Henrique Costa Santos

Produtor cultural

Henrique Costa Santos, gestor, produtor e programador cultural em organizações como Boom Festival, Festival Todos e FOLIO. Formado em Lisboa, Londres, Bruxelas e Florianópolis, viveu em quatro continentes em quatro anos. Criou a Safari Produções, que concilia as artes e uma vocação ambiental. Estudou jazz no Hot Clube e flauta transversal no Conservatório de Música de Cascais. Fez a quarta classe com a Professora Hermínia. No presente, prepara uma tese de mestrado em Gestão Cultural no ISCTE. 

Crónicas d.C.

Venham mais quatro

Se as restrições tardassem, começaríamos a ter revistas a anunciar “os 10 postigos mais in da cidade de Lisboa”. Hoje, 79 dias de recolher obrigatório passados, Portugal reabre as escolas, as esplanadas, os museus, e rezamos para que este pequeno alívio seja durável. Como é óbvio, só dependerá da inteligência e responsabilidade de todos

Crónicas d.C.

Estamos todos no mesmo porta-contentores

Se, no combate à pandemia, não estamos todos no mesmo barco, estamos todos bloqueados à espera que a maré suba. Estamos todos no mesmo porta-contentores

Crónicas d.C.

Apps do século XIX

As principais reivindicações dos trabalhadores das apps – como o salário mínimo, o regime contributivo ou o gozo de férias – incluem direitos conquistados há mais de 100 anos. Neste plano, não deixa de ser curioso que tantas empresas do universo digital, movidas pela ideia do progresso e do futuro, pareçam não refletir sobre o regresso ao séc. XIX quando se trata de compensar quem trabalha

No reino Portugalix…
Crónicas d.C.

Toda a verdade sobre os 15 milhões

Entre os insultos mais recorrentes nas redes sociais, é comum vermos difundida a teoria da conspiração dos 15 milhões. Continuar a insistir nesta teoria ao fim de um ano, revela uma de duas assombrações: ou quem o faz está empenhado em promover uma teoria da conspiração, consciente do que está a fazer, como o líder do Chega, ou é alguém incapaz de perceber que não é possível comprar uma classe profissional inteira, muito menos com 15 milhões de euros, durante um ano

Crónicas d.C.

Onde estavas no 3 de março?

A pouco e pouco, os jovens voltam a fazer planos, os pais criaram superpoderes e os avós estão a ser vacinados. O futuro é duro de roer, mas estamos prontos. Nós – jovens, pais e avós – nunca pensámos vir a aguentar algo assim, durante tanto tempo

Crónicas d.C.

Deportar pessoas que querem deportar pessoas

O rapper Pablo Hasél foi condenado a nove meses de prisão em Espanha por coisas que disse e 30 mil portugueses querem deportar o ativista Mamadou Ba, por não concordarem com ele. Curiosamente, é a ala política que mais vende o direito ao “politicamente incorreto” quem mais defende a penalização de quem é politicamente incorreto, quando o dito não lhe agrada

Crónicas d.C.

Contra os canhões, raspar, raspar!

Ao fim de 11 meses e diversas gafes da ministra da Cultura - do TV Fest ao drinque de final da tarde -, acenar com uma raspadinha tinha tudo para ser mal aceite

Crónicas d.C.

Achatar os ânimos

A depressão, a ansiedade e o desalento adivinham-se nos rostos à janela, da menina a apanhar ar à avó que estende a roupa. Mas há esperança: até prova em contrário, por mais dores, por mais perdas, somos sobreviventes desta crise

Crónicas d.C.

Game Over

Como disse Henry Ford, se o povo compreendesse o sistema financeiro, “existiria uma revolução ainda antes de amanhã de manhã”. Mais: a avaliar pelo ímpeto do poder para impossibilitar novas investidas, é a prova de que os sistemas que favorecem a elite financeira só se querem “livres” enquanto a favorecem

Crónicas d.C.

O assobio da democracia

Se é lamentável que os portugueses no estrangeiro tenham visto o seu direito ao voto atrapalhado, como são lamentáveis as dificuldades inéditas a que a pandemia nos sujeitou, votar é honrar, atacar e defender. Entrar na cabine de caneta em riste e marcar o boletim, exercendo o direito ao voto, é participar na mais nobre luta de que há memória: a luta dos nossos avós pela liberdade

Parlamento regressa hoje e Ferro Rodrigues é candidato único a presidente
Crónicas d.C.

A profissão mais antiga do mundo

O exercício político está, modo geral, tão malvisto junto de certas franjas da sociedade, que há novos candidatos cuja estratégia eleitoral é, na base, dizer “eu não sou político” ou “eu sou diferente dos outros políticos”, como se isso fosse necessariamente bom

Crónicas d.C.

O burlão que saiu do frio

De um político do séc. XXI, espera-se, ideologias à parte, que carregue o património civilizacional conquistado ao longo de séculos

Crónicas d.C.

2021 Odisseia no Espaço

Se, por um lado, o tsunami da crise pandémica resistiu ao réveillon, saltando a fronteira anual, entramos em 2021 com bazucas e vacinas para o enfrentar. Que venha ele

Opinião

Gastão Reis. Já cá não está quem mais sorriu

Amado pelos amigos, admirado pelos pares e debaixo de olho dos entusiastas, Gastão Reis compunha, cantava e tocava nos Zarco - uma das bandas mais interessantes e originais da "nova geração" lisboeta. Deixa um rasto de luminescência que ainda agora se começava a notar, numa cidade que não chegou a dar-lhe a devida atenção. A homenagem do produtor cultural Henrique Costa Santos a Gastão Reis, a única vítima mortal do prédio que desabou no último domingo, em Lisboa, depois de uma explosão

O tempo de Natal, uma história e uma sugestão de prenda
Crónicas d.C.

Regresso à Natalidade

No Natal 2020, amar um familiar é não lhe dar um abraço ou um beijo, e não haverá fiscais-de-linha. Está nas mãos de cada um

Crónicas d.C.

Uma ministra também chora

Se o papel dos governantes eleitos é representar o povo, poucos momentos constituem mais um espelho do esgotamento dos portugueses do que esta catarse defronte das câmaras. Mesmo sem o insustentável peso do ser governante numa catástrofe destas, cada português está, de uma maneira ou de outra, à beira de um colapso emocional. E a ministra representou-nos ali, menos como política, mais como pessoa

Crónicas d.C.

Web Summit em tempos de crise

De alguém que é herói de tanta gente, líder espiritual de uma tribo internacional de empreendedores, seria de esperar outro grau de responsabilidade e ética. Não é preciso ser-se formado em economia e negócios para perceber que, neste momento crucial, com Portugal à fome e em dificuldades, cobrar 11 milhões de euros ao erário público faz diferença

A história do "Pai Natal" galês que deixou presentes para os próximos 14 anos a uma bebé de dois anos
Crónicas d.C.

Querido Pai Local

Por muito que a compra de uma velinha para oferecer à tia possa não parecer salvar uma economia, pode. Se cada um de nós for mais consciente nas suas compras, estaremos a oferecer prendas mais únicas e originais, com mais significado, feitas por perto, enquanto estendemos a mão a quem nos conhece pelo nome

Crónicas d.C.

A volta a Portugal em ciclovia

Pedalar é, obviamente, mais exigente para o físico, e isso tanto faz com que os ciclistas não respeitem regras de trânsito, ou as respeitem demais, empatando a vida a toda a gente. Tudo isto se resolve se cada veículo tiver o seu espaço e as suas regras, adaptadas às suas características

Crónicas d.C.

É um confinamento descontente

É cáustico que tanta gente tenha fome, com os restaurantes proibidos de honrar o menu, condenados a fechar. A insustentável fome de quem ficou sem trabalho é proporcional às sobras alimentares dos restaurantes, dos pequenos negócios e dos hotéis, forçados a despedir mais pessoas e a abrir falência

Crónicas d.C.

Trump-19

Quer queiramos, quer não, Donald Trump fez História. Em quatro anos, criou uma nova forma de estar na política, suportada pela raiva e ignorância de um povo perdido, que rapidamente inspirou clones por toda a parte. Mais uma vez, vimos os Estados Unidos da América a ditar tendências – neste caso, as piores