16 grandes mulheres que ficaram na sombra da História

Chamava-se Judith e era a irmã de William Shakespeare. Tal como ele, era audaz, inteligente, curiosa e conformava-se pouco com os limites do pequeno mundo em que nascera. Mas os pais não a mandaram à escola e a menina teve de estudar às escondidas, sempre receosa pelo castigo, no pouco tempo que lhe deixavam as tarefas domésticas nas quais, pelo contrário, se devia mostrar exímia. Mal chegou à puberdade, arranjaram-lhe o noivo que convinha à família, mas, em desespero, Judith fugiu de casa e juntou-se a uma trupe de atores, das muitas que atravessavam então as estradas de Inglaterra, para recreação de nobres e plebeus. Abandonada pelo amante, que a engravidara, suicidou-se e foi sepultada sem sacramentos nem família, à beira de um caminho qualquer. Não chegara a fazer 20 anos. 

Chocante? Sim, mesmo que Judith Shakespeare não tenha passado de uma personagem de ficção criada pela escritora inglesa Virginia Woolf com o propósito de, através do choque, alertar a comunidade para os obstáculos colocados à criatividade feminina (no livro de 1929, Um Quarto que seja Seu), a verosimilhança da história faz-nos pensar em quantas, como Judith, deixámos cair pelo caminho. Umas vezes, de forma tão trágica como esta, outras, num apagamento lento, silencioso e igualmente letal. Aconteceu no mundo da literatura, mas também nos das outras artes, nas ciências, na política ou na vida empresarial.

Ao longo da História, nas mais diversas civilizações, as mulheres foram incentivadas a atingir a excelência… no papel de “anjo do lar”. Nas artes, quando muito, podiam desempenhar a função de musas inspiradoras. Tudo o que as obrigasse a transpor a soleira da porta de casa era coisa subversiva, capaz de as desviar do caminho tido por adequado. Se insistiam (e foram muitas as que o fizeram), o escrutínio – o dos contemporâneos e o da posterioridade – tendia a ser implacável. Importava silenciar-lhes os feitos para não se tornarem exemplos.

Mas se o passado é um país distante (às vezes, inatingível), nem por isso o devemos abordar com facilitismo: há que dizer que nem todas as épocas trataram com negligência a criatividade e a inteligência femininas. No século XVI, as princesas da Casa de Áustria (ou de Habsburgo, dinastia que dominou grande parte da Europa durante centenas de anos) eram conhecidas pela sua cultura e competência política e, como tal, desempenharam cargos de grande responsabilidade. Foram os casos de Isabel de Portugal, filha de D. Manuel I de Portugal, casada com o imperador Carlos V, e da filha destes, Joana de Áustria, que haveria de ser mãe do nosso rei D. Sebastião. Mulheres que conviveram e acolheram no seu círculo figuras com o nível intelectual de Santa Teresa de Ávila ou da pintora Sofonisba Anguissola. 

Mas a História não evolui em linha reta e não encontramos idêntica paridade em épocas bem mais recentes. É sabido que, em resposta a alguém que lhe perguntava sobre as aspirações das mulheres à realização profissional, Salazar terá respondido: “Nunca encontrei uma boa dona de casa que não tivesse muito que fazer.” Mostrar-se-ia tão eficaz neste tipo de doutrinação que meio século de democracia ainda não erradicou totalmente o velho patriarcado.

Bárbara Virgínia

A primeira realizadora portuguesa foi “obrigada” a emigrar

Desde 2015 que a Academia Portuguesa de Cinema atribui o Prémio Bárbara Virgínia às mulheres que o júri considera autoras de serviços assinaláveis a esta arte. No entanto, quem ainda sabe ao certo a razão deste nome e a quem pertenceu? Nascida em Lisboa a 15 de novembro de 1923, Bárbara Virgínia é o nome artístico de Maria de Lourdes Dias Costa. Filha da classe média, teve uma educação artística e acesso a um grupo de intelectuais e artistas amigos da família, mas, ao contrário de muitas das suas contemporâneas, não se contentou com as habituais prendas de tocar piano e falar francês.

Aos 22 anos, depois de ter sido atriz nos filmes Aqui Portugal e Sonho de Amor, ousou ir mais longe; tornando-se a primeira portuguesa a realizar uma longa-metragem, Três Dias sem Deus, onde também era a atriz principal. Dará tal conta de si que, juntamente com Leitão de Barros (com Camões) integrará, em 1946, a representação portuguesa na primeira edição do Festival de Cannes. A mesma onde foram lançados filmes míticos como Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini; Breve Encontro, de David Lean ou Gilda, de Charles Vidor. 

A 18 de agosto de 1946, a poucos dias da viagem para Cannes, o Diário de Lisboa perguntaria à jovem cineasta se temia reações negativas por se estar a “intrometer” num mundo de homens, ao que, determinada, ela responderia: “Temo apenas não chegar ao nível artístico que me proponho. O resto são pensamentos negativos, que não alimento.” 

Mas a família não a apoiava e o regime não via com bons olhos a ideia de uma mulher cineasta, a comandar as operações atrás das câmaras. Bárbara ainda conseguiu realizar um pequeno documentário intitulado Aldeia dos Rapazes, mas já não obterá financiamento para uma nova longa-metragem, desta feita sobre a vida do poeta António Nobre. Dececionada, emigra para o Brasil em 1952. Adquire independência económica e constitui família aos 39 anos, o que acumula com uma carreira de diseuse de poesia nos palcos e na Rádio Tupi e, mais tarde, com a abertura de um restaurante seu. Morreu em 2015 sem nunca voltar a Portugal.

Mas não foi esquecida. Em 2017, Luísa Sequeira dedicou-lhe o documentário Quem é Bárbara Virgínia?, apresentado em vários festivais como o DocLisboa. Movida pelo fascínio pela personalidade desta mulher que, apesar das contrariedades, nunca se rendeu ao peso do statu quo, Luísa dizia: “Ela queria fazer mais filmes, era uma artista multifacetada e com um talento enorme. Uma mulher muito determinada e com muita personalidade, isto num país que vivia uma ditadura onde nem todas as mulheres podiam votar, num país que não permitia à mulher viajar para o estrangeiro sem autorização do marido.” De Três Dias sem Deus, durante muito tempo a única longa-metragem portuguesa realizada por uma mulher, parece restar uma única cópia, aliás, danificada, depositada no Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM).

(Lisboa, 1923 – São Paulo, Brasil, 2015)

Catarina Dias de Aguiar

Uma “intrusa” no comércio ultramarino

A história dos Descobrimentos portugueses é abundante em nomes de mercadores que terão prosperado graças ao trato das preciosidades importadas da Índia, do Brasil ou da Guiné. Mas se buscarmos nomes femininos, a tarefa complica-se. E, no entanto, elas existiram, tão audazes e empreendedoras como eles. É o caso de Catarina Dias de Aguiar, de genealogia e origem incerta como quase tudo o que respeita ao século XV (pensa-se que terá nascido no Alentejo, por volta de 1475), mas sobre a qual subsistem, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, os registos das mercês perpétuas concedidas pelo rei como reconhecimento pelo seu trabalho como tratadora das suas aposentadorias. O que significava que Catarina dava estalagem a viajantes ilustres, como os membros da Corte, o que não era coisa pouca nesse final da Idade Média em que, antes de iniciar viagem, qualquer um, por mais nobre que fosse, lavrava testamento e encomendava a alma a Deus.

Catarina prosperou e investiu no negócio da cortiça, vindo a ganhar a concessão do seu comércio, já então altamente rentável.

Viúva, tomar-se-ia de amores por um milionário de origem florentina, Bartolomeu Marchioni, também ele no negócio das aposentadorias de qualidade. Apesar de casado e pai de família, Marchioni, naturalizado português por mercê de D. João II, retribuir-lhe-ia o afeto e ambos investem no comércio com a Índia. Na frota que larga de Lisboa a 6 de abril de 1503, envia uma nau sua, de nome… Catarina Dias. Os dois viveriam juntos na então luxuosa Rua Nova dos Mercadores, em Lisboa, e teriam uma filha de nome Maria.

Sempre atenta à necessidade de diversificar o negócio, Catarina Dias apostou também no já então muito proveitoso negócio do luxo, o tal que não sofre flutuações de procura por maior que seja a crise. De Itália, importava camas com fama de sumptuosas que fariam as delícias dos notáveis do reino. Entre eles, Vasco da Gama, que lhe comprou uma para a sua casa de Sines.

(c.1475 – 1ª metade do XVI)

Isabel da Nóbrega

Companheira de José Saramago, escritora em nome próprio

“À Isabel, porque nada perde ou repete, porque tudo cria e renova”, assim escreveu, em dedicatória, que retiraria em edições posteriores, José Saramago na abertura de Memorial do Convento. A Isabel, assim homenageada (e, a seguir, apagada), é Isabel da Nóbrega, com quem o Nobel viveu 16 anos, e que parece ter assumido um papel fundamental no seu crescimento como escritor. Mas o que raramente se diz é que esta mulher, nascida em Lisboa, a 26 de junho de 1925, muito mais do que uma das mulheres de Saramago, é ela própria uma autora de mérito e foi uma incansável divulgadora cultural na rádio, televisão e Imprensa.

Autora de peças de teatro como O Filho Pródigo e O Amor Difícil,  esta última levada à cena no palco do Teatro Nacional D. Maria II, publica, em 1964, a sua obra mais ambiciosa, o romance Viver com os Outros, em que se debruça, com olhar cirúrgico, sobre uma certa vacuidade da burguesia lisboeta que ela conhecia tão bem.  Será, nesta década de 60, quando já mostra uma razoável maturidade literária, que Isabel há de conhecer José Saramago. Este trabalha na editora Estúdios Cor (ao lado da redação do jornal A Capital, de que ela  foi uma das fundadoras), tem alguma coisa publicada no âmbito da ficção e da poesia, mas ninguém poderia suspeitar do fulgor futuro. A não ser talvez Isabel, que lhe oferece trabalho n’ A Capital, primeiro para redator de um suplemento de verão e depois como cronista. Apaixonar-se-á e ele corresponde. Começarão a viver juntos por esta época, depois de ambos terem posto termo às relações anteriores. Ele com a pintora Ilda Reis, mãe da filha Violante Saramago, e ela com o crítico literário, grande divulgador da obra de Fernando Pessoa, João Gaspar Simões.

Assim estiveram nos 16 anos seguintes, durante os quais Saramago escreveu, entre outros títulos, Deste Mundo e do Outro; Levantado do Chão; Memorial do Convento e O Ano da Morte de Ricardo Reis, até que apareceu uma jornalista espanhola chamada Pilar del Río…

Além de ser uma autora em nome próprio, Isabel da Nóbrega foi uma mulher intrépida que não hesitou em causar escândalo na sociedade hipócrita em que se movia, se o coração lhe falasse mais alto. Assim aconteceu quando deixou o médico Pedro Abreu Loureiro para viver com João Gaspar Simões e voltaria a acontecer quando encontrou José Saramago. O que mais temia era esse murchar precoce das mulheres casadas que tão bem descreve em Viver com os Outros: “Era bonita, lustrosa, elegante, mas tudo o que nela reluzia (…) tudo se apagou, para surgir transformada num ser baço, meio indiferente, a quem designas por mosca-morta. E não só ela. Quantas outras raparigas tenho observado que passam pelo mesmo fenómeno.”

Incapaz de perdoar-lhe o abandono, Gaspar Simões escreveria um (mau) romance de vingança, As Mãos e as Luvas, em que a beleza de Isabel (lendária na Lisboa de então) sai exaltada: “No arsenal das suas seduções, as mais mortíferas das suas armas são os olhos.” 

(n. Lisboa, 26/6/1925)

Joana de Áustria

Muito mais do que a mãe de D. Sebastião e irmã de Filipe II

O retrato que dela fez Sofonisba Anguissola (a italiana que fez carreira como pintora na Corte de Filipe II de Espanha, I de Portugal) evidencia tanto a austeridade do porte como as parecenças com o seu único filho, o nosso rei D. Sebastião. Joana de Áustria, nascida infanta de Espanha, foi princesa herdeira de Portugal (mais tarde princesa-viúva, título com que se fez identificar na documentação oficial até à sua morte). Filha de Isabel de Portugal e do imperador do Sacro Império Romano-Germânico (e rei de Espanha) Carlos V, Joana nasceu em Madrid, a 24 de junho de 1535, sendo irmã mais nova do futuro Filipe II de Espanha, I de Portugal.

Aos 16 anos, como peça dos interesses dinásticos, casou-se com o seu primo, tanto pelo lado materno como paterno, o príncipe herdeiro de Portugal, D. João de Portugal. Mas se, ao contrário do que acontecia nestas uniões decididas pela política, o amor nasceu entre os dois jovens, esse seria engano de alma, ledo e cego, que a fortuna não deixou durar muito, já que o príncipe morreria muito cedo, deixando-a nas últimas semanas de gravidez. 

Numa decisão arriscada, os sogros – D. João III e D.Catarina  – impediram-na de tomar conhecimento da notícia, esperando que a criança nascesse, como veio a acontecer a 20 de janeiro de 1554, dia de São Sebastião. Em causa estava já a independência do reino, uma vez que, antes de D. João Manuel, já tinham morrido todos os oito filhos do casal real português.

Fosse porque a hostilidade contra a princesa-viúva crescia na Corte portuguesa, fosse porque o pai, Carlos V, solicitava a sua presença em Espanha para assumir a regência na sua ausência, D. Joana deixou Portugal e o filho, D. Sebastião, com quatro meses. Não mais se veriam, embora, dilacerada pelas saudades, D. Joana enviasse anualmente um pintor a Lisboa para retratar o filho, retratos que hoje podem ser vistos nos seus aposentos do Convento das Descalças Reais, em Madrid, por ela fundado em 1559.

Jovem e bela, Joana não voltaria a casar-se. Dedicou-se à política, assumindo, várias vezes, a regência em nome do pai e depois do irmão; à cultura (fazia jus à reputação de grande capacidade política e elevado nível intelectual das mulheres da casa da Áustria) e à religião. Amiga de S. Francisco de Borja (o duque de Gandia que tomou votos religiosos ante o cadáver de Isabel de Portugal, de que fora o mais fiel cortesão), vários historiadores acreditam hoje que tenha professado como jesuíta (o que estava vedado às mulheres) sob o pseudónimo de Mateo Vásquez. Morreu jovem, em 1573, e está sepultada no seu Mosteiro das Descalças Reais.

(Madrid, 1535 – Escorial, 1573)

Safo de Lesbos

A primeira lírica da História

Dizia de si mesma ser serva da beleza e Platão considerou-a a décima das musas, favorita de Zeus. Nascida na ilha de Lesbos no século VII a.C, é considerada a mãe da poesia clássica grega, apenas superada, em fama, por Homero. Além do mais sabemos pouco, a não ser o que nos conta Ovídio: que a sua família viera da Ásia Menor e que ficou órfã de pai ainda criança. Começou a escrever na adolescência e não tardou a ser adorada por uns e detestada por outros, desencadeou ódios, a ponto de ser exilada em Siracusa, onde continuou a escrever e a aumentar a sua fama e influência junto dos mais novos.

De regresso a Mitilene, Safo fundou um salão onde ensinava música, dança e canto aos jovens da nobreza, sendo o amor e a livre expressão do desejo um dos temas privilegiados pelos frequentadores dessas sessões sob o signo da deusa Afrodite.

Como autora, Safo escreveu nove livros de odes, elegias, hinos e cânticos nupciais, mas apenas alguns fragmentos chegaram aos nossos dias, escritos em dialeto eólico. Ousada tanto no conteúdo como na forma, experimentou vários tipos de métrica e abordou temas que, até então, não eram matéria poética. A ela devem-se os versos sáficos – os decassílabos com tónica na quarta, oitava e décima sílabas. Foi também a precursora do lirismo poético, onde o Eu fala dos seus sentimentos, característica que lhe rendeu o título de “a primeira lírica da História”. O assunto principal dos seus poemas foi sempre o amor, tratado com naturalidade, muitas vezes de forma terna, quase pueril, e noutras com paixão. A sua morte permanece tão envolta em mistério como a vida. Para alguns autores, terá posto fim aos seus dias por causa de um amor não correspondido, para outros, pelo contrário, terá morrido tranquilamente após uma longa vida abençoada por Afrodite.

(Lesbos, Grécia, 630 e 612 a.C. – cerca de 570 a.C.)

Hipátia de Alexandria

Matemática de excelência, massacrada pelos cristãos

Sobre esta mulher, considerada a primeira matemática da História, escreveu-se que o seu espírito, tanto como a sua beleza, iluminavam a antiga Alexandria. Filha do matemático Teão, que ensinava no Museu de Alexandria, recebeu deste uma educação brilhante, muito diversa daquela a que as outras mulheres da sua época tinham acesso. Estudou, além de Matemática, Desenho, Geometria celeste e terrestre, astronomia e filosofia.

Entre todas as disciplinas da Matemática, Hipátia parece ter preferido a Geometria, mas os seus trabalhos científicos valeram-lhe renome, a eloquência e capacidade de argumentação filosófica tornaram-na uma lenda. Em Alexandria tornar-se-ia a maior representante do sistema neoplatónico, que tinha também escolas em Atenas, Roma e na Síria. 

Fundou a sua própria escola, sobre a qual o filósofo Sinésio, o seu discípulo mais fiel, diria: “Ela dispunha de um excecional poder de retórica, uma facilidade de expressão e uma metodologia única.” Infelizmente, à atualidade chegaram poucos testemunhos escritos da sua produção além de alguns comentários seus às Tábuas Manuais de Ptolomeu ou dos testemunhos deixados por Sinésio, que a associam aos cálculos essenciais à invenção de um instrumento de navegação bem conhecido dos portugueses, o astrolábio. 

Hipátia teve um final trágico no ano 415 da nossa era. Um dia, ao dirigir-se para a escola, foi assaltada por um grupo de cristãos que a espancaram até à morte e profanaram o seu cadáver antes de o queimar. Tamanha violência seria denunciada às autoridades locais, mas os criminosos ficaram impunes. Por trágica ironia, sabemos, uma vez mais através de Sinésio, que Hipátia já manifestara a sua intenção de se converter ao cristianismo.

(Alexandria, Egito, cerca de 360 d.C. – 415 d.C.)

Clara Campoamor

Pelo voto feminino, exilada pela ditadura

“Só aprendemos a viver em liberdade se a tivermos”, escreveu a feminista espanhola Clara Campoamor, no livro O Voto Feminino e Eu: O Meu Pecado Mortal. Nascida em Madrid, em 1888, no seio de uma família modesta, conseguiu formar-se em Direito, em 1924. Iniciou o seu ativismo cívico em 1925, quando foi nomeada para o Colégio de Advogados. Em 1931, obteve um lugar no primeiro parlamento da República Espanhola, a par de Victoria de Kent. Mas, em clara oposição a esta, tornou-se a primeira mulher a dirigir-se à assembleia constituinte em outubro desse ano, num discurso que advertia os membros masculinos da assembleia para o facto de a exclusão das mulheres do direito de voto ser uma violação do Direito natural. Esta posição foi contestada não apenas por políticos e católicos romanos conservadores, mas por homens de esquerda e até mesmo por outras mulheres, como a referida Victoria de Kent, que acreditava que as mulheres, se votassem, seriam influenciadas nas suas decisões por padres católicos. Quando o seu próprio partido decidiu opor-se ao sufrágio feminino, Clara não abdicou dos seus princípios: deixou o partido e continuou a defender o sufrágio como membro independente da assembleia.

Tudo isto se esfumou em 1936, quando o golpe militar franquista de 1936 a forçou ao exílio em Buenos Aires. Mais tarde mudar-se-ia para a Suíça, onde acabou os seus dias, em 1972, já que a ditadura a impediu de voltar à pátria. Autora do texto da primeira lei espanhola sobre o divórcio, deixou várias obras de pendor feminista como El Derecho Femenino en España ou La Situación Jurídica de La Mujer Española. Mais recentemente, a sua obra e intervenção social, esquecida durante décadas, tem sido revista como parte integrante da Geração de 1927, cujos nomes cimeiros foram Federico García Lorca, Luís Buñuel ou Salvador Dalí.

(Madrid, 1888 – Lausanne, Suíça, 1972)

Ada Lovelace

Filha de Lord Byron, preferiu a poesia dos algoritmos

Foto: Getty Images

O retrato de Ada Byron King, condessa de Lovelace, pintado por Alfred Edward Chalon parece dar-nos a ver uma boneca de porcelana, toda ela fragilidade, muito ao gosto da época romântica, mas, na verdade, estamos perante uma matemática da maior importância para a história da Ciência e da Tecnologia. Nascida em Inglaterra em 1815, filha do poeta Lord Byron e da sua mulher, Anabella, é reconhecida principalmente por ter escrito o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, a máquina analítica de Charles Babbage. Durante o período em que esteve envolvida com o projeto de Babbage, desenvolveu os algoritmos que permitiriam à máquina computar os valores de funções matemáticas, além de publicar uma coleção de notas sobre a máquina analítica. Por esse trabalho, é considerada a primeira programadora da História.

Em 1953, mais de 100 anos após a sua morte, essas notas foram republicadas. Em consequência disso, a máquina foi reconhecida como um primeiro modelo de computador e as notas de Lovelace consideradas a descrição de um computador e um software.

A sua importância para uma área disciplinar em que as mulheres ainda são minoritárias é tal que se criou o Dia Lovelace, que se celebra na segunda terça-feira do mês de outubro, com o intuito de festejar as conquistas femininas na Ciência. Em 1982, uma linguagem de programação estruturada recebeu o nome Ada, em homenagem à condessa.

(Londres, 1815 – Marylebone, Reino Unido,1852)

Fanny Mendelssohn

Irmã do compositor e autora de muitas peças que lhe são atribuídas

Foto: Getty Images

Pensa-se em Mendelssohn e ouvem-se mentalmente os acordes solenes da Marcha Nupcial. E, no entanto, quantos sabem que além de Felix, o compositor, existiu também a sua sua irmã, Fanny (1805-1847), também ela pianista e compositora?

Como mulher, Fanny não podia pensar em exercer uma profissão séria, muito menos numa área artística. Por isso, recebeu aulas de música somente para ser uma amadora competente e não para ser profissional como o seu irmão, Felix. Mesmo assim, Fanny aprendeu rapidamente e não só se tornou uma pianista de exceção, como começou a compor ainda menina.

Por sorte, o marido de Fanny, o pintor Wilhelm Hensel, apreciava mais os talentos de Fanny do que a família de origem, que, pelo contrário, considerava essas atividades pouco dignas de uma respeitável dona de casa burguesa. Hensel organizava saraus para que o público tomasse conhecimento do trabalho da sua Fanny. Sob o estímulo dele, publicou várias composições da sua autoria. 

Atualmente, são conhecidas 466 composições de Fanny, nomeadamente cânticos no estilo Lied, (muito populares nesta época) e peças para piano. A sua maior obra é o Oratorium nach Bildern der Bibel (“Oratória segundo Imagens da Bíblia”), de 1831, para coral, orquestra e solistas, obra claramente romântica que só viria a estrear-se em 1987. Por preconceito e desconhecimento, não sabemos ao certo quantas peças de Fanny foram erradamente atribuídas ao irmão. Diz a lenda que certo dia, após um concerto, a rainha Vitória, grande apreciadora da obra de Mendelssohn, terá dito a Felix qual era a obra dele que preferia. Embaraçado, o compositor agradeceu, mas o sorriso amarelo ficou-lhe na cara. É que a peça em causa seria, afinal, uma das muitas que ele assinara e a irmã compusera. 

(Hamburgo, Alemanha, 1805 – Berlim, Alemanha, 1847)

Hedy Lamarr

A vamp que era um génio da tecnologia

Columbia Pictures. © Fundação John Kobal

O mundo celebrou-a durante décadas como a estrela de filmes (como Sansão e Dalila) em que a sua extraordinária beleza era o elemento mais assinalável, mas esta rapariga, nascida em Viena de Áustria em 1914, e registada com o nome de Hedwig Maria Kessler, foi muito mais do que Hedy Lamarr, a mulher fatal de Hollywood. Ainda na Europa, deu que falar como estrela de um filme checoslovaco intitulado Êxtase, em que a câmara se detinha sobre o seu rosto, tomado pelo prazer, durante uma cena sexual. O marido irado quis ordenar a destruição de todas as cópias da película, enquanto a arrastava para uma sucessão de jantares e receções com membros do Partido Nazi. Por isso, quando Hollywood lhe acenou com um contrato, a beldade, a quem o fascismo repugnava, não hesitou em soltar amarras de uma Europa cada vez mais sombria.  

O seu espírito irrequieto, porém, não se contentaria em dar a réplica a galãs como Clark Gable ou Charles Boyer. Durante a Segunda Guerra Mundial, em parceria com George Antheil, criou um aparelho de interferência por rádio para despistar os radares nazis, isto porque Hedy, ao realizar um dueto de piano com George, percebeu que se o emissor e o recetor mudassem constantemente de frequência, os dois poderiam comunicar sem medo de serem intercetados. No entanto, a sua invenção seria rejeitada pelas autoridades militares (embora classificada como top secret), o que só seria revertido em 1962, durante a chamada Crise dos Mísseis. Em 1997, num mundo já totalmente diferente, a Ottawa Wireless Technology comprou-lhe as patentes e desenvolveu várias tecnologias de comunicação concebidas por Hedy, como as conexões Wi-Fi e CDMA (Acesso Múltiplo por Divisão de Código), e é por esse motivo que hoje ela é conhecida como a “mãe do telemóvel” ou “mãe do Wi-Fi”. Hedy morreu em 2000, aos 85 anos, quando o mundo começava a suspeitar de que ela fora muito mais poderosa do que a pérfida Dalila.

(Viena, 1914 – Flórida, Estados Unidos da América, 2000)

Ida Lupino

A vilã que também foi produtora, argumentista e realizadora

Foto: Getty Images

A imagem que guardamos dela é a de mulher fatal à moda do cinema clássico norte-americano, em filmes como They Drive by Night ou High Sierra, nos quais conseguia ser tão dura como George Raft ou Humphrey Bogart, com quem contracenava. No entanto, esta britânica, nascida no Norte de Londres em 1918, foi muito mais do que uma estrela de volátil fulgor. Na verdade, foi atriz, mas também produtora, argumentista, realizadora e uma mulher que nunca se conformou com o papel decorativo que os grandes estúdios lhe queriam impor.

Em 1951, já inscrita na Director’s Guild of America (foi a segunda mulher a fazê-lo, após a pioneira Dorothy Arzner), estreou-se na realização de On Dangerous Ground (em que entrava como atriz) devido à doença de Nicholas Ray. Dois anos depois, tornar-se-ia a primeira mulher a dirigir um film noir, The Hitch-Hiker. Em 48 anos de carreira, fez mais de 59 participações em filmes, tendo dirigido oito longas-metragens, a maioria nos Estados Unidos da América, de que se tornou cidadã em 1948. Dirigiu, escreveu e atuou em vários filmes para televisão. Nos anos 70, foi a única mulher a dirigir um episódio da série Twilight Zone, mas também assinou programas das séries Alfred Hitchcock Apresenta, Casei com Uma Feiticeira, The Donna Reed Show, Batman e The Untouchables. Morreu em 1995 e foi sepultada ao lado de Errol Flynn.

(Londres, 1918 – Los Angeles, Estados Unidos da América, 1995)

Rosalind Franklin 

Pioneira na descoberta do ADN, esquecida pelo Nobel

Em que pensaram James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins quando, em 1962, receberam o Nobel da Medicina pela descoberta da estrutura de dupla hélice do ADN? Teriam pensado em Rosalind Franklin, a pioneira da Biologia Molecular cujo trabalho de pesquisa de décadas permitira chegar à identificação dessa estrutura? Se o fizeram, calaram-se e Rosalind, que morrera quatro anos antes, vítima de cancro ainda jovem, já não podia reivindicar justiça.

Rosalind Elsie Franklin nasceu a 25 de julho de 1920, em Londres, e morreu com apenas 38 anos. Em 1938, foi admitida na Universidade de Cambridge, formou-se em 1941 e, seis anos mais tarde, concluía o seu trabalho de doutoramento em Microestruturas de Carbono e de Grafite. Nos três anos seguintes, em Paris, dedicou os seus estudos à utilização da técnica de difração de raios X. Em 1951, regressou a Inglaterra, como investigadora associada, a convite do King’s College de Londres, para trabalhar com ADN. Nos anos que se seguiram, Rosalind Franklin orientou o seu próprio grupo de investigação em Birkbeck College, trabalhando no seu projeto inicial sobre as moléculas de carbono, amadurecendo os seus estudos com o ADN e dedicando a sua atenção ao estudo dos vírus. Mas a morte impedi-la-ia de prosseguir uma carreira fulgurante.

Em 2015, a contribuição de Franklin para a descoberta da dupla hélice foi levada aos palcos de Londres na aclamada peça de teatro Photograph 51, com texto de Anna Ziegler e Nicole Kidman no principal papel. A propósito da estreia deste espetáculo, o jornal The Guardian lançava esta questão: Até que ponto a história da Ciência pode ser sexista?

(Londres, 1920 – Londres, 1958)

Tina Modotti

Fotógrafa na Guerra Civil de Espanha

Foto: Getty Images

Assunta Adelaide de Luigi Modotti nasceu em 1896 em Udine, Itália, numa família de operários pobres. Aos 17 anos, emigrou para São Francisco, Califórnia, onde o pai e uma irmã já estavam em busca do “sonho americano”. Bonita e carismática, Assunta, que já era Tina, começou a servir de manequim no atelier de costura onde trabalhava. Em breve, começou a frequentar os meios artísticos e apareceu, em pequenos papéis, no cinema mudo. 

O encontro decisivo, ocorrido pouco depois, dar-se-ia com Edward Weston, considerado um dos pais da fotografia pura à americana. Tornaram-se amantes e, com ele, Tina descobriu a paixão por esta arte ainda à procura de uma linguagem, pelas viagens e pelo compromisso político. Andou pelo México pós-revolucionário, conheceu Diego Rivera e Frida Kahlo, partiu para Moscovo, já como membro do Partido Comunista, e depois para o coração da Guerra Civil de Espanha, a qual documentou tão poderosamente como Robert Capa. 

Tina Modotti morreu aos 45 anos, vitimada por um ataque cardíaco, na Cidade do México, e, aos poucos, apesar das homenagens feitas pelos amigos, a sua obra foi caindo no esquecimento. Só a partir da década de 80, quando o trabalho das mulheres fotógrafas começou a ser objeto de um renovado interesse, é que Modotti foi resgatada à penumbra.

(Udine, Itália, 1896 – Cidade do México, 1942)

Zelda Fitzgerald 

Censurada e internada por ordem do marido, Scott Fitzgerald

Foto: Getty Images

Passou à História como a principal responsável pela escassa produtividade literária do marido, Francis Scott Fitzgerald, depois de uma estreia arrebatadora em 1920, com a novela Este Lado do Paraíso. A esta reputação malsã não será estranho o testemunho sobre a vida do casal deixado por Hemingway em Paris é Uma Festa. Mas a verdade parece ter estado muito distante deste retrato pouco abonatório.

Nascida em Montgomery, Alabama, a 24 de julho de 1900, Zelda, um pouco como a Daisy Buchanan d’O Grande Gatsby (a obra mais famosa de Scott Fitzgerald), gozava de grande popularidade graças à sua beleza e vivacidade. Quando conheceu Francis, um rapaz do Midwest com ambições literárias, os dois, e a vida de diversão desenfreada que levavam primeiro nos Estados Unidos da América e, mais tarde, na Europa, tornaram-se um símbolo dos loucos anos de 1920.

Mas, como o escritor sugere em Terna é a Noite, os ressentimentos entre os dois cônjuges não tardaram a surgir. Por vontade do marido, Zelda foi internada durante meses numa clínica psiquiátrica em Baltimore. Como se esta reagisse ao tratamento com um surto de criatividade, Francis, cada vez menos seguro das próprias capacidades, acusou-a de o ter plagiado. Pegou no manuscrito que ela escrevera no hospital e obrigou-a a retirar todas as partes que ele considerava serem da sua lavra. Zelda Fitzgerald morreu em 1948 num incêndio, oito anos após a morte do marido, vítima de enfarte. Ao longo de décadas, o talento literário e criativo de Zelda, alegadamente sufocado pelo marido mais famoso e seus companheiros de geração, tem vindo a ser tratado num vasto conjunto de filmes, séries de televisão e livros, o mais célebre dos quais assinado por Nancy Milford – Zelda: A Biography.

(Alabama, Estados Unidos da América, 1900 – Carolina do Norte, Estados Unidos da América, 1948)

Katherine Johnson

Um pequeno passo para Neil,um grande passo para uma matemática negra

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Em 2016, o filme de Theodore Melfi, Hidden Figures, chamou a atenção para o papel desempenhado no programa da exploração espacial da NASA por um grupo de matemáticas que eram não só mulheres como negras. A mais notável delas, Katherine Johnson, morreu no ano passado, depois de ter celebrado 101 anos.

Fascinada por Matemática desde criança, esta menina da Virgínia Ocidental enfrentou um mar de preconceitos raciais e sexistas para conseguir estudar ao mais alto nível. Já formada, os primeiros empregos que ela conseguiu eram para lecionar, mas, numa reunião de família, alguém terá mencionado que a NACA, mais tarde NASA, tinha um concurso aberto a mulheres, em especial negras, para o seu departamento de navegação. Katherine inscreveu-se em 1953 e foi imediatamente aceite. 

O seu primeiro trabalho consistia em ler os dados das caixas-negras dos aviões, entre outras tarefas matemáticas de grande precisão. Em breve, os conhecimentos de Katherine em Geometria Analítica permitir-lhe-iam fazer contribuições decisivas para aeronáutica e exploração espacial, sobretudo em aplicações da computação na NASA. Conhecida pela precisão na navegação astronómica informatizada, o seu trabalho de liderança técnica na NASA estendeu-se durante décadas, em que ela calculava trajetórias, janelas de lançamento e caminhos de retorno de emergência para muitos voos de Projeto Mercury, incluindo as primeiras missões da NASA de John Glenn, Alan Shepard e o voo triunfal da Apollo 11, em julho de 1969.

A 24 de novembro de 2015, o Presidente Obama incluiu Katherine na exclusiva lista de 17 norte-americanos que receberam a Medalha Presidencial da Liberdade, e o seu nome foi referido como exemplo de mulheres negras pioneiras na Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

(Virgínia Ocidental, EUA, 1918 – Virgínia, 2020)

Ethel Smyth

Compositora e sufragista, esquecida pela posterioridade

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Em 1934, um Royal Albert Hall cheio, presidido pela rainha Mary, celebrou, com pompa e circunstância, o 75º aniversário da compositora britânica Ethel Smyth. No entanto, após a morte, 10 anos depois, a sua obra musical foi gradualmente caindo no esquecimento e tornou-se muito menos falada (e tocada) do que a de contemporâneos seus, como Benjamin Britten. 

Ethel, que conseguiu tornar-se compositora, apesar da veemente oposição paterna, estudara com um professor privado e, mais tarde, frequentou o Conservatório de Leipzig, onde conheceu muitos compositores da época. Porém, desistiu, após apenas um ano de estudos, por não estar satisfeita com o nível de ensino e voltou a estudar com um tutor privado, desta vez Heinrich von Herzogenberg. Ao longo da sua carreira, Smyth compôs cânticos, obras para piano, música de câmara, de orquestra, coros e óperas.

Em 1910, Smyth juntou-se à Women’s Social and Political Union e parou de compor música, durante dois anos, para se dedicar por inteiro à causa do sufrágio universal e do voto feminino. Foi ela a autora do March of the Women, que se tornou o hino do movimento sufragista. Smyth respondeu ao apelo de Emmeline Pankhurst de partir janelas para chamar a atenção para a causa e acabou por cumprir dois meses de prisão na Holloway.

Ethel começou a perder a audição em 1913 e não conseguiu completar mais do que quatro trabalhos, antes de ficar completamente surda, e terminar a sua carreira como compositora. Porém, veio a interessar-se por literatura e, entre 1919 e 1940, publicou dez livros de grande sucesso (a maioria de teor autobiográfico).

(Sydcup, Reino Unido, 1858 – Woking, Reino Unido, 1944)

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