Henrique Costa Santos

Produtor cultural

Henrique Costa Santos, gestor, produtor e programador cultural em organizações como Boom Festival, Festival Todos e FOLIO. Formado em Lisboa, Londres, Bruxelas e Florianópolis, viveu em quatro continentes em quatro anos. Criou a Safari Produções, que concilia as artes e uma vocação ambiental. Estudou jazz no Hot Clube e flauta transversal no Conservatório de Música de Cascais. Fez a quarta classe com a Professora Hermínia. No presente, prepara uma tese de mestrado em Gestão Cultural no ISCTE. 

Crónicas d.C.

O pior cego é o que não quer ler

Ler é apaixonarmo-nos por ideias e imagens que não são nossas, mas passam a ser, elevando-nos em relação ao que éramos

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O drinque nosso de cada dia

Não fosse letal a amargura instalada e isto teria um piadão

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O Papão Invisível

Não deveria ser preciso um pediatra para antecipar o sofrimento dos miúdos fechados à força. “Fica em casa” é, ainda hoje, uma ideia pouco atraente para mim que quase lá não paro, mas quando era criança, seria uma sentença do piorio

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

A Liga Covid

Neste nosso jardim à beira-mar plantado, estamos há quatro meses a abrir noticiários com os números da peste. Quatro meses de conferências de imprensa diárias, a televisão acesa e as Nossas Senhoras de aço, a quem não consigo deixar de admirar o heroísmo, a atirarem-nos com números e dúvidas para cima

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Lei Seca

Qual é a base científica para, por exemplo, proibir a venda de álcool a partir das oito da noite? Haverá uma relação entre comprar a garrafa de vinho antes das 19:59 ou dois minutos mais tarde e a propagação do vírus? Custa-me a crer

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Crise crise bang bang

O equilíbrio é fundamental. Quem acha que a solução é fechar toda a gente em casa indeterminadamente é tão inconsciente quanto quem está a tentar fingir que o vírus não existe

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O jovem expiatório

Agora a culpa é dos jovens. Nós, irresponsáveis, na flor na idade, vivemos rápido como o James Dean, estamo-nos nas tintas para a saúde pública, não queremos saber dos mais velhos, não consideramos os mais frágeis, organizamos festas descontroladas em plena pandemia, dançando egocentricamente enquanto borrifamos o ar de COVID. Se bem se lembram, ainda há dois meses eram os idosos os estarolas da odisseia, teimosos, insuportáveis, apenas porque resistiam ao encarceramento

Henrique Costa Santos
Férias escolares no outono impõem-se na Europa... mas em Portugal não!
Crónicas d.C.

Deseducação para a Cidadania

Portugal figura nos últimos lugares do índice europeu que mede a cidadania activa (Measuring Active Citizenship in Europe). Em suma, somos geralmente dos que menos participam, dos que menos se organizam e dos que menos querem saber. Dói, mas é verdade, pelo menos até deixarmos que seja

Henrique Costa Santos
A escolha e o contexto
Crónicas d.C.

Padre António já se acabou, o São Pedro está-se a acabar

Não se trata de “apagar a história”, mas de a questionarmos. Continua a fazer sentido homenagear um traficante de escravos num jardim público, em 2020? Seja qual for a nossa opinião, esta é uma base de diálogo viável e honesta. É interessante pensar nisto. Na verdade, a interrogação é importante, remexendo a nossa relação com o passado no sentido de construir o presente

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O racismo nunca existiu

“Privilégio branco é ter a certeza de que nenhuma dificuldade enfrentada na sua vida teve a ver com a cor da sua pele”, li algures. Eu, por exemplo, tenho esta certeza. De caras. Assumir que esta diferença é real (e que não é um pormenor) é o primeiro passo na luta pela justiça e não custa nada, garanto

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Avó Maria cheia de graça

A solidão mata. O desespero também, como a ansiedade e a depressão. Há histórias encantadoras de famílias que se aproximaram, de proles negligentes que acordaram para a importância dos mais velhos – um efeito positivo da pandemia - mas não foi sempre assim. Não podemos voltar a ignorar a atenção devida na relação com quem já não tem a nossa idade

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

A desglobalizar é que a gente se entende

Nos últimos meses, os governantes disseram-nos para comprarmos produtos nacionais e ninguém passou fome por isso, ao que parece. Ao que parece. Nada disto é uma resposta absoluta, nem um modelo simplex, mas seria de desejar que cada país e cada região criassem estratégias locais para a mudança global

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O Big Virus está a vigiar-te

Se, para uns, a quarentena foi um ciclo romântico que permitiu aos pais atarefados conhecerem melhor os filhos ou levou casais a experimentar segundas luas de mel – a quarentena Disney - há gente para quem o isolamento não foi um mar de rosas, séries e receitas de pão caseiro, tendo antes ateado fogo a problemas graves

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

A desinformação matou o gato

Em Portugal, ainda o vírus vinha no adro, já circulavam áudios do cunhado de um primo de uma amiga que, reza a lenda, trabalhava no Hospital Santa Maria, ou no Hospital de Santo António, tanto faz, e que tinha verdades inconvenientes para revelar

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O essencial é visível aos olhos

O que aconteceu nos últimos meses é demasiado visível e importante para ser esquecido: há novos meios para equilibrar trabalho e qualidade de vida, há trabalhos fundamentais que merecem respeito e recompensação urgente. Vem aí uma tempestade, já se sabe, mas observar e aprender é o mínimo ao nosso alcance

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Habitação d.C. Regresso à anormalidade?

Não podemos deixar que o impacto económico do sector imobiliário impeça a garantia de um direito constitucional, a preservação das cidades e dos habitantes, que são o seu ADN. A habitação é uma necessidade básica, central, e é urgente que se tomem medidas capazes de a garantir em equilíbrio com um mercado próspero e saudável

Henrique Costa Santos
Quer salvar o planeta? Então, pare de agir como se fossem amigos
Crónicas d.C.

Um novo normal

É irónico que a Humanidade precise de enfrentar uma terrível pandemia para cumprir, involuntariamente, grande parte daquilo para o qual a comunidade científica vem a alertar há décadas: temos de consumir menos, produzir menos e encontrar fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis, ou estamos todos tramados

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Artes e artistas d.C

É essencial frisar o quanto a classe artística se mostra, mesmo em tempo de crise, comprometida com o serviço público e retribuir a comovente generosidade desta que é uma das classes mais afetadas pela pandemia

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Solidariedade e apoio mútuo d. C.

É tempo de observar, antecipar e repensar a realidade d.C (depois de Corona), no sentido de garantir que saímos desta crise para um mundo melhor

Henrique Costa Santos
Há um ponto no Oceano Pacífico tão longe de terra, que os humanos mais próximos são, muitas vezes, astronautas
Crónicas d.C.

Crónicas d. C: O planeta segue dentro de momentos

A Humanidade expõe o que tem de mais nobre em plena crise, mas é, ao mesmo tempo, obrigada a ver as suas mais profundas injustiças à luz do dia, recebendo pistas claras para a reconstrução. É sobre isso que vou refletir ao longo destas crónicas

Henrique Costa Santos