Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Carmo Machado

Carmo Machado

ENSINO

Carmo Miranda Machado é formadora profissional na área comportamental e professora de Português no ensino público há vinte e sete anos, tendo trabalhado com alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade. Possui um Mestrado em Ciências da Educação (Orientação das Aprendizagens) pela Universidade Católica Portuguesa e tem como formação base uma Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Tem dedicado a sua vida às suas três grandes paixões: o ensino, a escrita e as viagens pelo mundo. Colabora na Revista Mais Alentejo desde Fevereiro de 2010 como autora da crónica Ruas do Mundo, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano. Publicou até ao momento, os seguintes títulos pela editora Colibri: Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011) e Rios de Paixão (2015).

  • Eu parti o telemóvel

    Muitos dos nossos alunos estão na escola porque é obrigatório. Não têm escapatória. Podem tirar-lhes tudo, dentro da escola, e eles não reagirão. Tentem tirar-lhes o telemóvel e virá a mãe e o pai e a tia a exigir a sua devolução imediata. Preparem-se até para ser agredidos, se necessário for. Por favor, mas não lhe tirem o telemóvel! Se têm dúvidas, tentem!

  • A aula de português

    Com tantas obras literárias de estudo obrigatório e uma lista interminável de conteúdos gramaticais, alguns dos quais com nomes verdadeiramente pomposos, por vezes esquecemo-nos de que o domínio da língua e da linguagem deveriam ser o principal conteúdo da aula de Português

  • A agressividade na sala de aula

    Eu repreendi-o. Ameacei com a falta. Chamei para a mesa todas as regras que ele insiste em rejeitar. O meu aluno, aparentemente agressivo, começou a falar com uma velocidade estonteante e, quanto mais falava e se emocionava, mais gaguejava. Convoquei todos os Deuses do ensino para resolver a situação a bem, quando ouço, já com voz mais calma: "Só cheguei agora porque fui visitar a minha tia à prisão"...

  • Para que serve concretamente o que ensinamos?

    Como dar a volta aos conteúdos obrigatórios da disciplina de Português quando nem eu própria consigo explicar de forma convincente a utilidade prática da capacidade de identificar a função sintática do complemento oblíquo e do predicativo do sujeito numa frase?

  • Bom aluno e/ou boa pessoa?

    Aproveito as muitas obras literárias que somos obrigados a ministrar ao longo dos três anos do secundário para apostar tudo o que posso nas competências sociais e emocionais dos meus alunos. Quando quase tudo está perdido, que se salvem as almas...

  • O entulho das escolas

    Sim, os resíduos resultantes da construção e demolição de mais um ano letivo serão enfiados - durante horas - em envelopes que mais ninguém abrirá e cujo destino será um qualquer arquivo morto com o qual os muitos ratos que habitam algumas escolas se irão certamente deliciar

  • Era uma vez...

    O problema não são os professores. O problema reside nas políticas educativas que mudam consoante as cores do parlamento e, sobretudo, na ausência total de respeito pela profissão docente que este e outros governos anteriormente têm demonstrado