Orgulho e preconceito: Um retrato de Portugal em 2021

Orgulho e preconceito: Um retrato de Portugal em 2021

Com dez milhões de habitantes – a população de uma cidade média chinesa –, mais 2,5 milhões de portugueses, excluindo lusodescendentes, espalhados pela diáspora, o que resta do Portugal quinhentista? A potência global de outrora exprime-se, agora, nos cinco continentes, através da sexta língua mais falada do mundo. Podemos ser hoje uma pequena república periférica, nos confins da Europa; os centros de decisão, política ou económica, podem ter saído da barra do Tejo para se fixarem em capitais como Berlim (e Bruxelas), Washington, Pequim, Moscovo, Londres ou Tóquio; e o turismo pode ter substituído, na nossa economia, o papel então desempenhado pelas especiarias. Nação de efémeros – a pimenta da Índia, o ouro do Brasil, os diamantes de Angola –, Portugal tornou-se um país de serviços e, de uma certa maneira, o português tornou-se, à primeira vista, o empregado de mesa da Europa, com o seu guardanapo pendente do braço que segura a bandeja. Terra de contrastes, o País agiganta-se, porém, nalguns nichos de tecnologia de ponta – a Via Verde, o telemóvel pré-pago, as multifunções do multibanco, a investigação na área da Física. Não é só o vinho do Porto ou a cortiça: o pequeno Portugal do século XXI é uma das principais potências desportivas nalgumas modalidades – destaque para o judo e a canoagem. E foi, recentemente, campeão da Europa no desporto mais globalizado e popular do planeta, o futebol de 11 – e campeão do mundo na sua vertente de sala. Ostenta dois prémios Nobel, com especial orgulho no mediático galardão da Literatura, e continua a dar cartas, no plano internacional, com uma diplomacia influente e profissional, muito maior do que o País, mas que herda a experiência, os ensinamentos e a visão global dos tempos de interação com as culturas de todo o mundo, do Oriente às Américas, da África ao Japão e à Australásia. Há poucos anos, quando António Guterres era eleito secretário-geral da ONU, Marcelo Rebelo de Sousa espalhava charme em viagens internacionais e Mário Centeno ascendia na hierarquia do Eurogrupo, já depois de Durão Barroso ter sido presidente da Comissão Europeia, o jornal espanhol El País destacava, pelo contraste com os dirigentes do seu país, o cosmopolitismo e a preparação dos políticos portugueses, todos poliglotas, a forma como se moviam nos areópagos internacionais e o poder e o prestígio da diplomacia lusa, representante de uma Nação antiga, respeitada e que “sabe estar”.

Protagonistas António Guterres e Durão Barroso, políticos “globais”. António Costa exerceu a última presidência europeia. Mariza ajudou a tornar o fado universal. E Cristiano Ronaldo é uma figura planetária

O Portugal de 1500 é hoje um País “estrangeiro”: pouco depois do período manuelino, a Pátria perderia a independência e conheceria duas dinastias régias, antes do golpe republicano de 1910. Pelo meio, uma “Guerra da Restauração” exauriu todos os recursos e delapidou os anéis – incluindo a Índia, em troca de uma proteção inglesa indispensável. Nunca mais nos endireitámos. No início do século XX, países como a Finlândia ou a Dinamarca, com os quais nos poderíamos comparar em dimensão, não tinham um único analfabeto – mas no segundo terço do século XX eles ainda eram 30% da população portuguesa. O declínio tivera início com a expulsão dos melhores cérebros da comunidade judaica e a conversão forçada e guetização dos restantes. Cientistas, académicos, financeiros, homens de letras e empreendedores abandonariam o País, levando consigo o know-how, a experiência, as ideias e o impulso desenvolvimentista, tendo aplicado as suas aptidões em nações como os Países Baixos que, em breve, nos ultrapassariam no comércio intercontinental. Em 1500, ainda não existia Inquisição, em Portugal – mas, no século XXI, o País ainda sofria as consequências desse longo período de trevas, iniciado em 1536.

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