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Primeira oferta de criptomoeda a partir de Portugal atinge menos de 10% do objetivo

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Dos 400 ethereum que a Bityond esperava obter com a emissão de tokens, apenas 38 foram arrecadadas: menos de 7.000 euros. Fundador da empresa diz que ICO não é fundamental para o negócio e que a Bityond tem dinheiro em caixa até 2020.

A oferta inicial de criptomoeda (ICO) levada a cabo pela Bityond, a primeira feita a partir de Portugal, ficou distante de atingir o objetivo de financiamento, numa operação marcada pela desvalorização recente das principais criptomoedas no mercado internacional.

Na oferta, que terminou no passado sábado, 15 de setembro, a empresa gestora de uma plataforma online de recrutamento obteve menos de 10% do valor pretendido. Dos 400 ethereum (criptomoeda que vale hoje 211,52 dólares) pretendidos, os 18 investidores que participaram na operação aplicaram um total de 38 ethereum.

Contas feitas aos valores atuais, a operação saldou-se em cerca de 8 mil dólares ou 6,8 mil euros. No momento do lançamento – 15 de maio –, em que a ethereum valia três vezes mais, o objetivo de financiamento decorrente das 400 ethereum atingia 227,6 mil euros.

Para Pedro Febrero, fundador da Bityond, o facto de a emissão ter coincidido com um período em que a capitalização das criptomoedas se deteriorou em 50% (de 15 de maio a 15 de setembro) penalizou o resultado final. “Teve bastante efeito. Se fosse em 2017 o ICO [initial coin offering] teria resultados muito melhores. Houve uma quebra de mercado. Embora seja uma altura para investir, é quando as pessoas têm receio e investem menos. (...) Já estava um bocadinho à espera que acontecesse,” justificou.

Já em julho a baixa procura tinha levado a empresa a prolongar a oferta por mais dois meses - até 15 de setembro -, tendo sido investidos até àquela data 19 ethereum.

O objetivo do ICO era financiar o desenvolvimento das versões 2.0 e 3.0 da Bityond, plataforma que propõe a candidatos e empregadores encontrar o perfil certo de colaborador para cada função pretendida, com novas contratações e esforços de marketing que agora ficarão limitados. O facto de não ter conseguido levantar o valor pretendido não compromete, segundo Pedro Febrero, a atividade da plataforma, que conta com quase três mil utilizadores e tem fundo de maneio suficiente para funcionar até 2020. “O ICO não é fundamental para o negócio. Não estou muito preocupado, a plataforma está a ser construída.”

Correspondentemente ao financiamento, dos 40 milhões de tokens (unidades emitidas nas ofertas iniciais de criptomoeda ) que deveriam ser emitidos também apenas foram criados 3,8 milhões. Estes tokens começam a negociar, em princípio, na próxima sexta-feira, na primeira plataforma de troca de criptomoedas de Angola, a Angobit, criada recentemente. Aos 3,8 milhões de tokens emitidos, há a juntar 50 milhões de tokens reservados para distribuição aos utilizadores da plataforma, e 10 milhões alocados à equipa, o que eleva para 63,8 milhões de tokens a oferta total da Bityond.

“Se tivesse obtido o investimento total [pretendido], ficaria mais contente. Mas conheci neste processo pessoas que me interessam, novos contactos, tive acesso a um network de pessoas que trabalham neste meio,” acrescenta Pedro Febrero, que afasta a possibilidade de lançar uma nova operação do género na empresa.

Em maio passado a CMVM comunicou ao mercado que os tokens envolvidos na oferta de criptomoeda da Bityond não eram considerados um valor mobiliário, pelo que os instrumentos emitidos por aquela entidade “estão fora do perímetro de supervisão da CMVM.” Mas salvaguardou mais tarde que há outros casos em que podem ser considerados valores mobiliários e estar por isso sujeitos ao respetivo regime jurídico, incluindo em alguns casos a necessidade de apresentação de prospeto da oferta.

Entretanto, em junho, a DECO tinha aconselhado a não investir na compra de tokens, já que estes não dão qualquer direito a recebimento da empresa ou a voto sobre a gestão.