "já não poderá ser desfeito" e que permitirá a Portugal "ganhar escala, porque os tickets médios de investimento em qualquer uma destas componentes são mais elevados que os domésticos. Ao mesmo tempo que estas novas fontes de capital entraram e se instalaram em Portugal, os portugueses, investidores, promotores, ocupantes e compradores de imóveis, aceleraram o seu papel no mercado, com maior capacidade de investir e absorver produto, mantendo-se como um motor da atividade”.

À EXAME, o responsável afirma ainda que Portugal vai manter-se atrativo também porque "em regra o retorno dos ativos é mais elevado que a maioria dos mercados europeus". Em Espanha, coninua a título de exemplo, "as yields são geralmente mais baixas cerca de 100 pontos base, face a Portugal, o que, num cenário de confiança e crescimento económico, torna os ativos nacionais muito atrativos. No mercado residencial verifica-se a mesma situação. Os valores da casas, apesar de ter corrigido muito nos últimos anos, continuam bastante inferiores aos congéneres europeus. Com as nossas cidades cada vez mais cosmopolitas e atrativas para viver, os valores praticados em Portugal são muito aliciantes".

A JLL acrescenta que esta bom momento do imobiliário comercial se refletiu também na sua atividade, onde garantiu “o melhor de 10 anos” nesta categoria, “e só não supera o recorde histórico de mercado por falta de oferta adequada aos principais requisitos da procura atual, focada em áreas de grande dimensão, em zonas centrais e próximas de transportes públicos”.

A consultora fecha 2018 com resultados muito animadores e avisa que em 2019 é “fulcral” que o mercado assista ao surgimento de novos imóveis sob pena de “não conseguir acompanhar o ritmo da procura e perder, a prazo, o momento”. Os investidores internacionais continuaram a ser, sem surpresa, os principais garantes destes números recordes para Portugal, com os brasileiros, ingleses e franceses a dominar no mercado da habitação – segundo dados da JLL.

Quanto às críticas que cada vez mais se fazem ouvir contra o aumento exponencial de estrangeiros e turistas em Lisboa, Lancastre recorda: "Há poucos anos atrás ninguém vivia no centro histórico e ninguém queria lá viver. Os edifícios estavam degradados e a zona tornava-se deserta a partir de determinada hora. Os estrangeiros tiveram um papel importantíssimo na reabilitação das cidades e não nos devemos esquecer disso. Agora o centro histórico está mais bonito, mais vivido e por isso mais atrativo". O responsável aproveita para salientar o trabalho do Executivo, que na sua opinião "tem criado mecanismos de controlo para o mercado de alojamento local, o qual tem sido fonte de preocupação futura, pelo que as consequências ficam mais limitadas. Portugal está a seguir o caminho de outros países, com a vantagem de vir depois e de poder precaver-se dos problemas já ocorridos nestes mercados".

O gestor acredita que o ritmo de crescimento do imobiliário se vai manter em 2019 – apesar de poder haver um abrandamento da subida dos preços e da procura – e que os portefólios de “ativos imobiliários e de crédito malparado” da banca vão dar um impulso extra ao mercado. “A maior atenção dos investidores nos ativos alternativos nas áreas da saúde, desporto e residências especializadas” também deverão marcar o setor durante este ano que ainda agora começa, remata.

Notícia atualizada às 14h09 com mais declarações de Pedro Lancastre.