Henrique Costa Santos

Produtor cultural

Henrique Costa Santos, gestor, produtor e programador cultural em organizações como Boom Festival, Festival Todos e FOLIO. Formado em Lisboa, Londres, Bruxelas e Florianópolis, viveu em quatro continentes em quatro anos. Criou a Safari Produções, que concilia as artes e uma vocação ambiental. Estudou jazz no Hot Clube e flauta transversal no Conservatório de Música de Cascais. Fez a quarta classe com a Professora Hermínia. No presente, prepara uma tese de mestrado em Gestão Cultural no ISCTE. 

Crónicas d.C.

Teorias da constipação

À distância, pareciam cidadãos contra a utilização obrigatória de máscara, mas logo se decifravam discursos bastante mais exóticos. Ao perto, mãos e mãozinhas seguravam cartões com as palavras “5G”, “maçonaria”, “Bielderberg”, “Opus Dei”, “Illuminati” ou “Bill Gates”, sublinhadas a cores berrantes

Henrique Costa Santos
Stayaway Covid iPhone
Crónicas d.C.

Terra chama Marte

Ditatura, autoritarismo, manipulação, terrorismo: esta semana, ouviu-se de tudo. O governo propôs a obrigatoriedade da aplicação de rastreio à covid-19 em contextos específicos e o país reagiu – com razão. A proposta é inaceitável. O chorrilho de críticas veio de todos os quadrantes políticos, em defesa de um modelo de sociedade livre, incompatível com downloads obrigatórios e fiscalizações

Henrique Costa Santos
As pessoas com depressão dizem mais certas palavras. E não, não são só as que expressam emoções negativas
Crónicas d.C.

Anima-te, filho

Em Portugal, onde a depressão e a ansiedade flagram, e o suicídio é a segunda maior causa de morte dos jovens, a resposta popular para os flagelos mentais continua a ser, tantas vezes, “não sejas tão negativa”, “vai ver o mar, que isso passa” ou, simplesmente, “anima-te, filho”

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Surtos WhatsApp

Se não faz sentido culpar as tecnologias pela crise, é urgente pressionar os governos a agir. No plano individual, quebrar a corrente do mal também é abrir os olhos e verificar informação. Se não devemos acreditar em tudo o que vemos na televisão, não devemos acreditar em nada do que nos chega ao telemóvel

Henrique Costa Santos
Um em 10 doentes oncológicos morre na sequência de problemas cardiovasculares e não de cancro
Crónicas d.C.

Maravilhoso coração

Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa da Cardiologia já alertou: num dia em que morrem 3 pessoas de covid-19, morrem 100 ou mais pessoas de doenças cardiovasculares. É esta a realidade em Portugal. De março a agosto, morreram este ano mais 6000 pessoas do que em 2019, das quais nem sequer um terço pereceu de Covid

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

A de avião, B de banana, C de covid

Os alunos pertencentes ao grupo de risco podem participar nas aulas à distância e as autoridades locais de saúde estarão sincronizadas com as escolas para garantir eficácia. Contrapondo isto com o estado da pandemia – sob controlo há três meses –, e com a urgência de os meninos voltarem à sua vida, de onde vem, afinal, a polémica?

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Já chegámos aos Açores?

O acórdão do Tribunal de Ponta Delgada deixa bem claro que, do ponto de vista jurídico, encerrar pessoas num quarto de hotel não é diferente de as fechar numa cadeia. No mesmo acórdão lê-se inclusive que um preso “tem mais conforto, melhores condições, sem dúvida, maior liberdade de circulação” do que os turistas confinados neste regime. Ou seja, antes ser preso

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Depois mete-se agosto

É um fenómeno engraçado. Em julho, basta ver, já se ouve a deliciosa ressalva tão portuguesa que é o “olhe que isto depois mete-se agosto”, versão dilatada pelo calor do “isto depois mete-se o Natal”, ou seja: no fundo, duas expressões que alertam para um momento estendido em que ninguém poderá contar com nada. Nada - nenhuma estrutura essencial ao funcionamento da sociedade – funciona bem neste mês e isso é aceite como uma espécie de imposição divina

Henrique Costa Santos
Festa do Avante!, não há histórias como estas
Crónicas d.C.

Não há peste como esta!

Como vimos, não há ilegalidade nem injustiça na Festa do Avante. Como também vimos, não há inconsciência nem negligência na Festa do Avante. O que é que resta, para questionarmos a sua realização? Há acusações, no mínimo cómicas, como a de que o Partido Comunista está a dar o peito às balas por dinheiro. Não só é público que a Festa do Avante não dá lucros todos os anos – e, que, em especial este ano é mais provável que não dê, devido ao investimento brutal em segurança e redução da lotação total -, como é preciso não conhecer o festival e o partido que o organiza

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O pior cego é o que não quer ler

Ler é apaixonarmo-nos por ideias e imagens que não são nossas, mas passam a ser, elevando-nos em relação ao que éramos

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O drinque nosso de cada dia

Não fosse letal a amargura instalada e isto teria um piadão

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O Papão Invisível

Não deveria ser preciso um pediatra para antecipar o sofrimento dos miúdos fechados à força. “Fica em casa” é, ainda hoje, uma ideia pouco atraente para mim que quase lá não paro, mas quando era criança, seria uma sentença do piorio

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

A Liga Covid

Neste nosso jardim à beira-mar plantado, estamos há quatro meses a abrir noticiários com os números da peste. Quatro meses de conferências de imprensa diárias, a televisão acesa e as Nossas Senhoras de aço, a quem não consigo deixar de admirar o heroísmo, a atirarem-nos com números e dúvidas para cima

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Lei Seca

Qual é a base científica para, por exemplo, proibir a venda de álcool a partir das oito da noite? Haverá uma relação entre comprar a garrafa de vinho antes das 19:59 ou dois minutos mais tarde e a propagação do vírus? Custa-me a crer

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Crise crise bang bang

O equilíbrio é fundamental. Quem acha que a solução é fechar toda a gente em casa indeterminadamente é tão inconsciente quanto quem está a tentar fingir que o vírus não existe

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O jovem expiatório

Agora a culpa é dos jovens. Nós, irresponsáveis, na flor na idade, vivemos rápido como o James Dean, estamo-nos nas tintas para a saúde pública, não queremos saber dos mais velhos, não consideramos os mais frágeis, organizamos festas descontroladas em plena pandemia, dançando egocentricamente enquanto borrifamos o ar de COVID. Se bem se lembram, ainda há dois meses eram os idosos os estarolas da odisseia, teimosos, insuportáveis, apenas porque resistiam ao encarceramento

Henrique Costa Santos
Férias escolares no outono impõem-se na Europa... mas em Portugal não!
Crónicas d.C.

Deseducação para a Cidadania

Portugal figura nos últimos lugares do índice europeu que mede a cidadania activa (Measuring Active Citizenship in Europe). Em suma, somos geralmente dos que menos participam, dos que menos se organizam e dos que menos querem saber. Dói, mas é verdade, pelo menos até deixarmos que seja

Henrique Costa Santos
A escolha e o contexto
Crónicas d.C.

Padre António já se acabou, o São Pedro está-se a acabar

Não se trata de “apagar a história”, mas de a questionarmos. Continua a fazer sentido homenagear um traficante de escravos num jardim público, em 2020? Seja qual for a nossa opinião, esta é uma base de diálogo viável e honesta. É interessante pensar nisto. Na verdade, a interrogação é importante, remexendo a nossa relação com o passado no sentido de construir o presente

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

O racismo nunca existiu

“Privilégio branco é ter a certeza de que nenhuma dificuldade enfrentada na sua vida teve a ver com a cor da sua pele”, li algures. Eu, por exemplo, tenho esta certeza. De caras. Assumir que esta diferença é real (e que não é um pormenor) é o primeiro passo na luta pela justiça e não custa nada, garanto

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

Avó Maria cheia de graça

A solidão mata. O desespero também, como a ansiedade e a depressão. Há histórias encantadoras de famílias que se aproximaram, de proles negligentes que acordaram para a importância dos mais velhos – um efeito positivo da pandemia - mas não foi sempre assim. Não podemos voltar a ignorar a atenção devida na relação com quem já não tem a nossa idade

Henrique Costa Santos
Crónicas d.C.

A desglobalizar é que a gente se entende

Nos últimos meses, os governantes disseram-nos para comprarmos produtos nacionais e ninguém passou fome por isso, ao que parece. Ao que parece. Nada disto é uma resposta absoluta, nem um modelo simplex, mas seria de desejar que cada país e cada região criassem estratégias locais para a mudança global

Henrique Costa Santos