Trabalho híbrido no horizonte, mas com (algumas) mudanças

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O recurso ao trabalho à distância, generalizado para ajudar a vencer o distanciamento imposto pela pandemia, veio para ficar. Mas, ao fim de um ano de experiência forçada, nem trabalhadores nem empregadores querem ficar para sempre presos ao monolitismo das tarefas cumpridas a partir de casa. A flexibilidade, que continuará a ser pedida a ambos os lados, também vai ter reflexos nos locais de trabalho, que não será 100% remoto nem 100% presencial, mas híbrido, com todo o potencial que isso traz para o trabalho ser feito a partir de qualquer ponto do globo.

Estas são algumas das conclusões do relatório anual Work Trend Index da Microsoft, desenvolvido ao longo do último ano, que vê ainda as lideranças obrigadas a reconectarem-se com os seus subordinados, a criar cultura e sentimento de pertença à distância e a motivar os trabalhadores, sobretudo os das gerações mais jovens e aqueles que ficaram à beira da exaustão neste período pandémico. Além de terem de transformar os próprios espaços de trabalho e de mudar a abordagem à experiência dos colaboradores, que estão agora mais inclinados a mudanças mais regulares de emprego. Reter talento vai ser um dos grandes desafios na era do trabalho híbrido.

EMPREGADORES QUE ADMITEM ADAPTAR ESPAÇOS DE TRABALHO PARA AMBIENTES HÍBRIDOS

Flexibilidade extrema e trabalho híbrido vão ditar o local de trabalho no pós-pandemia, obrigando a criar condições para que todos possam produzir de igual forma, independentemente do local. Três quartos dos colaboradores querem continuar a ter opções de trabalho remoto e dois terços anseiam por contacto pessoal com os seus colegas e superiores.

A adaptação a estas novas dinâmicas vai obrigar as empresas a desenharem planos de transição para um ambiente de maior flexibilidade no trabalho, que tenha as pessoas no centro da transformação. Além disso, será preciso investir nos atuais espaços físicos dos escritórios, definindo áreas específicas para colaboração, encontro, trabalhos que exijam concentração e momentos de informalidade, e em tecnologia, para que seja possível a mesma experiência de trabalho a partir de casa ou da sede.

PESSOAS SEM FORMAÇÃO SUPERIOR TENDEM A PREFERIR FUNÇÕES REMOTAS A PRESENCIAIS (preferidas por 54%)

O trabalho remoto, que pode ser feito em qualquer altura a partir de qualquer ponto do planeta, aumenta o leque de talentos à disposição das empresas. Funções desta natureza são mais atrativas para mulheres, pessoas da geração Z e para quem não tem formação superior.

DOS TRABALHADORES DA GERAÇÃO Z, DA LINHA DA FRENTE OU RECÉM-CHEGADOS COM DIFICULDADES EM 2020

As consequências da pandemia no trabalho não foram iguais para todos. Mais de metade dos colaboradores das gerações mais novas, as mães trabalhadoras ou os novos empregados disseram sentir dificuldades em lidar com elas, contra apenas pouco mais de um terço dos líderes empresariais, o que obriga a uma maior empatia por parte destes.

A prioridade deverá passar por recuperar o “capital social” e a cultura das empresas, aumentar a comunicação entre as equipas e alargar as redes de contactos. “As organizações precisam de perceber que ser amável para o outro, conversar e ser engraçado faz parte do trabalho”, defende Nancy Baym, da Microsoft.

FOSSO GERACIONAL

As gerações de colaboradores em início de carreira, que fizeram a sua integração nas empresas à distância, têm mais dificuldades do que as mais velhas em trazer novas ideias para a mesa (contributos considerados críticos), intervir durante as reuniões e sentir-se motivadas.

REDES ENCURTARAM

A distância e o isolamento tenderam a aumentar as interações dos colaboradores com núcleos mais próximos e mais pequenos e reduziram a ligação com as redes mais alargadas, penalizando as relações e o sentimento de pertença, com impactos na produtividade e na inovação.

DOS COLABORADORES DESABAFARAM/ CHORARAM COM COLEGAS

É uma marca de humanidade no meio da assepsia social imposta para combater esta crise de saúde pública. E que avisa para a necessidade, no futuro, de tornar o ambiente de trabalho mais confortável e autêntico, reforçando as relações e o bem-estar.

DOS TRABALHADORES ADMITE MUDAR DE EMPREGO NO PRÓXIMO ANO

A reavaliação de prioridades do último ano, a par com as dificuldades e oportunidades criadas pelo trabalho à distância, está a incentivar o encurtamento dos ciclos de experiências profissionais, sobretudo junto das gerações mais jovens.

A experiência dos trabalhadores terá de ser repensada dentro das empresas para garantir a atração e a fixação de talentos, através de programas de bem-estar, acesso a terapia, horários flexíveis, além de mecanismos que garantam a participação e o envolvimento das gerações mais jovens.

MAIS EMAILS DISTRIBUÍDOS EM FEVEREIRO DE 2021 EM RELAÇÃO A 2020

Num ano, o número de horas passadas por semana em reuniões virtuais mais do que duplicou, o número de mensagens trocadas entre as equipas através da plataforma Teams cresceu 45% e o fluxo de documentos cresceu em flecha. Por detrás destes números, sinais de excesso de trabalho e de exaustão. Um em cada cinco trabalhadores diz que o empregador não se importa com o equilíbrio entre vida e trabalho.

Reduzir as cargas de trabalho, racionalizar o uso da tecnologia e incentivar a realização de pausas são caminhos apontados como formas de as lideranças ajudarem a combater a exaustão dos colaboradores.

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