Entre turistas e apartamentos de luxo, há uma “favela” no coração de Lisboa

Um logradouro para as necessidades Matilde Cunha vive há 52 anos numa habitação sem casa de banho. A renda – 90 euros – é atualmente paga à Câmara Municipal de Lisboa

Entre turistas e apartamentos de luxo, há uma “favela” no coração de Lisboa

Matilde Cunha, 72 anos, sai da porta da frente da sua casa na Rua B e entra na porta ao lado, que dá para um pequeno logradouro. Vai à “casa de banho”. Tem lá uma pia e um pote de plástico onde faz as necessidades. Para tomar banho, aquece a água no fogão e lava-se numa bacia. Ela, o marido e dois filhos.

Na casa de tabique, o chão está a abater, há buracos nas paredes e humidade por todo o lado. Pela pequena habitação de dois quartos pagam 90 euros mensais ao senhorio: a Câmara Municipal de Lisboa. Matilde vive ali há 52 anos, mas só recentemente é que entrega a renda à autarquia; durante anos, pagou-a a um senhorio falso, que lhe passava um “recibo à mão”.

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