Rui Couceiro

Editor
Nasceu no Porto, em 1984. é licenciado em Comunicação Social, mestre em Ciências da Comunicação e tem uma pós-graduação em Estudos Culturais. Antes de ingressar no meio editorial, como assessor de comunicação da Porto Editora, em 2006, trabalhou durante oito anos em rádio, passou pela imprensa e pela televisão. Recentemente, partilhou com a escritora Filipa Martins a autoria e apresentação do programa "A Biblioteca de", na Renascença. É editor da Bertrand, tendo a seu cargo a chancela Contraponto, e também coordenador cultural da Porto Editora. Para além de livros, gosta de casas, de árvores e de rios.
Opinião

Nós por cá sabemos fazer. Mas façamos

Se fomos nós a criar a língua, passe a simplificação, também deveríamos ser os seus principais curadores – no sentido original, do latim «curāre», que significa tratar, cuidar de, responsabilizar-se por – e por isso capazes de erguer uma grande casa que a dignificasse e onde fosse possível apreciá-la, entendê-la melhor e bendizê-la na justa medida

Opinião

Da adição aos ecrãs às aulas de poesia

Os futuros médicos vão poder escolher uma nova cadeira: "Introdução à Poesia", lecionada pelo poeta e também médico João Luís Barreto Guimarães

Opinião

Leitor, uma espécie em vias de extinção

Nos países ocidentais, porque as crianças de 2 anos passam em média 3 horas em frente a ecrãs, as que têm idades entre os 8 e os 12 anos perto de 5 horas e os jovens entre os 13 e os 18 quase 7 horas por dia, as gerações que estamos a educar – constituídas pelos chamados «nativos digitais» – vão ser as primeiras nas décadas recentes a ter valores de QI inferiores ao dos pais

Opinião

Resgatar leitores perdidos

Muitos dos portugueses que hoje não leem já foram leitores, pelo que o grande desafio que enfrentamos, bem maior do que tentar mostrar aos que nunca leram que há livros ótimos para eles, é o de resgatar leitores perdidos

Os Dias Que Ficam

Cidade a Banhos: as Histórias do Rio

A cidade inteira acorria àquelas águas mansas, para nelas se expurgar da tensão, do bulício e de outras pragas que lhe são próprias. Não seria exatamente a cidade inteira, mas por ali se via toda a sorte de gente, não se pense que aquele era um hábito da indigência

Opinião

Investir nos livros e na leitura

Ver livros, lidar com livros, percepcionar valor nos livros – raros e felizes aqueles que se fazem leitores sem o incentivo calado que constitui crescer com livros em casa ou a ver os pais a lerem – produz resultados. Porque um país que não lê não pode aspirar a muita coisa

Os Dias Que Ficam

Tadeu, o Rapaz Foguete

Jurava que haveria de levá-la à lua, mesmo sem saber o que tal promessa poderia significar fora do seu universo povoado por Gagarins, Shepards, Armstrongs e outros cosmonautas e astronautas, a maioria deles obscuros para o comum cidadão, mas não para ele, Tadeu, o rapaz-foguete de Nagozelo do Douro

Saramago: Nobel "doido por mulheres" em nova biografia
Opinião

Lembrar Saramago e os Deveres Humanos

Naquele dia 10 de dezembro de 1998, assinalavam-se também exatos cinquenta anos sobre a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e muito se comemorava a efeméride, mas José Saramago fez questão de sabiamente lembrar que "a atenção se cansa quando as circunstâncias lhe pedem que se ocupe de assuntos sérios"

Os Dias Que Ficam

Cacilda e Abílio

Diz-se que, até meados dos anos noventa, vinha gente de todo o lado para experimentar a feitiçaria oral da Cacilda. O meu tio, que há dias visitei no lar dos Guindais, e que não fossem as artroses estaria ainda a servir finos, tintos e favaios, diz que apareciam até chineses e americanos

Opinião

Os braços cheios de saudades de abraçar “Os Amigos do Gaspar”

Através de uma breve análise de conteúdo do único caso que conheço, e que conta já com alguns encontros realizados, apercebi-me de que, agora que já podemos sair à rua e encontrar pessoas, o que mais falta nos vai fazer é aquilo que os nossos braços já choram desde que nos fechámos em casa: a falta de abraços

Os Dias Que Ficam

O Faroleiro da Ilha de Pérvio Parálio

Não sei se foi maior surpresa saber da existência da ilha ou de que nela vivia alguém. O faroleiro mora num sítio tão pequeno e despovoado e ainda assim não há carta que me escreva – e é a cada mês que há quase três anos nos correspondemos – em que não se mostre irritado com alguém

Opinião

Em português soa muito melhor

Diziam-nos que o português não era orelhudo, por isso escrevemos uma em inglês e eu também a recordo ainda. Não soava mal (também não soava bem), pelo que rapidamente tomámos uma decisão. Mas já lá irei

Os Dias Que Ficam

Sra. D. Maria Laudecena Farta de Carnes

É gente de índole cabotina a que se dedica àquela boataria reles das pedras roubadas e, imagine-se, a aspergir pelas goelas imundas que ela, uma senhora da sua condição, vive há décadas amantizada com o tendeiro

Os Dias Que Ficam

O Lugar Sem Nome do Doutor Adalberto

Renunciando a todo o nada que lhe sobrava, ali se isolou o doutor Adalberto depois da fatalidade. Continua a escrever histórias para os netos e, a troco de pacotes de leite ou arroz, a dar consultas de Casualidade, esperando o acaso e que este o faça reencontrar a família depois de partir

Nobel da Literatura: saiba quem foi o galardoado no ano em que nasceu
Opinião

Os nossos livros

A biblioteca de cada um é um conjunto de lugares simbólicos, insubstituíveis; é um espaço sagrado que nos alicerça e conforta, ao qual queremos sentir que podemos voltar sempre que quisermos ou entendermos necessário; o lugar mais valioso na casa de cada um, mesmo que confinada a uma estantezeca com ar caduco

Os Dias Que Ficam

A felicidade está na Suíça e na clandestinidade

A D. Elvira também não sabe que eu sei que ela atua diariamente na clandestinidade. Quando acaba o noticiário da hora de almoço, e já comido o cozinhado que inicia às onze e meia em ponto, sai de casa com uma discrição que não escapa ao meu ouvido e desliza até ao café

Opinião

Os escritores morrem menos, mas quando morrem queremos ser todos avestruzes – as mortes de Rubem Fonseca e Luis Sepúlveda

Não morrem com menos frequência do que todas as outras pessoas, claro está. Mas é facto também que a morte de que morrem, sendo igual na sua natureza, isto é, sendo provocada por enfarte, cancro, acidente de viação ou por um vírus malfazejo, não o é na sua efetividade

Os Dias Que Ficam

A primeira coisa a fazer

E o Tozé, para quem a cortesia não é coisa de somenos, devolveu o gesto, juntando as mãos em frente ao peito e eu, parvamente olvidando que a TV da aldeia é a mesma da cidade, fiquei a perguntar-me onde teria ele aprendido aquilo