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Banco de Portugal espera grande travagem do investimento

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Luís Barra

A previsão de crescimento não mudou muito, mas o Banco de Portugal mudou a sua visão sobre como a economia lá irá chegar. O investimento e as exportações vão crescer menos, enquanto o consumo privado deverá avançar mais rápido. O objetivo de défice deste ano é “exequível”.

Nuno Aguiar

Nuno Aguiar

Jornalista

No Boletim Económico, o Banco de Portugal revê em baixa a sua previsão de crescimento do investimento e das exportações, ao mesmo tempo que revê em alta a evolução do consumo privado. Tudo somado, a economia deverá crescer 2,3%, o mesmo valor esperado pelo Governo.

O produto interno bruto (PIB) aumentou 2,3% no primeiro semestre de 2018 e deverá crescer 2,2% na segunda metade do ano. Para o conjunto do ano de 2018, projeta-se um aumento do PIB de 2,3%, inferior em 0,5 pontos percentuais (pp) ao registado em 2017, mas 0,3 pp acima do crescimento estimado pelo Banco Central Europeu para a área do euro, prosseguindo, assim, o processo, muito gradual, de convergência real da economia portuguesa com a área do euro”, pode ler-se no documento, publicado esta manhã.

“O crescimento das exportações e o crescimento da formação bruta de capital fixo são revistos em baixa; em contrapartida, o aumento do consumo privado deverá ser superior ao antecipado em junho”, acrescenta o BdP.

A revisão mais significativa ocorre no investimento. Depois de ter aumentado mais de 9% no ano passado, a previsão para este ano estava em 5,8%, tendo agora sido revista em baixa para 3,9%. Uma pressão que pode estar a ser influenciada pela incerteza internacional e perda de ímpeto da conjuntura externa.

Menos investimento significa também menos importações, uma vez que muitas das componentes são compradas ao exterior. Isso faz com que um menor dinamismo do investimento seja menos penalizador para o PIB (o crescimento das importações é revisto de 5,7% para 5,1%). Quanto à venda de bens e serviços ao exterior, o BdP está também menos otimista, esperando o crescimento de 5%, em vez dos 5,5% anteriores. Ainda assim, o turismo e a indústria automóvel deverão continuar a ganhar quota de mercado.

O que “salva o dia” do crescimento é o consumo das famílias, cujo crescimento está agora estimado em 2,4% face aos 2,2% anteriores, devido a um maior dinamismo do emprego e dos salários, ao mesmo tempo que as taxas de poupança permanecem muito baixas.

O Banco de Portugal prevê agora que a taxa de desemprego média em 2018 fique nos 7% e que o emprego avance 2,3% face a 2017.

Meta de défice é “exequível”

No que diz respeito às contas públicas, o banco central continua a classificar como “exequível” o objetivo de défice para este ano, fixado pelo Governo em 0,7% do PIB, ainda que ele não esteja “isento de riscos”.

“Importa destacar alguns fatores que exercem uma pressão ascendente na despesa do segundo semestre, tais como o diferente perfil de pagamento do subsídio de Natal, o efeito gradual do descongelamento de carreiras dos funcionários públicos e o aumento extraordinário das pensões em agosto de 2018”, refere o BdP. “Adicionalmente, subsiste alguma incerteza relativamente à evolução de algumas rubricas da receita fiscal e não fiscal. Relativamente a esta última é de referir a recuperação do valor remanescente da garantia concedida pelo Estado e executada aquando da resolução do Banco Privado Português, incluída na estimativa anual, e que pode não ser conseguida integralmente em 2018.”

Também hoje, o Conselho das Finanças Públicas veio mostrar-se um pouco mais otimista, mantendo a sua previsão para o défice de 0,5% do PIB.