Henrique Costa Santos

Produtor cultural

Henrique Costa Santos, gestor, produtor e programador cultural em organizações como Boom Festival, Festival Todos e FOLIO. Formado em Lisboa, Londres, Bruxelas e Florianópolis, viveu em quatro continentes em quatro anos. Criou a Safari Produções, que concilia as artes e uma vocação ambiental. Estudou jazz no Hot Clube e flauta transversal no Conservatório de Música de Cascais. Fez a quarta classe com a Professora Hermínia. No presente, prepara uma tese de mestrado em Gestão Cultural no ISCTE. 

Crónicas d.C.

Efeitos secundários

Para surpresa de quem lá se sentou, começou a ouvir-se um trompete a aquecer. Era o Quinteto de Metais da Sociedade Recreativa da Malveira da Serra, que entrava para animar a espera e acalmar os ânimos dos recém-vacinados. De sopros em riste, os próprios músicos anunciaram estar a matar saudades de estar em palco. Maravilhoso. Ninguém desmaiou, claro está, e se alguém desfaleceu foi ao estilo das fãs dos Beatles, nos anos 60

Crónicas d.C.

Verão morno

Há restrições aleatórias à luz das circunstâncias. Se os certificados e testes garantem segurança em hotéis e restaurantes, que sentido faz continuarem a ter de fechar às 22h30? Se quem lá entra testou negativo ou está vacinado, o que justifica manter-se esta restrição com tanto impacto no livre consumo, na recuperação do setor, no bem-estar da população, no direito às férias? Mais: porque só se exigem testes ao fim-de-semana?

Crónicas d.C.

Não há vacina para esta crise

Já aqui escrevi e repito: as alterações climáticas não são assunto para bons samaritanos. Não são uma questão de consciência, mas de sobrevivência

Crónicas d.C.

Um astro precário

Nuno Peixinho brilhou o suficiente para batizar um asteroide. Notável, mas é infelizmente um em milhares de cientistas nacionais reconhecidos pelo estrangeiro, destratados no seu país

Crónicas d.C.

De pé atrás

Num momento histórico em que a confiança na ciência, na política, mas também no vizinho, se tem mostrado essencial, é de garantir que saímos desta crise mais conscientes e cooperantes, isto é: mais desconfinados e menos desconfiados. Os portugueses são um povo desconfiado?

Crónicas d.C.

Estar ou não estar

Em muitos casos, estar tem de ser estar. Por enquanto, ainda é difícil servir um jantar à distância, ou erguer uma ponte remotamente. Há encontros e contactos que têm de ser olhos nos olhos. Já nas tarefas que o possibilitem, o caminho terá de ser desenhado caso a caso

Crónicas d.C.

Pedrada nos charcos

Enquanto a inteligência e a liderança, de todos e cada um, se revela essencial neste pequeno vislumbre de normalidade, exige-se uma reflexão sobre o futuro pós-Covid, um sumário das lições da peste, onde o mínimo é tentar garantir que o triste fado não se repete

Crónicas d.C.

Economia YOLO

Deixando os futuros passos da pandemia para os videntes qualificados, é tempo de olhar para uma “nova tendência”, trazida pela pandemia e soprada aos quatro ventos: a YOLO Economy

Crónicas d.C.

E abolir a escravatura?

O litoral alentejano não é idílico para todos. A Polícia Judiciária tem investigações em curso há anos por suspeitas de escravatura, tráfico de seres humanos e auxílio à imigração neste nosso paraíso-de-alguns. A investigação decorre sobre empresas intermediárias que recrutam trabalhadores estrangeiros, principalmente do Bangladesh, da Tailândia e do Nepal

Crónicas d.C.

Falsa autoridade

Como os especialistas não têm, geralmente, tempo para se dedicar à otimização do seu Instagram ou canal de Youtube, e existe uma cultura de ponderação e discrição associada ao estudo, vemos frequentemente ecoar na opinião pública as teses de quem não tem habilitações para as expor

Crónicas d.C.

Coragem hoje, abraços amanhã

Depois de, há um ano, em confinamento geral, não ter havido manifestação, neste domingo, milhares de pessoas saíram à rua, com as distâncias possíveis, para dar vivas à liberdade. Estive na Avenida da Liberdade e foi isso que vi: liberdade, consciência, emoção e segurança

Crónicas d.C.

Um pouco de bom Censo

A liberdade dura pouco sem informação, sem reflexão, sem consciência

Crónicas d.C.

Venham mais quatro

Se as restrições tardassem, começaríamos a ter revistas a anunciar “os 10 postigos mais in da cidade de Lisboa”. Hoje, 79 dias de recolher obrigatório passados, Portugal reabre as escolas, as esplanadas, os museus, e rezamos para que este pequeno alívio seja durável. Como é óbvio, só dependerá da inteligência e responsabilidade de todos

Crónicas d.C.

Estamos todos no mesmo porta-contentores

Se, no combate à pandemia, não estamos todos no mesmo barco, estamos todos bloqueados à espera que a maré suba. Estamos todos no mesmo porta-contentores

Crónicas d.C.

Apps do século XIX

As principais reivindicações dos trabalhadores das apps – como o salário mínimo, o regime contributivo ou o gozo de férias – incluem direitos conquistados há mais de 100 anos. Neste plano, não deixa de ser curioso que tantas empresas do universo digital, movidas pela ideia do progresso e do futuro, pareçam não refletir sobre o regresso ao séc. XIX quando se trata de compensar quem trabalha

No reino Portugalix…
Crónicas d.C.

Toda a verdade sobre os 15 milhões

Entre os insultos mais recorrentes nas redes sociais, é comum vermos difundida a teoria da conspiração dos 15 milhões. Continuar a insistir nesta teoria ao fim de um ano, revela uma de duas assombrações: ou quem o faz está empenhado em promover uma teoria da conspiração, consciente do que está a fazer, como o líder do Chega, ou é alguém incapaz de perceber que não é possível comprar uma classe profissional inteira, muito menos com 15 milhões de euros, durante um ano

Crónicas d.C.

Onde estavas no 3 de março?

A pouco e pouco, os jovens voltam a fazer planos, os pais criaram superpoderes e os avós estão a ser vacinados. O futuro é duro de roer, mas estamos prontos. Nós – jovens, pais e avós – nunca pensámos vir a aguentar algo assim, durante tanto tempo

Crónicas d.C.

Deportar pessoas que querem deportar pessoas

O rapper Pablo Hasél foi condenado a nove meses de prisão em Espanha por coisas que disse e 30 mil portugueses querem deportar o ativista Mamadou Ba, por não concordarem com ele. Curiosamente, é a ala política que mais vende o direito ao “politicamente incorreto” quem mais defende a penalização de quem é politicamente incorreto, quando o dito não lhe agrada

Crónicas d.C.

Contra os canhões, raspar, raspar!

Ao fim de 11 meses e diversas gafes da ministra da Cultura - do TV Fest ao drinque de final da tarde -, acenar com uma raspadinha tinha tudo para ser mal aceite

Crónicas d.C.

Achatar os ânimos

A depressão, a ansiedade e o desalento adivinham-se nos rostos à janela, da menina a apanhar ar à avó que estende a roupa. Mas há esperança: até prova em contrário, por mais dores, por mais perdas, somos sobreviventes desta crise

Crónicas d.C.

Game Over

Como disse Henry Ford, se o povo compreendesse o sistema financeiro, “existiria uma revolução ainda antes de amanhã de manhã”. Mais: a avaliar pelo ímpeto do poder para impossibilitar novas investidas, é a prova de que os sistemas que favorecem a elite financeira só se querem “livres” enquanto a favorecem