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Se não pagarmos mais para reter engenheiros "vamos ter um problema"

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Isabel Furtado, Maria Miguel Ferreira, José Gonçalves e Arlindo Oliveira compuseram o painel "Os caminhos da Digitalização" moderado por Pedro Oliveira, diretor da Exame Informática

Luís Barra

Escassez de talentos na área das engenharias ligadas às tecnologias de informação e comunicação terá de levar o País a alinhar os salários pagos a estas funções com os praticados noutros países europeus. Este foi um dos avisos deixados na conferência "Portugal em EXAME."

A falta de mão de obra disponível na área das engenharias está a levar a uma guerra de talentos que vai obrigar as empresas portuguesas a aumentarem salários para competir com as de outros países europeus, sob pena de se perderem cérebros para outras economias.

“Os nossos salários não são competitivos com os do resto da Europa, Estamos a perder uma fração significativa dos nossos graduados para o Norte da europa. Se não houver uma alinhamento dos salários com os desses países vamos ter um problema,” advertiu o presidente do Instituto Superior Técnico.

Para Arlindo Oliveira, que esta terça-feira participou no painel “Os caminhos da digitalização”, da conferência “Portugal em EXAME,” a vaga de transformação tecnológica que está a chegar a todas as áreas exige pessoas com competências que não existem em quantidade suficiente.

Pagar mais é uma solução que José Gonçalves admite que tenha de vir a acontecer, mas em contrapartida é preciso ampliar o mercado de atuação. “Acho excelente que se pague mais às pessoas, mas o desafio é que o mercado seja global. Não é compatível querermos ser digitais e não exportarmos para o mundo,” defendeu o diretor-geral da Accenture em Portugal.

Já Isabel Furtado antecipa que a guerra de contratação de engenheiros vai levar ao “aumento brutal do preço de mão de obra” nesta profissão e não de outras, o que deverá “causar desigualdades”. No painel moderado por Pedro Oliveira, diretor da EXAME Informática, a presidente da COTEC Portugal referiu ainda a existência de falta de alinhamento entre oferta académica e a necessidade da indústria, a que se junta a falta de motivação e de oferta das universidades e politécnicos para engenharia.

“Não é verdade que haja falta de oferta nos politécnicos e nas universidades. Há muita oferta, há muitos cursos que ficam sem candidatos. Não há é candidatos para preencher,” contrapôs Arlindo Oliveira, que referiu que as últimas estatísticas dão conta de 15 a 20 mil posições por preencher nas áreas das tecnologias de informação e comunicação.

Nesta guerra pelo talento, Maria Miguel Ferreira destacou que há empresas portuguesas a fazerem uma abordagem ao mercado global, com a captação de mão de obra no estrangeiro, nomeadamente no Brasil. “As empresas de base digital e tecnológica têm tido estratégia inteligente em captar talentos,” sustentou a head of open innovation at CEiiA.

Por cá, definiu, José Gonçalves, o desafio é desde logo conseguir reter os alunos estrangeiros que vêm estudar para Portugal, o que “implica que haja projetos tecnológicos interessantes”. Espaço para isso não deverá faltar, com todas as áreas económicas a serem impactadas pela digitalização. O estudo de index de densidade digital em Portugal da Accenture, citado pelo responsável, estima que se o País “atacar de frente” esta transformação, pode duplicar o crescimento do PIB.