Henrique Costa Santos

Produtor cultural

Henrique Costa Santos, gestor, produtor e programador cultural em organizações como Boom Festival, Festival Todos e FOLIO. Formado em Lisboa, Londres, Bruxelas e Florianópolis, viveu em quatro continentes em quatro anos. Criou a Safari Produções, que concilia as artes e uma vocação ambiental. Estudou jazz no Hot Clube e flauta transversal no Conservatório de Música de Cascais. Fez a quarta classe com a Professora Hermínia. No presente, prepara uma tese de mestrado em Gestão Cultural no ISCTE. 

Opinião

E depois do adeus

Ao fim de meses de peste, o “depois de Corona” chegou. A pandemia não acabou, mas a Era Covid chegou ao fim. Está na altura de virar a página. Nesta última “crónica d.C”, proponho um balanço de como chegámos aqui

Crónicas d.C.

Império do mal

Por muito que custe acreditar, a violência, a polarização da opinião pública, a radicalização política e o declínio da saúde mental à escala mundial são aqui meras consequências do lucro de alguém

Crónicas d.C.

Libertação parcial

Um ano e meio de peste, o espírito empedernido, a economia ligada ao ventilador, a exaustão prolongada à exaustão e, agora, o sucesso estrondoso da vacina, as condições reunidas para a abertura. Abre-te, sésamo. Com cuidado, como dizem as avós mais queridas

Crónicas d.C.

Lar, doce lar?

Que perspetivas há para um país onde um casal de jovens com educação superior e um trabalho a tempo inteiro não consegue encontrar uma casa decente?

Crónicas d.C.

Amigos coloridos

Como milhões de pessoas, estou grato a um punhado de escritores, músicos, comentadores e entertainers que atravessaram a pandemia comigo, sem me conhecerem de lado nenhum

Crónicas d.C.

Negacionismo de curto prazo

Todos os dias estremecemos com a miragem de pessoas à chuva, ensopadas, gritando que não está a chover, que a água não existe, que a pluviosidade é um mito inventado para perturbar cidadãos de bem

Crónicas d.C.

Silly season: Prenúncio do regresso ao normal

Os portugueses metem férias em massa, a esperança assobia, o descanso é possível, os políticos cirandam em chinelos, os jornalistas de máscara no pulso e Portugal mergulha na arte de centrar o ethos mediático naquilo que importa: a queda de Pitágoras, as festas com DJ para vacinação de adolescentes e o luto pela “marquise” de Cristiano Ronaldo

Crónicas d.C.

Pichardo é 17,98% português

Ser “100% português”, expressão que se vulgarizou nas redes sociais, pressupõe uma ideia de nacionalidade total. Considera necessariamente o vislumbre de uma nacionalidade parcial - o que não deixa de ser cómico. Como é que se quantifica a nacionalidade de alguém?

Crónicas d.C.

Efeitos secundários

Para surpresa de quem lá se sentou, começou a ouvir-se um trompete a aquecer. Era o Quinteto de Metais da Sociedade Recreativa da Malveira da Serra, que entrava para animar a espera e acalmar os ânimos dos recém-vacinados. De sopros em riste, os próprios músicos anunciaram estar a matar saudades de estar em palco. Maravilhoso. Ninguém desmaiou, claro está, e se alguém desfaleceu foi ao estilo das fãs dos Beatles, nos anos 60

Crónicas d.C.

Verão morno

Há restrições aleatórias à luz das circunstâncias. Se os certificados e testes garantem segurança em hotéis e restaurantes, que sentido faz continuarem a ter de fechar às 22h30? Se quem lá entra testou negativo ou está vacinado, o que justifica manter-se esta restrição com tanto impacto no livre consumo, na recuperação do setor, no bem-estar da população, no direito às férias? Mais: porque só se exigem testes ao fim-de-semana?

Crónicas d.C.

Não há vacina para esta crise

Já aqui escrevi e repito: as alterações climáticas não são assunto para bons samaritanos. Não são uma questão de consciência, mas de sobrevivência

Crónicas d.C.

Um astro precário

Nuno Peixinho brilhou o suficiente para batizar um asteroide. Notável, mas é infelizmente um em milhares de cientistas nacionais reconhecidos pelo estrangeiro, destratados no seu país

Crónicas d.C.

De pé atrás

Num momento histórico em que a confiança na ciência, na política, mas também no vizinho, se tem mostrado essencial, é de garantir que saímos desta crise mais conscientes e cooperantes, isto é: mais desconfinados e menos desconfiados. Os portugueses são um povo desconfiado?

Crónicas d.C.

Estar ou não estar

Em muitos casos, estar tem de ser estar. Por enquanto, ainda é difícil servir um jantar à distância, ou erguer uma ponte remotamente. Há encontros e contactos que têm de ser olhos nos olhos. Já nas tarefas que o possibilitem, o caminho terá de ser desenhado caso a caso

Crónicas d.C.

Pedrada nos charcos

Enquanto a inteligência e a liderança, de todos e cada um, se revela essencial neste pequeno vislumbre de normalidade, exige-se uma reflexão sobre o futuro pós-Covid, um sumário das lições da peste, onde o mínimo é tentar garantir que o triste fado não se repete

Crónicas d.C.

Economia YOLO

Deixando os futuros passos da pandemia para os videntes qualificados, é tempo de olhar para uma “nova tendência”, trazida pela pandemia e soprada aos quatro ventos: a YOLO Economy

Crónicas d.C.

E abolir a escravatura?

O litoral alentejano não é idílico para todos. A Polícia Judiciária tem investigações em curso há anos por suspeitas de escravatura, tráfico de seres humanos e auxílio à imigração neste nosso paraíso-de-alguns. A investigação decorre sobre empresas intermediárias que recrutam trabalhadores estrangeiros, principalmente do Bangladesh, da Tailândia e do Nepal

Crónicas d.C.

Falsa autoridade

Como os especialistas não têm, geralmente, tempo para se dedicar à otimização do seu Instagram ou canal de Youtube, e existe uma cultura de ponderação e discrição associada ao estudo, vemos frequentemente ecoar na opinião pública as teses de quem não tem habilitações para as expor

Crónicas d.C.

Coragem hoje, abraços amanhã

Depois de, há um ano, em confinamento geral, não ter havido manifestação, neste domingo, milhares de pessoas saíram à rua, com as distâncias possíveis, para dar vivas à liberdade. Estive na Avenida da Liberdade e foi isso que vi: liberdade, consciência, emoção e segurança

Crónicas d.C.

Um pouco de bom Censo

A liberdade dura pouco sem informação, sem reflexão, sem consciência

Crónicas d.C.

Venham mais quatro

Se as restrições tardassem, começaríamos a ter revistas a anunciar “os 10 postigos mais in da cidade de Lisboa”. Hoje, 79 dias de recolher obrigatório passados, Portugal reabre as escolas, as esplanadas, os museus, e rezamos para que este pequeno alívio seja durável. Como é óbvio, só dependerá da inteligência e responsabilidade de todos