Trabalho: A revolução que acelerou com a pandemia

As previsões do Fórum Económico Mundial continuam a apontar 2025 como o ano em que humanos e máquinas atingirão o equilíbrio em termos de tempo despendido em tarefas, mas as necessidades nascidas da pandemia (menos densidade de pessoas no local de trabalho, redução de contacto, melhoria da eficiência e da velocidade) deverão acelerar a automação nos próximos anos. Mantém-se a premissa de que este fenómeno continuará a criar mais trabalhos (97 milhões) do que aqueles que destrói (85 milhões), mas o ritmo de destruição deverá acelerar-se, enquanto o de criação abrandará.

“Se se automatiza, perde-se emprego e ganham-se novos trabalhos, além de se ganhar competitividade. Mas se não se automatiza, acaba-se não só a perder emprego como também competitividade”, avisa Duarte Braga, sócio sénior da McKinsey, consultora que coloca 1,1 milhões de pessoas em Portugal em risco de perder o lugar numa década, devido à substituição por máquinas de funções manuais, repetitivas e com pouca inteligência associada.

No entanto, um estudo realizado no último verão por Daron Acemoglu, professor do MIT, e Pascual Restrepo, professor da Universidade de Boston, mostra que existe um claro impacto negativo no mercado laboral. Eles descobriram que cada robô inserido na indústria por cada mil trabalhadores dos EUA (por exemplo, numa fábrica com cinco mil trabalhadores, analisariam o impacto de cinco robôs) representava um decréscimo salarial de 0,42%, enquanto o rácio da população empregada diminuía 0,2 pontos percentuais.

Os trabalhadores mais jovens e os menos qualificados estarão, segundo a OCDE, expostos a um maior risco com esta revolução, que já começa também a ameaçar os empregos dos mais qualificados. O especialista defende, contudo, que Portugal está perante uma “armadilha”, que impede a transformação da indústria: “Um trabalho repetitivo que seja relativamente mais mal remunerado faz com que o investimento que tem de se fazer na automação seja menos rentável. A indústria alemã, por exemplo, tem muito mais incentivo em investir em automação do que a portuguesa”, descreve.

Num estudo recente do Banco Europeu de Investimento, o Centro e o Norte de Portugal foram incluídos entre as regiões da União Europeia com riscos mais elevados de transição. Será um impacto duplo: a destruição de emprego virá não só do impacto da automação, que será superior à mediana europeia nestas geografias, como da conversão numa economia mais verde (já que é nestas regiões que estão localizadas as indústrias mais carbonizadas). As duas regiões portuguesas não estão sozinhas e partilham estes desafios com zonas de Espanha, Alemanha e Itália e grandes áreas da Europa Central e de Leste.

“Será mais difícil encontrar empregos alternativos onde a destruição causada pela automação coincide com a da transição verde. E traz mais desafios às autoridades locais. Os impostos podem baixar, ao mesmo tempo que será necessário gastar mais na reconversão dos trabalhadores”, lê-se no documento. Em Portugal, só a região de Lisboa e Vale do Tejo apresenta uma reduzida exposição a ambos os riscos de transição, enquanto Algarve e Alentejo têm elevada exposição a pelo menos um desses riscos.

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