Rui Couceiro

Editor
Nasceu no Porto, em 1984. é licenciado em Comunicação Social, mestre em Ciências da Comunicação e tem uma pós-graduação em Estudos Culturais. Antes de ingressar no meio editorial, como assessor de comunicação da Porto Editora, em 2006, trabalhou durante oito anos em rádio, passou pela imprensa e pela televisão. Recentemente, partilhou com a escritora Filipa Martins a autoria e apresentação do programa "A Biblioteca de", na Renascença. É editor da Bertrand, tendo a seu cargo a chancela Contraponto, e também coordenador cultural da Porto Editora. Para além de livros, gosta de casas, de árvores e de rios.
Os Dias Que Ficam

Tadeu, o Rapaz Foguete

Jurava que haveria de levá-la à lua, mesmo sem saber o que tal promessa poderia significar fora do seu universo povoado por Gagarins, Shepards, Armstrongs e outros cosmonautas e astronautas, a maioria deles obscuros para o comum cidadão, mas não para ele, Tadeu, o rapaz-foguete de Nagozelo do Douro

Rui Couceiro
Saramago: Nobel "doido por mulheres" em nova biografia
Opinião

Lembrar Saramago e os Deveres Humanos

Naquele dia 10 de dezembro de 1998, assinalavam-se também exatos cinquenta anos sobre a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e muito se comemorava a efeméride, mas José Saramago fez questão de sabiamente lembrar que "a atenção se cansa quando as circunstâncias lhe pedem que se ocupe de assuntos sérios"

Rui Couceiro
Os Dias Que Ficam

Cacilda e Abílio

Diz-se que, até meados dos anos noventa, vinha gente de todo o lado para experimentar a feitiçaria oral da Cacilda. O meu tio, que há dias visitei no lar dos Guindais, e que não fossem as artroses estaria ainda a servir finos, tintos e favaios, diz que apareciam até chineses e americanos

Rui Couceiro
Opinião

Os braços cheios de saudades de abraçar “Os Amigos do Gaspar”

Através de uma breve análise de conteúdo do único caso que conheço, e que conta já com alguns encontros realizados, apercebi-me de que, agora que já podemos sair à rua e encontrar pessoas, o que mais falta nos vai fazer é aquilo que os nossos braços já choram desde que nos fechámos em casa: a falta de abraços

Rui Couceiro
Os Dias Que Ficam

O Faroleiro da Ilha de Pérvio Parálio

Não sei se foi maior surpresa saber da existência da ilha ou de que nela vivia alguém. O faroleiro mora num sítio tão pequeno e despovoado e ainda assim não há carta que me escreva – e é a cada mês que há quase três anos nos correspondemos – em que não se mostre irritado com alguém

Rui Couceiro
Opinião

Em português soa muito melhor

Diziam-nos que o português não era orelhudo, por isso escrevemos uma em inglês e eu também a recordo ainda. Não soava mal (também não soava bem), pelo que rapidamente tomámos uma decisão. Mas já lá irei

Rui Couceiro
Os Dias Que Ficam

Sra. D. Maria Laudecena Farta de Carnes

É gente de índole cabotina a que se dedica àquela boataria reles das pedras roubadas e, imagine-se, a aspergir pelas goelas imundas que ela, uma senhora da sua condição, vive há décadas amantizada com o tendeiro

Rui Couceiro
Os Dias Que Ficam

O Lugar Sem Nome do Doutor Adalberto

Renunciando a todo o nada que lhe sobrava, ali se isolou o doutor Adalberto depois da fatalidade. Continua a escrever histórias para os netos e, a troco de pacotes de leite ou arroz, a dar consultas de Casualidade, esperando o acaso e que este o faça reencontrar a família depois de partir

Rui Couceiro
Nobel da Literatura: saiba quem foi o galardoado no ano em que nasceu
Opinião

Os nossos livros

A biblioteca de cada um é um conjunto de lugares simbólicos, insubstituíveis; é um espaço sagrado que nos alicerça e conforta, ao qual queremos sentir que podemos voltar sempre que quisermos ou entendermos necessário; o lugar mais valioso na casa de cada um, mesmo que confinada a uma estantezeca com ar caduco

Rui Couceiro
Os Dias Que Ficam

A felicidade está na Suíça e na clandestinidade

A D. Elvira também não sabe que eu sei que ela atua diariamente na clandestinidade. Quando acaba o noticiário da hora de almoço, e já comido o cozinhado que inicia às onze e meia em ponto, sai de casa com uma discrição que não escapa ao meu ouvido e desliza até ao café

Rui Couceiro
Opinião

Os escritores morrem menos, mas quando morrem queremos ser todos avestruzes – as mortes de Rubem Fonseca e Luis Sepúlveda

Não morrem com menos frequência do que todas as outras pessoas, claro está. Mas é facto também que a morte de que morrem, sendo igual na sua natureza, isto é, sendo provocada por enfarte, cancro, acidente de viação ou por um vírus malfazejo, não o é na sua efetividade

Rui Couceiro
Os Dias Que Ficam

A primeira coisa a fazer

E o Tozé, para quem a cortesia não é coisa de somenos, devolveu o gesto, juntando as mãos em frente ao peito e eu, parvamente olvidando que a TV da aldeia é a mesma da cidade, fiquei a perguntar-me onde teria ele aprendido aquilo

Rui Couceiro