Nasceu a 25 de novembro de 1970, prova de que teve razão antes do tempo. Cresceu a beber PCP, PS, PSD, Expresso, Tom Sawyer, Soeiro, Marx, Groucho, Easton Ellis, MEC, Torga e épicos Marvel. Despertou para o jornalismo em plena delinquência, roubando jornais dos vizinhos e revistas nos quiosques. Fez jornais de caserna. Gosta da palavra camarada e vacinou-se contra o coleguismo e o fascismo de unha pintada. Foi «rádio pirata». Tirou (mas devolveu) o curso de radiojornalismo. Anda nisto desde 1989. Alguns acham demasiado. Publicou cinco livros com histórias que não ficam para a história (e muito bem!). Ganhou o prémio Gazeta de Jornalismo com uma investigação situada em 1979, para surpresa dele e escândalo nacional na era do instantâneo. O que mais gozo lhe deu foi ter um prefácio do Manuel António Pina num livro seu. Detesta o Portugal sentado e admira o Portugal sentido. Conhece Buenos Aires, Moscovo e Bissau, mas prefere a rua dele e o coração dos outros. Consome uma droga dura (Cossery) e uma leve (gin tónico), e nunca inalou empreendedorismo. É adito a todos os vícios que pode controlar, afetos à parte. FC Porto, jornais, livros, pernil assado, poesia, Talese, Chien Qui Fume, Billie Holiday, Carlos Paião, Douro, Alentejo e filmes argentinos são alguns dos seus dogmas. É ateu e tem raiva de quem sabe. Deseja glória ao brunch nas alturas e paz na terra aos homens de boa boutade. Veste o Porto por dentro. Cidade onde gostaria de viver até ser pó, cinza e nada.

"Fábrica de Mentiras" e "Viral": Dois livros que são um alerta Se7e

"Fábrica de Mentiras" e "Viral": Dois livros que são um alerta

Os livros Fábrica de Mentiras e Viral, sobre fake news, realçam a importância do jornalismo na defesa da democracia e desafiam a sociedade a ver-se ao espelho. Afinal, em que mundo queremos viver?

Miguel Carvalho
"Porto, Profissões (quase) Desaparecidas", de Germano Silva: O resgate dos trabalhadores Se7e

"Porto, Profissões (quase) Desaparecidas", de Germano Silva: O resgate dos trabalhadores

Em Porto, Profissões (quase) Desaparecidas, Germano Silva faz uma homenagem a gerações de mulheres e de homens que, através dos seus ofícios, moldaram o caráter da cidade

Miguel Carvalho
Se7e

"Jorge Amado, Uma Biografia", de Joselia Aguiar: A vida que nunca se acaba

Chega a Portugal a biografia do homem que moldou o nosso imaginário sobre o Brasil. Desengravatado, bem vivido e, claro, bem Amado

Miguel Carvalho
Em Lisboa e no Porto, à procura do “very typical”

Em Lisboa e no Porto, à procura do “very typical”

Visitámos uma vila operária de Lisboa e duas “ilhas” do Porto para saber como convivem os moradores mais antigos com os novos, e principalmente com os turistas e as transformações que estes trouxeram. Afinal, a gentrificação também passa por aqui?

Sónia Calheiros
Miguel Carvalho
Quando o “Museu Salazar” cai na rede

Quando o “Museu Salazar” cai na rede

Chama-se Rede de Centros de Interpretação de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo. Mas o que pegou fogo foi a ideia de que se iria criar um “Museu Salazar” na terra do ditador. Leia aqui o resumo do projeto na íntegra

Miguel Carvalho

O que faz, o que defende e onde recruta a nova geração de extrema-direita?

Para eles, o salazarismo é museu. Inspiram-se em movimentos e intelectuais europeus de matriz neofascista e identitária. Na maioria, são jovens ativistas, instruídos, e querem travar uma guerra cultural, da rua às redes sociais. Dizem-se nacionalistas, revolucionários. Geram simpatias nas forças policiais e entre os militares, enquanto atraem descontentes em bairros, escolas e fábricas. Falta-lhes peso eleitoral, mas não têm pressa.

Miguel Carvalho
Se7e

No Guindalense, no Porto, o foguetório de São João é postal inesquecível. E o bailarico dura até de manhã

O São João vivido a partir da coletividade dos Guindais não é só fogo de vista, sardinhas e caldo verde. É o Porto que resiste. Vamos ao Guindalense?

Miguel Carvalho

Da I República ao Governo PS: Cem anos a geringonçar por aí

Se esta legislatura tornou PS, PCP e BE mais amigos ao ponto de já prescindirem de cerimónia entre eles é coisa que qualquer dos dirigentes desmentiria, pelo menos para consumo exterior. Mas a palavra “geringonça” tem muito mais que se lhe diga.

Miguel Carvalho

A última entrevista com Ruben e o pato corado da Tia Matilde

Nessa tarde arrastada, deliciosamente arrastada como partilhas de alpendre, escutei histórias clandestinas, sensíveis, delicadas, mas também episódios de troca-tintas, de vira-casacas e retratos de figuras charmosas com voz de linho e pés de barro

Miguel Carvalho
Dez anos a levar no focinho ou a outra história do PAN

Dez anos a levar no focinho ou a outra história do PAN

No início, os militantes pré-PAN eram vítimas de sorrisos trocistas e olhados como uma espécie de escuteiros com upgrade, muito dados à bicharada e à floresta, entretidos “lá com as coisas deles”. E como não faziam mal a ninguém, deixá-los…

Miguel Carvalho
O que liga antigos governantes do PS e do PSD ao negócio do cânhamo para fins medicinais?

O que liga antigos governantes do PS e do PSD ao negócio do cânhamo para fins medicinais?

O mercado nacional do “ouro verde” move centenas de milhões de euros e nem sequer lhe falta um cheirinho a bloco central

Miguel Carvalho
Chico Buarque, o perseguido. E a agitada viagem a Lisboa

Chico Buarque, o perseguido. E a agitada viagem a Lisboa

"Tanto Mar", a música que ele dedicara ao Portugal livre e democrático, foi assumida de peito aberto. “Mas, quando chegou a hora, a coisa foi ficando 'preta'”, explicou, depois de desesperar com a libertação da cantiga por parte da censura. Foi então que resolveu inventar uma desculpa, dizendo que o tema havia sido feito para Moçambique

Miguel Carvalho
Fundação, Família e Farsa:  Os três “F´s” de Joe Berardo

Fundação, Família e Farsa: Os três “F´s” de Joe Berardo

Berardo nunca foi verdadeiramente incomodado pela Justiça: a fundação continuou oficialmente pujante e ele nunca se cansou de exibir a sua “paixão pela cultura” e a coleção de arte, sem se molhar nos pingos de chuva

Miguel Carvalho
As anedotas esquecidas de Salazar e outras histórias de Vasco Queiroz

As anedotas esquecidas de Salazar e outras histórias de Vasco Queiroz

Farto, naquele tempo, só mesmo o reportório. Limão que não deitasse gota de sumo já teria sido espremido pelo ditador. Refeição de canjinha “aos modos da Beira” e posta de pescada “grande e fresca” era, por si só, um “bacanal”. Comido o prato de peixe, Salazar pedia à fiel governanta para trazer o peru. E ele lá vinha, realmente, mas vivo e posto sobre a mesa, para que debicasse as migalhas

Miguel Carvalho
O sangrento 1º de  Maio do Porto e os mortos esquecidos de 1982

O sangrento 1º de Maio do Porto e os mortos esquecidos de 1982

Durante duas horas, homens fardados e sem freio batem e disparam às cegas. Os jornalistas “comem como os outros”, dirá um deles. Afinal, justifica, estavam ali “para bater e não para chamar ambulâncias”. Nem o serviço de Urgência do Hospital de Santo António é poupado: entram espumando e carregam sobre familiares de feridos

Miguel Carvalho
Os dias revolucionários de Ágata e os seus “heróis trabalhadores”

Os dias revolucionários de Ágata e os seus “heróis trabalhadores”

O que poucos conhecem é a faceta “esquerdista” da cantora antes de se tornar a famosa Ágata

Miguel Carvalho
As fotografias esquecidas de Coimbra e a luta académica que “lançou” Abril

As fotografias esquecidas de Coimbra e a luta académica que “lançou” Abril

Um livro recupera quase centena e meia de imagens da crise estudantil de 1969 a partir do espólio da Secção Fotográfica da Associação Académica de Coimbra que sobreviveu até hoje. Uma exposição e vários lançamentos assinalam esta memória

Miguel Carvalho
Cornélia, a vaca do pós-revolução que agitou a esquerda e a direita

Cornélia, a vaca do pós-revolução que agitou a esquerda e a direita

A vaquinha foi tema de café, polémica de jornal e pretexto para agitar ainda mais o acalorado debate político, não refeito das fogueiras do PREC, muitas delas ainda acesas

Miguel Carvalho
Berardo: um "escândalo" com nome...

Quando Joe Berardo, “português do ouro” queria os “brancos” a ensinar os “negros”

Tal como acontecera com Ricardo “Dono Disto Tudo” Salgado, antigo “patrão” do BES, as figuras da política, da finança e da cultura que antes lisonjeavam o comendador, fogem a sete pés de Berardo, aproveitando agora para glosar, à luz do dia, a sua “chico-espertice”

Miguel Carvalho
Se7e

Restaurante Rogério do Redondo, no Porto: O regresso do perdigueiro

Já foi um monumento gastronómico este Rogério do Redondo e volta a pedir meças, agora que reabriu no Bonfim. Memória, tradição e familiaridade ainda vão à mesa. E levam-se à boca. Não acredita?

Miguel Carvalho
Vamos brincar aos nazis pequeninos? Da montra do Chiado ao Hitler bebé

Vamos brincar aos nazis pequeninos? Da montra do Chiado ao Hitler bebé

O melhor mesmo é recuperar a dita caixa de brinquedos para a Páscoa e talvez, quem sabe, lançar um segundo volume de citações de Hitler, para juntar às amêndoas. Mas agora, por favor, com a foto “queriducha” do pequeno Adolfo em babygrow, na qual se possam apreciar aqueles olhinhos vivos e curiosos

Miguel Carvalho