Portugal para descobrir longe das multidões

Gerês
Entre lobos, garranos e abelhas

Sem passadiços e outras atrações, que não a Natureza excecional do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Com a devida recompensa gastronómica no final

No trilho do lobo O percurso, em Área de Ambiente Natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês, está sujeito a restrições

Por esta altura, a serra da Peneda cobre-se de diferentes tonalidades, com a púrpura da urze e o amarelo da carqueja e do tojo a sobressaírem entre os penedos graníticos. Seguimos na pegada do lobo, o último grande predador da fauna selvagem portuguesa e uma das espécies mais ameaçadas da Península Ibérica, que Pedro Alarcão e Anabela Moedas conhecem como poucos. Vivem há 15 anos em Castro Laboreiro, território que começaram por palmilhar durante quatro anos, enquanto jornalistas, para fazer o documentário A Vida Secreta dos Lobos (terminado em 2004). A experiência transformadora fê-los abandonar Lisboa e apostar na Ecotura, um projeto de turismo sustentável assente em passeios pedestres e equestres. “Costumamos trabalhar com grupos pequenos, de cinco ou seis pessoas, para não deixar pegada ecológica”, conta Pedro. Criaram ainda a Ecotura Country House, um alojamento rural que serve de ponto de partida para as aventuras pela serra.

Acompanhamos o casal por um trilho inserido numa Área de Ambiente Natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), correspondente a espaços onde predominam valores naturais excecionalmente relevantes para a conservação da Natureza. “Só os residentes, os locais e as empresas turísticas licenciadas é que têm autorização para andar por aqui… é wilderness puro”, sublinha Pedro Alarcão. O cenário desdobra-se em carvalhais cerrados, bosques de bétulas, turfeiras, manchas de castanheiros e azevinhos, identificados pela dupla. Dos esquivos lobos apenas avistamos indícios da sua passagem. Cruzamo-nos, isso sim, com manadas de garranos a deambularem livremente, indiferentes à nossa presença. “Sem pressão humana, toda a vida selvagem se desenvolve”, diz o guia.

Apiturismo As abelhas dóceis de Paulo Gonçalves, da espécie Buckfast

Após a caminhada, há que rumar ao centro da vila e aconchegar o estômago. Aguarda-nos cabrito e bacalhau com broa na mesa da esplanada d’O Miradouro do Castelo, o restaurante aberto há mais de três décadas pelos pais de Paulo Azevedo, que ali cresceu e começou a trabalhar aos 12 anos. Enquanto fazia as licenciaturas em Marketing e Turismo, viu a sua geração emigrar. Paulo acreditava nas potencialidades de Castro Laboreiro. “É gratificante fazermos aquilo de que gostamos, na terra onde nascemos… há que ter a capacidade de inovar”, diz. Criou a Montes de Laboreiro, empresa que explora alojamento local, centros de atividade e o turismo de aventura e de Natureza. “As pessoas chegavam a Castro Laboreiro e perguntavam-nos sempre o que podiam fazer… além da subida ao castelo, não havia muito mais a sugerir”, recorda. Hoje, fazem passeios pedestres e de jipe, desportos aquáticos, além de atividades com a população local, desde saídas com pastores a workshops de pão castrejo. Entre as mais originais, está uma experiência de apicultura que permite tocar em abelhas sem ser picado, na aldeia de Virtelo, onde Paulo Gonçalves, da ProApis, cuida das suas Buckfast. Falamos de uma espécie híbrida, feita do cruzamento das melhores castas de abelhas, boa produtora de mel e muito dócil. “O que vendo aqui é o apiturismo”, descreve. Abre as colmeias sem qualquer proteção, mostra como as nossas mãos se podem cobrir do inseto em absoluta segurança, corta um pedaço de favo de mel e dá-nos a provar. Um lambuzar maravilhoso.

Garranos selvagens Andam livremente pela serra, indiferentes à nossa passagem

Para desbravar este território, aconselha-se uma passagem por uma das cinco portas do PNPG, Lamas de Mouro. E não se falhe a visita a espaços curiosos de Melgaço, como o Museu do Cinema e o Espaço Memória e Fronteira – dedicado à emigração e ao contrabando. O rio Minho, com condições ideais para a prática de desportos aquáticos radicais, também está ali à espreita. Joana Loureiro

Afonso Reis Cabral
ESCRITOR
Um País para visitar a pé e de improviso
Sugiro a aventura que conheço: este nosso país foi criado para ser visto a pé. Deixa-se pisar com facilidade, mais montanha, menos montanha. Começando nos passadiços agora endémicos ou mesmo indo às estradas, Portugal também é feito de outras linhas. São os vários trilhos e percursos pedestres, que cobrem muito mais do que os Caminhos de Santiago. Ao caminhar, sobretudo sozinhos, abrimo-nos ao imprevisto e aos outros. Um dia, hei-de explorar o Trilho dos Pescadores, a ver o mar em debate com as falésias. Ou mesmo imitar Nuno Ferreira, caminhando como ele de improviso. E, claro, para quem tenha tempo e bastante inconsciência, a Estrada Nacional 2 também deixa que lhe ponham a pata.
Nota: escreve sem Acordo Ortográfico

ONDE DORMIR
Ecotura Country House
Lugar do Queimadelo, Castro Laboreiro, Melgaço > T. 96 744 2217 > quarto duplo €80 ecotura.com

Montes de Laboreiro
Castro Laboreiro, Melgaço > T. 251 466 041 > a partir de €50 montesdelaboreiro.pt

Moinhos do Poço Verde
Lugar da Vila, Castro Laboreiro > casas a partir de €100 casadaurra.com

Monte Prado Hotel & SPA
Monte, Prado, Melgaço T. 251 400 130 > quarto duplo a partir de €54 hotelmonteprado.pt

ONDE COMER
O Miradouro do Castelo
Castro Laboreiro > T. 251 465 469

Adega do Sossego
Av. do Peso, 1179, Peso, Melgaço T. 251 404 308

Chafariz
Pç. Amadeu Abílio Lopes, Melgaço. T. 251 403 400

O Vidoeiro
Porto Ribeiro, Lamas de Mouro, Melgaço, T. 251 465 566

A VISITAR
Núcleo Museológico de Castro Laboreiro
Castro Laboreiro T. 251 465 016

Espaço Memória e Fronteira
R. Loja Nova, Melgaço, 251 418 106

Museu do Cinema
R. do Carvalho, Melgaço T. 251 401 575

Porta de Lamas de Mouro
Lamas de Mouro T. 251 465 010

Trás-os-Montes
A biodiversidade aqui tão perto

De Bragança a Miranda do Douro, a Rota da Terra Fria Transmontana faz-se entre bosques de carvalho-negral, javalis, corsos e aves raras, ao som das águas dos rios

Há 11 anos, quando o fotógrafo de Natureza António Sá se mudou, com a mulher e os dois filhos, de Espinho para a aldeia de Lagomar, em Bragança, à porta do Parque Natural de Montesinho, não surpreendeu quem lhe conhecia a paixão pelo Nordeste transmontano, onde ia amiúde. “A escolha não foi inocente e teve que ver com o coberto vegetal desta zona de floresta autóctone, de folha caduca que se altera a cada estação.” A brincar costuma dizer que muda de casa “de três em três meses”, ao ritmo dos diferentes tons de verde, amarelo e castanho do bosque de carvalhos que avista da janela de casa. Com os seus mais de 74 mil hectares de área protegida entre Bragança e Vinhais, a viagem ao Parque de Montesinho e às suas aldeias tipicamente transmontanas (são cerca de 90) é acompanhada por bosques de azinheiras, carvalho-negral, matos com urzais, coloridos giestais e estevais que se avistam à beira da estrada, onde habitam animais como corsos, javalis, veados ou lobos-ibéricos (o parque acolhe 80% dos mamíferos em Portugal).

Águas Os rios fazem parte da paisagem transmontana em Rio de Onor (à esq.) e Gimonde no Parque Natural de Montesinho, ou nas Arribas do Douro no Planalto Mirandês

A beleza dos lameiros na zona ribeirinha de Gimonde, bem como da sua ponte romana ladeada por ninhos de cegonha, merecem uma paragem demorada. Compre o pão típico cozido em forno a lenha e continue a viagem entre um mergulho na biodiversidade e dois dedos de conversa com as gentes das aldeias: Varge (conhecida pelos caretos e pela festa dos rapazes no inverno), Aveleda (pergunte pelo sr. Isidro, o artesão que faz máscaras de lata) e Montesinho (conhecida pelas suas casas típicas de pedra com dois pisos) são algumas a não perder.

Junto a Espanha, Rio de Onor ainda cultiva os terrenos nas margens do rio, muito aquém de outrora quando nesta aldeia comunitária se partilhavam terras, fornos, moinhos e até o touro. Da ponte romana observam-se as quedas de água do rio Onor, afluente do Sabor que nasce na serra da Culebra, em Zamora, e o gado que atravessa livremente a fronteira. De tão colada à espanhola Rihonor de Castilla, a aldeia-maravilha é uma mescla das gentes dos dois países: uns são o povo de cima, outros o povo de baixo. Num passeio facilmente se escutam as águas de ribeiros e riachos e, se tivermos sorte, ainda se avistam os javalis e os corsos. Os veados serão mais fáceis de encontrar no outono durante a época da brama (acasalamento). Só o urso-pardo que reapareceu por aqui em 2019, não terá sido mais visto. Na aldeia de Vilarinho, o apicultor Luís Correia nunca mais deu por falta do mel de castanheiro nas suas 800 colmeias – na época, o animal terá lambido mais de 50 quilos.

E porque todos os caminhos da Rota da Terra Fria Transmontana vão dar ao Planalto Mirandês, junte-se-lhe uma viagem no cruzeiro ambiental pelo Parque Natural do Douro Internacional (a fazer 23 anos), em Miranda do Douro. A pouco menos de uma hora de Bragança, embarcamos num passeio transfronteiriço que atravessa as arribas do Douro e os seus grandes rochedos verticais de granito, com 250 metros de altura e 50 metros de profundidade, observando (e escutando) aves raras como a águia-real, o grifo, a cegonha-preta, a água-de-bonelli ou o abutre-do-egito. “Desliguem e desfrutem”, pedem os guias do cruzeiro da Europarques assim que o barco larga as amarras. Um bálsamo da Natureza. Florbela Alves

SÓNIA TAVARES
VOCALISTA DOS THE GIFT
Adormecer a ver as estrelas na Lousã
Descobri por acaso O Homem Verde, um alojamento de glamping selvagem, como eles dizem, na serra da Lousã. Existem dois yurts, tendas mongóis giríssimas, que permitem ver as estrelas à noite. Foi uma forma engraçada de introduzir o meu filho à Natureza. Fica no meio da serra e não se ouve nada, além de passarinhos e a cascata ao longe. No exterior, há uma kitchenette onde fizemos questão de jantar ao som dos grilos. Como não há internet nem rede, jogámos às cartas. A casa de banho é de madeira e o duche, no meio das árvores, parece tirado de um anúncio. Ali ao lado, há a praia fluvial da Louçainha, que é uma autêntica piscina natural e é fantástica para crianças e adultos. Havia sapos pré-históricos, cobras de água e apareceu um lagarto de cabeça azul… parecia o National Geographic.

ONDE DORMIR
Bétula Studios
Lagomar, Bragança > T. 93 927 4364 > a partir €80 > betula-studios.business.site

A. MontesinhoR. Coronel Álvaro Cepeda, 1, Gimonde > T. 273 302 510 > a partir €57 (quarto duplo), €102 (casas) > amontesinho.pt

Casa do Rio
R. da Lagoa, 7, Rio de Onor > T. 96 280 9655 > a partir €100 > casarionor.com

Casas de Campo Cimo da Quinta
Lgo. do Chafariz, Pena Branca, Miranda do Douro > T. 93 776 6774 > a partir €55 > cimodaquinta.pt

ONDE COMER
O Abel
R. do Sabor, Gimonde > T. 273 382 555

Taberna do Javali
R. Dom Fernando O Bravo, nº 46, Bragança > T. 93 685 4789

Solar Bragançano
Pça. da Sé, Bragança > T. 273 323 875

Gabriela
Lgo. Da Igreja, 27, Sendim > T. 273 739 180

A VISITAR
Parque Biológico de Vinhais
Alto da Cidadelha, Vinhais > T. 273 771 040, 93 326 0304

Cruzeiro Ambiental Europarques
Parque Náutico, Miranda do Douro > T. 273 432 396 > €18

Centro Valorização Burro de Miranda
Atenor, Miranda do Douro > T. 273 739 307

Foz Côa
Marcas de outros tempos

Em Foz Côa, as aulas sobre o Paleolítico são ao vivo. E podem acontecer a bordo de um caiaque, enquanto se desce o rio, e antes de um piquenique junto aos achados

As gravuras sabem nadar Além das visitas guiadas, de dia e de noite, agora pode aceder-se aos lugares mais emblemáticos do parque arqueológico através do Côa

O dia começa cedo para quem quer descobrir as gravuras de Foz Côa pelo rio. Nas épocas de calor que se avizinham, e aqui o verão pode ser implacável, será a melhor opção, asseguramos. Desde há dois anos que o Museu do Côa organiza estes passeios de caiaque com paragens estratégicas para avistar os achados arqueológicos da região. A beleza do caminho até lá chegarmos, por entre a vegetação que quase nos engole num verde sem fim, merece o esforço resgatado aos braços para fazer andar a embarcação rio abaixo, rio acima.

Esta atividade inicia-se na Canada do Inferno e atravessa o coração do vale sagrado, que integra a Reserva Ecológica Nacional. Entre as espécies com que nos podemos cruzar, pelo meio de vegetação autóctone, incluem-se os grifos, cegonhas-negras ou águias-reais.

Enquanto remamos, não nos sai da cabeça a promessa de piquenique com produtos regionais, incluída no preço do bilhete. Devemos dizer que foi cumprida à risca, no Fariseu (onde recentemente se descobriu a maior gravura do mundo ao ar livre, um auroque com mais de três metros), com enchidos, queijos e vinho à mesa, mesmo quando a barriga acusa o adiantado da manhã e o esforço da aventura.

O percurso termina perto do museu e é para lá que seguimos para complementar com teoria aquilo que apreendemos na prática. A visita, num edifício de arquitetura moderna que também vale ser apreciado, não só refresca das temperaturas altas, como enriquece o espírito. E se o piquenique não tiver sido suficiente para apaziguar o apetite, também existe aqui um bom restaurante e loja de produtos típicos, com destaque para os vinhos do Douro.

As visitas noturnas às gravuras do Vale do Côa, no sítio da Penascosa, são outra opção original para descobrir, de lanterna em riste, a silhueta de uma cabra-montês ou de um salmão inscritos no xisto, junto ao rio Côa. Como brinde nesta noitada especial, recebe-se o canto dos rouxinóis e dos grilos.

Se a estadia se prolongar para lá das gravuras, saiba que estamos numa região rodeada de aldeias históricas, sítios muito bem recuperados, a funcionarem em rede e dignos de uma visita com contornos ancestrais. Marialva, uma vila medieval que chegou a ser sede de concelho, Castelo Rodrigo, antiga aldeia da mesma época, ou Almeida, a vila onde se pode percorrer a fortaleza com traçado hexagonal em estrela, são apenas três bons exemplos do que ficou escrito atrás.

O remate ideal para esta escapada com memória de outros tempos, é o Parque Natural do Douro Internacional, que marca a fronteira entre Portugal e Espanha e oferece um rio selvagem perfeitamente esmagado entre enormes arribas. Para bem observar este tracejado dos deuses, há que aproveitar os miradouros que vão surgindo ao longo da estrada e que dão perfeitos postais de recordação desta viagem. Luísa Oliveira

ONDE DORMIR
A Queijaria
Rua de São Sebastião, Barreira T. 93 376 9000 > a partir de €67 aqueijaria.business.site

Casa da Cisterna
Castelo Rodrigo > T. 91 761 8122 > a partir de €70 casadacisterna.com

ONDE COMER
Restaurante Côa Museu
Rua do Museu, Vila Nova de Foz Côa >T. 93 215 0155

Petiscaria Preguiça
Quinta Chão do Ribeiro, Mós T. 279 789 432

A VISITAR
Museu do Côa
Fundação Côa Parque, Rua do Museu, Vila Nova de Foz Côa T. 279 768 260 (entrada adulto €7; visita de caiaque adulto €40; visita noturna adulto €20)

Serra da Estrela
Da ovelha ao queijo, da lã ao burel

No Parque Natural da Serra da Estrela, são mantidos muitos dos usos e costumes cujas origens se perderam no tempo

Aldeia Histórica Em Linhares da Beira, entre um passeio pelas ruas típicas e uma visita ao castelo, ainda se voa de parapente

É muito mais do que neve a maior área protegida portuguesa de origem glaciar, com covões e cerca de 25 lagoas naturais. Há tradições que teimam em não desaparecer (e ainda bem!), muito pela teimosia das suas gentes, como Célia Silva, 37 anos, formada em Zootecnia e que largou a cidade “para continuar o rebanho dos avós” em Vide Entre Vinhas, Celorico da Beira. As suas 250 ovelhas de raça bordaleira fornecem-lhe o leite com o qual fabrica o queijo e o requeijão DOP (Denominação de Origem Protegida) na sua Casa Agrícola dos Arais. Por marcação, pode visitar-se a queijaria assistindo à ordenha e ao processo de fabrico que decorre até final de junho. O rebanho de Célia Silva foi tosquiado nos últimos dias tal como o da Quinta de Madre de Água, em Vinhó, Gouveia, seguindo uma tradição antiga que alivia os animais do calor antes que cheguem os meses de canícula. Em Vinhó, mesmo que não se fique a pernoitar no hotel rural da quinta, poderá acompanhar-se o pastor António quando este levar as suas 260 ovelhas, de cor castanha e branca, a pastar, guardadas pelo cão serra-da-estrela (€5/visita). Só terá de acordar cedo.

Pertença Na Quinta de Madre de Água, em Gouveia, acompanha-se o pastor

Pelos vales do Mondego e do Zêzere perpetuam-se tradições como estas, ligadas à pastorícia. Da lã das ovelhas tosquiadas tem renascido o burel, eternizado pelas antigas capas dos pastores, mas que tem ganho outras cores e funcionalidades ao longo dos últimos anos, muito por culpa do empreendedorismo de Isabel Costa e de João Tomás, que recuperaram uma antiga fábrica de lanifícios, na vila de Manteigas, e a puseram nas bocas do mundo. A Burel Factory está aberta a visitas (por marcação), podendo assistir-se ao processo de fabrico dos tecidos, observando algumas máquinas antigas ainda em funcionamento. Origem semelhante tem o cobertor de papa, manta peluda nascida em antigos teares que antigamente ocuparam as aldeias de Trinta, Maçainhas e Meios. Nesta última, no concelho da Guarda, foi erguido um Museu da Tecelagem numa antiga fábrica, para contar a história deste cobertor feito a partir da lã de ovelha churra ou merina. A trabalhar nesta arte desde os 11 anos, é ao tecelão José Teles quem cabe habitualmente a explicação sobre o processo antigo e moroso que passava por fiar a lã, tecer os fios, lavar os cobertores numa tina com água e terra avermelhada que mais parecia uma papa de bebé (daí a origem do nome), depois secar ao sol.

Tradição No Museu de Tecelagem, em Meios, conta-se o fabrico do cobertor de papa

Não muito longe, em Videmonte, é o pão cozido em forno a lenha a ocupar os dias de Manuel Proença, 57 anos. Nesta Aldeia de Montanha já não se veem os mesmos campos de searas de antigamente “e, por isso, a farinha tem de ser comprada fora”, queixa-se Manuel. Mas as voltas que dá ao pão são as mesmas que a mãe lhe ensinou: “A massa é feita todos os dias de madrugada, fica duas horas a levedar tapada com um cobertor e vai a cozer no forno de pedra com lenha de castanheiro.” Às sextas, entrega as fornadas na Guarda, mas quem lhe bater à porta terá sempre pão para o caminho. De Videmonte a Linhares da Beira é um pulinho. Além da visita obrigatória ao castelo e às suas ruas típicas, o Clube Vertical organiza batismos de voo em parapente (€65/20 min) que sobrevoam esta Aldeia Histórica e garantem outra panorâmica da Estrela. Florbela Alves

FRANCISCA VAN ZELLER
Enóloga
Um copo entre hectares de beleza botânica
Numa época em que vivemos a “eletrificação do tempo” (José Bragança de Miranda), que nos distancia de comunidades que preservam práticas que nos foram moldando culturalmente, gosto de regressar a lugares com tradições, como a Quinta da Aveleda, em Penafiel. Num jardim com oito hectares de beleza botânica, fica-se a conhecer um lugar romântico com construções pitorescas como a casa do porteiro e a casa de chá. Pode ainda visitar-se a cozinha velha, onde se faz pão artesanal e sopa das vindimas, em setembro. Na reserva, peça um cesto de piquenique para degustar iguarias locais, acompanhado por vinhos verdes ou do Douro, onde se mantêm práticas tradicionais, por exemplo, no recentemente premiado Quinta Vale D. Maria Vinha da Francisca. Recomendo ainda os restaurantes locais Farela, Cancela Velha e Brouas.

ONDE DORMIR
Hotel Rural Madre de Água
Vinhó, Gouveia > T. 238 490 500 > a partir €120 > quintamadredeagua.pt

Inatel Linhares da Beira
Lgo. da Misericórdia, Linhares da Beira > T. 271 776 081 > a partir €74,40 (quarto duplo)

Casa Cerro da Correia/Casa da Sicó
Cerro da Correia, Manteigas > T. 96 678 7834 > Casas (8 pax): €120 a €150 > casacerrodacorreia.pt

Casas Retiro de Xisto
R. da Igreja, Videmonte T. 91 438 1254 > a partir €65 (T1), €75 (T2)

ONDE COMER
Cova da Loba
Lgo. da Igreja, Linhares da Beira > T. 271 776 119, 91 422 4533

Soadro do Zêzere
EN232, Valhelhas > T. 275 487 114, 96 443 7709

Vallecula
Pça. Dr. José de Castro, 1, Valhelhas > T. 275 487 123

O Albertino
Folgosinho > T. 238 745 266, 96 267 4201

A VISITAR
Burel Factory Amieiros Verdes, Manteigas > T. 91 328 5370 > seg-sex 11h, 16h, sáb 11h > grátis

Museu de Tecelagem
Meios, Guarda > 271 591 046 > seg-sáb 9h-17h > grátis

Casa Agrícola dos Arais
Lugar dos Arais, 37, Vide Entre Vinhas, Celorico da Beira > T. 96 344 1434

Tejo
Passeio de água doce

As aldeias em redor do rio Tejo emaranham-se nas redes da lampreia, do sável e das enguias

Paz Os passeios de barco com Madalena de Mello Viana mostram todos os recantos deste pedaço de rio, sempre com aves por companhia

A parte final do caminho para chegarmos a Escaroupim, a única das 12 aldeias avieiras que está recuperada, faz-se por entre arrozais alagados e campos de tomate a perder de vista. Estamos no mês das enguias, anuncia um cartaz, e logo as imaginamos à mesa do almoço, fritas e com arroz de tomate.

Madalena de Mello Viana acena-nos de dentro da sua bateira, ancorada no cais e apressa-se a levar-nos rio acima. Ainda estamos de boca aberta com a quantidade de garças de seis espécies diferentes que avistamos no mouchão em frente a Escaroupim e já apontamos que estas aldeias nascidas nas margens do Tejo são fruto da migração de pescadores de Vieira de Leiria. “No início do século XX vinham para aqui pescar, para fugirem às agruras do mar durante o inverno”, sintetiza a dona da empresa Ollem, especializada em passeios nesta região.

Ao fim de algum tempo, os pescadores acabaram por se fixar, construindo pequenas barracas em caniço e depois em madeira, sempre com cores garridas, pois eram pintadas com as tintas dos barcos. Como se estabeleceram muito próximo de um leito de cheias, as casas foram erguidas em cima de estacas para protegê-las das intempéries do Ribatejo.

Paixões Conhecer esta região do Ribatejo, em que a enguia é rainha, na garupa de um cavalo lusitano, surge como uma excelente opção

Quando sairmos desta embarcação, havemos de ir espreitar uma dessas casas típicas, visitáveis em Escaroupim, assim como o museu da cultura avieira, que fica na antiga escola primária da aldeia. E ouvir Cassilda Rabita, de 81 anos, a lembrar como veio ao mundo em pleno rio, enquanto o pai e a mãe andavam na pescaria.

Passamos agora pelo mouchão dos cavalos e vemo-los a pastar e a serem treinados na coudelaria Seabra. “Estes não são puros lusitanos porque participam no concurso completo de equitação”, explica Madalena, enquanto nos dirigimos a Valada, na outra margem, e passamos pelo cadáver de um enorme barco que em tempos vinha aqui buscar areia para a construção de autoestradas.

Lá mais ao longe, a Ponte Rainha D. Amélia, inaugurada em 1904, convida-nos a passar sobre ela assim que voltarmos a terra para mudarmos do concelho de Salvaterra de Magos para o do Cartaxo. Por ora, fazemo-lo pelo rio e depois brindamos a isso com um café e um pampilho no Beira Tejo Bar, junto à praia fluvial de Valada. Nem saboreamos o doce regional como deve ser, pois estamos de olho numa saboga gigante presa na linha da cana de Jorge Pereira, 54 anos, um estreante na pescaria. “Vim para aqui passar o tempo, porque fiquei desempregado”, conta, enquanto debita a forma de cozinhar o peixe que haveria de ser o petisco do final da Taça. O peregrino que anda no caminho de Santiago também abranda para apreciar este exemplar. Nas suas costas ficou agora o dique, construído em 1881, que protege estas terriolas da fúria do Tejo numa extensão de dezenas de quilómetros entre a Azambuja e Santarém. Passando por cima dele, veem-se melhor os casarões de família que preenchem a marginal.

Aproveitando a maré alta, vamos agora visitar Palhota, outra aldeia avieira. Encontramos Maria Carolina, 79 anos, e a sua irmã Emília, com 66, ambas de vida ligada às redes, cerzidas para ajudar os maridos na faina. A mais velha recorda que se casou aqui mesmo e a lua de mel consumou-a no barco que agora está de pernas para o ar e com um furo no casco, junto a uma árvore. Há mais de 50 anos, a embarcação acondicionava quarto, sala e zona para as redes, tal como todos os que andavam pelo Tejo. “Um luxo: tinha sol e era feliz”, remata, sempre disposta a mais um dedinho de conversa. Em tempos, Alves Redol viveu em Palhota, em convívio com estes pescadores, para escrever o romance Avieiros.

Antes de regressarmos a Escaroupim para as tais enguias fritas, vamos até a uma barreira de areia em que se encontram bandos de pequenas andorinhas a esvoaçarem, pelo menos até junho, altura em que migram para paragens frescas. Mais à frente, hipnotizamos perante o voo de um milhafre-preto, mas não faltam aves para se observar durante este passeio. Nas margens, os choupos beijam a água para fixar a terra e não deixar que ela as invada.

Como, entretanto, ouvimos Cassilda contar que nasceu “mesmo à direita da ponte de quem vai para Muge”, decidimos enveredar pela estrada até chegarmos a esse local. Muge não tem nada que ver, mas só a sensação de passar pela ponte de ferro inaugurada pelo rei D. Carlos já vale o caminho. Isso e ser este o percurso para chegar à Vala Real e ao palácio das Obras Novas, do final do século XVIII, a cair aos pedaços, infelizmente.

Fechamos com chave de ouro, ao seguir o curso de água que dantes transportava pessoas e mercadorias entre Lisboa e Vila Nova de Constância e que desagua no tal edifício de arquitetura neoclássica, num sossego sem fim. Meia volta, volver, que a capital está a menos de uma hora de distância. Guardemos, no entanto, para memória futura, o canto dos passarinhos que escapa das duas enormes figueiras aonde as aves se escondem. Luísa Oliveira

ONDE DORMIR
Quinta da Marchanta
Rua do Maltratado, 93, Porto de Muge T. 91 720 4758 > a partir de €90 marchanta.pt

ONDE COMER
Escaroupim
Lg. dos Avieiros, 3, Escaroupim T. 263 107 332

TRE
Quinta da Marchanta, Porto de Muge T. 93 270 0239

Bar Tejo
Rua da Praia Fluvial, Valada T. 91 821 6875

A VISITAR
Museu Escaroupim e o Rio e Casa Típica Avieira
Escaroupim T. 96 241 1168(gratuito, sob marcação)

Passeios de barco
Ollem T. 91 720 4758

Passeios de cavalo lusitano
Quinta da Marchanta, Porto de Muge T. 91 720 4758 (€40-€60)

Alto Alentejo
Costumes ancestrais

Um percurso de 60 quilómetros em linha reta, em terras de pedras primitivas, javalis e raposas, queijo, bordados, olaria, açafrão…

Coudelaria Em Alter do Chão, todos os dias, pelas 15h30, as éguas são soltas para irem dormir no campo, em estado selvagem

Há males que vêm por bem. Que todos os enganos do GPS nos levem a estradas tão bonitas como a municipal 1007, com a Barragem de Póvoa e Meadas em pano de fundo. Papoilas, espigas, florzinhas amarelas e roxas contrastam com esguios eucaliptos. Neste montado de carvalho-negral, no Parque Natural da Serra de S. Mamede, são várias as pedras milenares: Anta dos Currais do Galhordas, monumento funerário megalítico; Chafurdão Vale de Cales, construído para alojamento temporário de agricultores e pastores; Menir do Patalou, com quatro metros de comprimento e sete toneladas de peso, terá sido talhado no quinto milénio a.C.

Uma verdadeira viagem no tempo que recua ainda mais chegados a Vila Velha de Ródão com as suas vertiginosas e imponentes Portas de Ródão, classificadas, em 2009, como Monumento Natural – um dos oito existentes em Portugal. Aqui, as margens do rio Tejo aproximam-se graças à erosão das escarpas com 2,5 milhões de anos. É obrigatório ir até meio da ponte e tirar a fotografia da praxe. Lá em baixo, passa o comboio da Linha da Beira Baixa para a estação de Fratel; no alto, a mais de 170 metros, o Castelo do Rei Wamba dá outra bela panorâmica. Onde outrora viveu uma das mais antigas comunidades pré-históricas, esta torre de vigia do século XII permitia controlar a fronteira do Tejo com os muçulmanos e foi ponto de passagem das invasões militares franco-espanholas. Neste céu sobrevoam a maior colónia de grifos de Portugal, a rara cegonha-negra, e mais 116 espécies de aves.

Tradição O irresistível queijo de Nisa, feito com leite cru de ovelha da raça regional merina-branca

Antes que o calor aperte, fazemo-nos à estrada até Nisa, para daí a 30 minutos chegar ao Miradouro Transparente do Tejo – Skywalk, junto à Barragem de Fratel, onde começa o Trilho da Barca d’Amieira (3,6 km fáceis de percorrer). Pelo passadiço de madeira rapidamente chegamos à grande novidade da temporada, os dois baloiços pintados de lilás, para logo depois estremecermos na ponte pedonal suspensa sobre a ribeira de Figueiró. O rio Tejo é a nossa companhia numa zona com as casas pintadas de branco e amarelo, rica em enormes cogumelos de granito (blocos pedúnculos), bordados, olaria pedrada e o irresistível queijo de Nisa, feito com leite cru de ovelha da raça regional merina-branca.

Chegar a Alter do Chão, à mais antiga coudelaria do mundo a trabalhar ininterruptamente (há 273 anos) e ter a sorte de assistir à eguada da tarde é um privilégio. Todos os dias, pelas 15h30, as éguas são soltas para irem dormir no campo, em estado selvagem. Na manhã seguinte, pelas 10h30, regressam ao estábulo.
Fundada em 1748 pelo rei D. João V, com o objetivo de trazer para Portugal a arte equestre e o cavalo usitano, tem há um ano o hotel Vila Galé Collection Alter Real como “inquilino”. Também a falcoaria foi reativada e proporciona o contacto com 35 aves, entre falcões de várias espécies, águias, corujas, bufos-reais, açores, gaviões e búteos. Na visita guiada, fica a conhecer mais sobre a morfologia das aves e as técnicas de altos e baixos voos. Há cinco anos, a falcoaria portuguesa foi classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Neste Alto Alentejo, os sabores gastronómicos passam pelo prato típico de arroz amarelo e ensopado de borrego, muito graças ao “açafrão do Mestre Xico”. Francisco da Silva, 67 anos, antigo mecânico já na reforma, planta as sementes de açafroa tal como via a sua mãe fazer quando era miúdo. Semeia em outubro ou em dezembro para colher sempre entre o final de maio e o início de junho. Com o preço do quilo a rondar os €500 em supermercados de referência, na terra não havia casamento ou batizado que não tivesse como repasto o arroz amarelo com ensopado de borrego, mas o açafrão também serve para fazer bolos, sabonetes, tabletes de chocolate, arroz-doce e licor.

Terminamos a visita a 400 metros de altura, em Alter Pedroso, com uma arrebatadora vista panorâmica de 360 graus. Sónia Calheiros

ONDE DORMIR
Monte do Pego
Arneiro, Vila Velha de Ródão T. 93 927 4364 > €90

Vila Portuguesa
R. das Pesqueiras, 33, Vila Velha de Ródão > T. 272 541 138 > €60

Vila Galé Collection Alter Real
Coudelaria de Alter, Tapada do Arneiro, Alter do Chão T. 245 240 130 a partir €98

ONDE COMER
O Álvaro
Lg. Capitão António Manuel Simão Redondo, 58, Urra T. 245 382 283

Solar do Forcado
R. Cândido dos Reis, 14, Portalegre T. 245 330 866

Tapada das Safras
Alpalhão T. 96 405 0637

O Candeeirinho
R. Cândido dos Reis, 55, Seda T. 245 636 046

Páteo Real
Av. Dr. João Pestana, 37, Alter do Chão T. 96 015 5363

A VISITAR
Centro de Interpretação da Arte Rupestre do Vale do Tejo
Vila Velha de Ródão T. 96 344 5866

Museu do Bordado e do Barro
Nisa T. 245 429 426

Queijaria Louro & Louro
Nisa T. 96 706 9171, 245 413 482

Museu da Tapeçaria de Portalegre
Portalegre T. 245 307 530

Palácio do Álamo e jardins
Alter do Chão T. 245 612 385

Baixo Alentejo
Nas muralhas falam as pedras

Rica em arte azulejar, vestígios de outras épocas e tradições seculares, é num passeio a pé pelo centro histórico, de olhos postos nos pormenores, que se descobre a beleza de Beja

Riqueza patrimonial É preciso caminhar com vagar para descobrir todos os segredos de Beja

É preciso ganhar fôlego para vencer os quase 200 degraus até ao topo da torre de menagem do Castelo de Beja, mas não vale desistir. A vista lá de cima, a 40 metros de altura, mostra tudo o que está à volta num raio de vários quilómetros. Exploramos a cidade num percurso pedestre que nos revela o que está por detrás dos panos de muralha e das 28 torres que restam, além de um centro histórico rico em património material e imaterial. “Em Beja, há 550 anos de história do azulejo. Temos mais de 40 ruas onde estão visíveis, mas é no interior de construções, como a Sé de Beja, e na sala do capítulo do antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição (atual Museu Regional de Beja) que está a maior riqueza. É uma terra feita de pormenores e, por isso, é preciso entrar para ver. Por fora, a linguagem é simples, sem exuberâncias”, conta Florival Baiôa Monteiro, presidente da Associação de Defesa do Património Cultural de Beja, que, entre vários projetos culturais, promoveu a recuperação do forno da Tia Bia Gadelha, onde se revitalizou a tradição da cozedura do pão a lenha.

Rua a rua, da mouraria à judiaria, passando pela Praça da República, onde se localizava o fórum na época romana, cujos vestígios serão visíveis no Centro de Arqueologia e Artes – os núcleos museológicos da Rua do Sembrano e o Visigótico contam mais de 2 500 anos de história da cidade –, vão-se encontrando vários pontos de interesse. Da Janela Manuelina, na rua Afonso Costa, ao Passo da Rua Ancha, das esculturas de Jorge Vieira, com museu visitável na Casa do Governador (dentro do castelo), às obras de arte urbana de Vhils, Bordalo II ou Kruella D’Enfer, é preciso caminhar com vagar para descobrir todos os segredos. Se, ao final do dia, lhe soar a cante alentejano, é porque está próximo do Centro Unesco para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial. Entre, experimente uma oficina de buinho e assista aos ensaios abertos, onde também se ouve fado e canções, rezas e estórias de vida integradas no projeto A Música Portuguesa a Gostar dela Própria que guarda a tradição oral, não só desta região mas do País. Recupere-se o fôlego numa das muitas esplanadas, com doces ou petiscos, para depois se voltar a perder nestas ruas. Susana Lopes Faustino

ONDE DORMIR

Aljana Guest House
R. Dr. Aresta Branco, 1, Beja > T. 91 057 5151 > A partir €90

Guesthouse Stories
R. Dr. Afonso Costa, 22-24, Beja > T. 284 327 033 > A partir €40

Pousada Convento Beja
Lg. D. Nuno Álvares Pereira, Beja > T. 284 313 580 > A partir €99

ONDE COMER

Luiz da Rocha
R. Capitão João Francisco Sousa, 63, Beja > T. 284 323 179

Maltesinhas
Terreiro dos Valentes, 7, Beja > T. 284 321 500

Café do Mercado
R. da Igreja, 8, Salvada, Beja > T. 284 947 301

Toi Faróis
R. Joaquim das Neves, Porto Peles > T. 245 636 046

A VISITAR

Castelo de Beja
Lg. Dr. Lima Faleiro > T. 284 311 913

Museu Regional de Beja
Lg. da Conceição > T. 284 323 351

Centro Unesco
R. do Sembrano, 78 > T. 284 311 818

Sé Catedral
Lg. do Lidador

Sagres
Onde há tanto mar…

Chegar a um dos cantos mais bonitos da Pensínsula Ibérica e perceber que temos oceano por quase todos os lados não é um queixume, mas uma alegria

Surf Não é por acaso que esta região é muito apreciada pelos praticantes desta modalidade – o mar é perfeito e a boa onda uma constante

No porto da Baleeira, sempre que as gaivotas esvoaçam mais do que achamos normal é sinal de que os barcos, carregados de alimento, estão a chegar, depois de uma noite de faina. Para vermos melhor a entrada do peixe na lota e a sua negociação entre os pescadores e os compradores, há que subir à varanda do restaurante A Sereia. Depois, aproveitamos a deixa e perdemo-nos num dos petiscos da ementa.

De barriga consolada, é tempo de pedalar até à fortaleza, construída no século XV, que fica a apenas dez minutos de distância. Pode-se entrar em duas rodas neste monumento impressionante e percorrer os seus caminhos a toda a volta, pedindo licença aos peões que por aqui andam, também deliciados com o que os olhos alcançam – o mar, sempre o mar, tanto mar. Este forte fica num promontório escarpado, a leste do cabo de São Vicente. É para este canto da Península Ibérica que vamos já a seguir, agora de carro, com a intenção de apreciar o pôr do sol no extremo sudoeste de Portugal Continental e no final do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. A promessa de ter pela frente um jantar de marisco (percebes, se faz favor), ou de peixe fresco numa cataplana, por exemplo, complementa um dia bem passado, sempre com o oceano por companhia.Se estiver ventoso, já se sabe, o mar também crescerá mais do que apetece – que isso não seja razão para fugirmos de um passeio de barco para acenar aos golfinhos. Garantimos que, ao primeiro avistamento, secundado por explicações de guias biólogos marinhos, o tamanho das ondas passa a ser um pormenor. E é muito raro voltar a terra desiludido, porque as rotas são definidas pelo registo diário, uma vez que não existem pontos de observação. Pelo menos, é assim que trabalha Sara Magalhães, da Mar Ilimitado, empresa que criou em Sagres com o marido, depois de viverem nos Açores. “Quisemos manter o nível da beleza natural”, revela a investigadora, apaixonada por este Algarve. Se era para continuarem rodeados de mar, não podiam ter feito melhor troca. Luísa Oliveira

Lena d’Água
CANTORA
Escolham Santa Maria!
Uma vez fui cantar à ilha de Santa Maria, nos Açores, e é espetacular, linda de morrer. Eles têm um cuidado extremo com a manutenção das casinhas, está tudo pintadinho, com jardinzinhos. E o clima? Nunca está muito frio nem muito calor. E depois há aquelas águas maravilhosas, quentinhas… Fiquei apaixonada. Em vez de irem ao estrangeiro, vão até aos Açores. Muita gente nem imagina a beleza de Santa Maria. A nível da gastronomia, também se come muito bem, tanto carne (que não como há mais de dez anos) como peixe (que ainda como esporadicamente). O espírito é o de uma aldeia, com as chaves deixadas na porta de casa.

ONDE DORMIR
Memmo Baleeira
Sítio da Baleeira T. 282 624 212 > a partir de €100 memmohotels.com/baleeira/pt

ONDE COMER
Mar à Vista
Sítio da Mareta T. 96 290 9429

A VISITAR
Fortaleza de Sagres
Rua da Fortaleza T. 282 620 142 (entrada €3)

Mar Ilimitado
Porto da Baleeira T. 91 683 2625 (passeios para ver golfinhos €25)

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