Mariana Palavra

Mariana Palavra

Beira, MOÇAMBIQUE - Mariana Palavra nasceu em 1978 junto ao mar, em Ovar. Cedo sonhou ser estrangeira. Migrou primeiro para Coimbra para estudar jornalismo. Depois de uma passagem tímida por algumas redacções em Portugal, aterrou em Macau em 2002 para trabalhar na televisão local. Do Oriente para as Caraíbas em 2009. Um ano na rádio da ONU no Haiti (e um terramoto) depois, trocou o jornalismo pelo trabalho humanitário. Desde então já passou pelo Nepal (e por mais um terremoto), pelo Myanmar, por Angola e vive agora em Moçambique.
Nós Lá Fora

Dez anos depois do terramoto do Haiti. Como se fosse ontem

Há dez anos, um dia depois do terramoto no Haiti, escrevi uma carta aos amigos sobre aquele dia 12 de janeiro. Um texto, sem acentos nem tento, que viria a ser publicado no dia seguinte sem eu mesmo saber. Seguiram-se outros, desta vez propositadamente partilhados num blogue, sobre os dias e semanas seguintes. 10 anos depois, excertos de alguns desses momentos, já repostos de acentos, mas ainda com pouco senso

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A Ovarense na Beira (Obrigad@, Castigo)

Beira, Moçambique - Castigo teima em não carregar o destino no nome. Aos 27 anos, encontro-o sentado debaixo de um sol sem tréguas, a consertar com minúcia as rodas da cadeira. Há uns oito meses, teria a sombra da palmeira a bater no telhado de zinco e na frente da casa arrendada

Mariana Palavra
"Se te achas muito pequena para fazer a diferença, tenta dormir com um mosquito"
Nós Lá Fora

"Se te achas muito pequena para fazer a diferença, tenta dormir com um mosquito"

Beira, Moçambique - Depois do teste positivo, não pude evitar pensar com um sorriso nos lábios sobre um ditado que tenho lido gravado nos souvenirs à venda nos aeroportos desta zona do mundo: “Se te achas muito pequena para fazer a diferença, tenta dormir com um mosquito.” Pior, tenta que ele te infecte com malária

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Contagem crescente

BEIRA, MOÇAMBIQUE - Ela já não tem mais tempo para se perder nas memórias. Olha para o relógio, não almoçou, algo normal desde que aqui chegou, e lembra-se que tem que ir correr para outro bairro para encontrar-se com um grupo de jovens que têm feito mobilização porta-a-porta, na luta contra o surto de cólera

Mariana Palavra
Te gosto bué
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Te gosto bué

LUANDA, ANGOLA - Bem sei que nem sempre fui do teu agrado. Sem papas na língua, com protestos de como tratas as mulheres, tantas e nem sempre de cada vez, ou os filhos que teimas em ter e nem sempre cuidar. E a dança, omnipresente, também foi cena que tive que passar no teu teste

Mariana Palavra
Por essas lavras fora
Nós Lá Fora

Por essas lavras fora

LUANDA, ANGOLA - Joaquina não se queixa. Mas não consegue aguentar tudo. E o tudo é muito. Por vezes, descarrega nos filhos. Bate, grita, perde a cabeça. Apesar de não acreditar que o castigo corporal garanta uma boa educação das crianças. Fá-lo, “por causa dos nervos”, “por não conhecer outra maneira de os fazer calar e parar”, por não saber o que mais fazer.

Mariana Palavra
O mundo tremeu no Haiti há nove anos
Nós Lá Fora

O mundo tremeu no Haiti há nove anos

A 12 de Janeiro de 2010, um terramoto de 7.0 na escala de Ritcher abalou o Haiti, destruindo sobretudo a capital, Porto Príncipe. Estima-se que cerca de 300,000 pessoas tenham morrido. 102 trabalhavam para as Nações Unidas. Eu Sobrevivi. O texto que se segue foi escrito nessa altura.

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Faltam seis meses para eu bazar de Angola
Nós Lá Fora

Faltam seis meses para eu bazar de Angola

LUANDA, ANGOLA - Como dizer aos meus kambas, que não é pessoal, que vou sentir saudades, que fazem as cores dos meus dias aqui em Angola mas o mundo está pior lá fora e não consigo não lá ir?

Mariana Palavra
Primos-irmãos e outras cenas de família
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Primos-irmãos e outras cenas de família

LUANDA, ANGOLA - Relato de um sábado banal de Cacuaco, homem de família, ou de várias, com mais irmãos que as mães que passam em revista os principais temas da actualidade à volta de um bom pitéu e de uma Cuca bem gelada

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Feitiços e outros mambos*
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Feitiços e outros mambos*

ANGOLA - Velhinhos acusados de matar netos; balas que trespassam corpos sem deixar marcas nem morte; envenenamentos indiscriminados. Histórias do arco da velha que são parte da magia de Angola. Todos os nomes deste texto são falsos. Não vá o Diabo tecê-las.

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As minhas Rainhas de Angola
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As minhas Rainhas de Angola

LUANDA, ANGOLA - Um texto às minhas rainhas de Angola. Mentes pequenas dirão (e disseram) que são mulheres com força de homem. Enganam-se. São mulheres. Sem medo. Que fazem das tripas coração. Ponto.

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Anita em Moçambique
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Anita em Moçambique

BEIRA, MOÇAMBIQUE - Maria e Manuel perderam-se de amores sob o calor da cidade da Beira, Moçambique. Uma piadinha do destino, já que não era preciso terem viajado para tão longe. Ambos tinham nascido a uns 700 metros de distância, na mesma vila à beira do mar: Ovar.

Mariana Palavra
Diarreia em tempo de Cólera
Nós Lá Fora

Diarreia em tempo de Cólera

UIGE, ANGOLA., Histórias que metem cólera, mulheres maltratadas, humanitários e outros cocós.

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Gosto tanto de grão-de-bico, mãe-grande!
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Gosto tanto de grão-de-bico, mãe-grande!

NAGOYA, JAPÃO - As histórias perdidas dos rapazes da minha rua que, na verdade, são uns rapazões que lavam carros, controlam estacionamentos, engraxam sapatos, fazem quase tudo para ganhar uns trocos e sobreviver na marginal de Luanda.

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Estão a matar os Rohingya e a culpa também é minha
Nós Lá Fora

Estão a matar os Rohingya e a culpa também é minha

YANGON, MYANMAR - Durante os dois anos que vivi em Myanmar, nunca pronunciei a palavra proibida. O máximo que a autocensura se atrevia a dizer era “the R people” [o povo R]. E mesmo este “atrevimento” só em surdina e com pessoas de confiança

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Verdes são os campos da cor do mamão
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Verdes são os campos da cor do mamão

Seis horas de viagem, entre curva e contracurva, cobertas por um céu cinzento que, de tanto ameaçar, lá foi cumprindo com algumas chuvas, próprias da época. O cenário, de tão verde, nem chega a enjoar (muito).

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Até que a paz nos separe
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Até que a paz nos separe

LUANDA, ANGOLA - A história de duas vidas separadas por uma fronteira, que ao longo dos anos foram escapando aos conflitos que decorriam por ali próximo. Até que a guerra os empurrou e (n)os juntou do lado da paz.

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Querido Litos
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Querido Litos

Quarenta e cinco (45) anos separam tio e sobrinha em Angola. Ele veio para uma guerra alheia e descobriu o amor à rádio, que depois abandonou para nunca mais voltar. Ela, que também já passou pelas rádios, chegou recentemente a Angola, mas já não veio a tempo de lhe contar o que hoje vê. Esta é a primeira de muitas cartas que nunca lhe escreverá.

Mariana Palavra
A sul, no paraíso
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A sul, no paraíso

Yangon, Myanmar - Um mar de ilhas desertas, um céu azul, e uma semana a bordo de um barco. A despedida de dois anos de vida na Birmânia. As imagens e as notas de viagem ao arquipélago Mergui, a sul do país, no (ainda) paraíso .

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Descansa em paz meu anjo
Nós Lá Fora

Descansa em paz meu anjo

YANGON, MYANMAR: De Myanmar a Angola. Como se fazem mais de 9 mil km, como se muda de continente, de hemisfério, e sentir que ainda estamos em casa, que pouco ou nada (infelizmente) mudou. Que pouco ou nada me mudou

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Pouca terra, po-pou-pou-ca terr-terrra
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Pouca terra, po-pou-pou-ca terr-terrra

Onze horas de comboio acompanhadas de bichinhos invisíveis que picam nos cotovelos, enjoos, bancos de pau na classe económica e revestidos a alcatifa na “primeira classe”. Tanta história para um percurso de pouco mais de 200 kms que, em carro, se pode fazer em cinco horas.

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