A moda do skinimalismo ou a arte de parecer natural

Simplificar as rotinas diárias da maquilhagem e do tratamento do rosto ganhou importância nos novos hábitos adquiridos com os confinamentos. E parece que vieram para ficar. Depois de ter entrado na alimentação e na moda, o movimento “slow” propagou-se ao mundo da beleza, incutindo novos rituais ou os mesmos gestos, só que em modo desacelerado. O “skinimalismo” – termo que deriva das palavras em inglês pele (skin) e minimalismo – nascia há um ano, inicialmente sem nome, mas o Pinterest viria a batizá-lo no seu relatório anual de previsões de tendências para 2021. “É o fim do look da maquilhagem carregada. Os pinners irão abraçar a beleza de forma lenta e deixar a textura natural da pele brilhar. Esta nova rotina ‘chique sem esforço’ é simples e sustentável”, lê-se na definição da rede social de partilha apenas de imagens.

Esqueça-se a parafernália de produtos que ao longo da vida se foram acumulando nos armários, desde gel de limpeza a tónicos esfoliantes, dos cremes hidratantes de dia e de noite aos óleos faciais, dos séruns às máscaras, dos cremes de olhos ao protetor solar. É também o fim das diversas camadas de base, pós, corretores e outros produtos de cosmética usados para disfarçar as imperfeições do rosto. O “skinimalismo” faz a apologia do essencial, numa escolha pensada para ser mais sustentável, com um aspeto final mais leve e mais natural, e menos pesada para o bolso dos consumidores.

“Os movimentos de beleza estão sempre associados a movimentos sociais”, explica Sofia Cunha, conselheira de beleza da Lancôme. “Em casa, as pessoas desenvolveram novos rituais de forma a gastarem melhor o tempo.”

Para o maquilhador Duarte de Assunção, está a acontecer uma transição na cosmética e uma transformação dos padrões do corpo e do rosto perfeitos. “Numa indústria em que o mais era melhor, agora o menos é mais. E o menos não está relacionado com o uso de menos produtos, mas com uma aparência mais natural. Não é para aparentarem ser mais novas, mas sim para parecerem mais saudáveis.”

Tratar do rosto em menos passos

1
Antes de maquilhar, é preciso limpar, tonificar, hidratar e proteger do sol.

2
De manhã, deve usar-se o tónico de limpeza seguido do hidratante certo para cada tipo de pele (com fator de proteção solar ou então com um protetor à parte), sem esquecer o creme de contorno de olhos.

3
À noite, quem usou maquilhagem deve fazer uma dupla limpeza para retirar bem os produtos com cor e finalizar com um creme hidratante.

O lado sustentável do “skinimalismo”, refletindo-se no meio ambiente, mas também na carteira das pessoas, traz ainda vários benefícios para a saúde da pele. Em indústrias como o audiovisual e as artes, em que os seus intervenientes continuam a usar camadas e camadas de produtos e de maquilhagem, é comum a pele ficar “cansada de tantas pastas a taparem os poros, a não deixarem respirar, a criarem borbulhas ou outras irritações que as pessoas não costumavam ter”, refere o dermatologista Fernando Guerra. Não é de estranhar, por isso, que surjam manchas, vermelhidão por hipersensibilidade, irritação, erupções cutâneas, erupções inflamadas ou surtos de doenças como dermatite perioral (prurido em redor da boca) por se experimentarem amiúde novas fórmulas, de forma incorreta ou combinando muitos ativos. “A pele deve descansar um dia por semana”, avisa Fernando Guerra, que defende o uso diário de protetor solar, creme hidratante e de contorno de olhos. “É fundamental manter a higiene da pele. As pessoas habituaram-se a algo mais simples e vão continuar. Estão interessadas em melhorar o aspeto, mas a maquilhagem tornou-se secundária para muitas.”

Natural e a brilhar
Estar mais tempo em casa levou a que as pessoas ganhassem disponibilidade para se observarem ao espelho. O teletrabalho retirou-lhes – principalmente às mulheres – a obrigação de se maquilharem para ir ao escritório e começaram a assumir borbulhas, cicatrizes, rugas, acne, rosácea ou qualquer outra imperfeição da pele.

A famosa rotina dos dez passos, inspirados nos cânones de beleza coreanos, um tratamento com várias camadas de produtos, é agora otimizada, segundo Sofia Cunha. Os consumidores procuram produtos mais sustentáveis, e marcas clássicas como a Lancôme respondem, diminuindo também o seu desperdício, criando ambientes sustentáveis para o cultivo dos ingredientes, limitando a pegada ecológica através de embalagens recarregáveis e recicláveis. “A rotina é adaptada às necessidades de cada pessoa que procura boas fórmulas, produtos que não sejam para usar de uma só forma”, explica.

Duarte de Assunção corrobora a procura de produtos com mais do que uma função, como as bases que também são hidratantes ou contêm protetor solar, os corretores com ácido hialurónico para a zona ocular, os batons cada vez menos mate para não secarem os lábios, mas com menta ou canela nos ingredientes, para darem o efeito de lábio maior. “E, se no primeiro confinamento houve uma maior preocupação em tratar a pele e parar de usar maquilhagem, agora já se retomou a maquilhagem, mas com acabamentos mais naturais”, reforça Sofia Cunha.

No ano passado, segundo dados do Pinterest, aumentou em 110% a procura de “produtos caseiros para a pele”, 115% de “máscara facial de aloé vera” e 180% de “maquilhagem natural do dia a dia”; quadruplicaram as pesquisas de“como obter naturalmente pele brilhante” e exercícios de ioga facial.

De acordo com o relatório de consumo do grupo NPD, empresa de estudos de mercado que monitoriza os dados de compra dos consumidores em mais de 165 mil lojas, em 2020, 40% das mulheres que têm cuidados com a pele do rosto usaram os seus produtos com mais frequência. Fórmulas de limpeza, hidratantes, esfoliantes e máscaras foram as categorias que viram o maior aumento, à medida que crescia o autocuidado caseiro. Depois dos sabonetes para as mãos, os produtos para cuidar da pele foram, na categoria de saúde e beleza, os mais vendidos em ano de pandemia. É que ficar em casa não é sinónimo de ser mais invisível. Bem pelo contrário, como vieram mostrar-nos as muitas plataformas para contactos online.

Como obter um look mais natural?

  • O corretor deve ser usado nas zonas mais sensíveis do rosto, a denominada zona T (testa, nariz, queixo, bochechas e olheiras), para conseguir uma tez mais uniforme. Permite disfarçar imperfeições localizadas sem ser preciso espalhar na cara toda.
  • Por causa da máscara a tapar o nariz e a boca, há uma maior necessidade de realçar o olhar, daí que a máscara de pestanas seja fundamental. Também o eyeliner permite brincar e ir além do lápis de olhos.
  • Na boca, os batons são agora mais hidratantes e podem ter uma cor viva, mas com os contornos menos definidos, com efeito de esbatimento.
  • O creme iluminador vai realçar os pontos altos do rosto.
  • As sobrancelhas são penteadas com sabonete de glicerina, ao qual se junta água para criar uma pasta e, com a ajuda de um escovilhão, dar brilho ao sobrolho.

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