Infiltração da extrema-direita agita maçonaria em Portugal

Infiltração da extrema-direita agita maçonaria em Portugal

Durante dois séculos, as portas do Grande Oriente Lusitano (GOL), a mais antiga obediência da maçonaria portuguesa, resistiram trancadas à influência dos movimentos extremistas. Hoje, cumpridos 48 anos do 25 de Abril de 1974, pelos corredores e salas do Palácio Maçónico discute-se a meia voz a presença “indesejada” de “irmãos” (demasiado) próximos da direita radical populista, que colocam em risco o funcionamento “normal” e até a existência da própria organização.

Um desses protagonistas “indesejados” mais notados é Paulo Ralha, assessor político do Chega, mas perto de (continuar) a “crescer” dentro da estrutura partidária, numa altura em que o seu nome está a ser cogitado para ocupar a vaga de chefe de gabinete do partido na Assembleia da República, segundo apurou a VISÃO, após o afastamento de Nuno Afonso do cargo, na semana passada. O ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) entrou para o GOL em 2017, através da Loja Jerusalém – pela mão de Tiago Caiado Guerreiro, outro maçon próximo de André Ventura –, numa época em que ainda militava no PS. Antes disso, em 2011, Ralha tinha integrado a lista de candidatos a deputado do Bloco de Esquerda por Braga (como número cinco da lista) e, em 2016, participado ativamente na campanha de Marisa Matias para as presidenciais. Ex-colega de trabalho de André Ventura na Autoridade Tributária (AT) e amigo íntimo do presidente do Chega, o agora assessor parlamentar desvinculou-se do PS em 2019, alegando discordâncias relacionadas com a alegada proteção a pessoas “indiciadas em processos de corrupção”. O próximo passo deu-se em contramão: nas legislativas de 30 de janeiro, foi anunciado com surpresa como cabeça-de-lista do Chega por Coimbra – falhada a eleição, seria “repescado” pelo amigo Ventura, ocupando uma vaga no gabinete de apoio aos 12 deputados do partido.

Mais na Visão