As (revira)voltas da lista de Moedas à Câmara de Lisboa

Foto Enric Vives Rubio Expectativas Moedas surgiu a 10 pontos percentuais de Medina na última sondagem. PSD acredita em remake da vitória de 2001

Quando tudo já parecia acertado, eis que, pouco depois da meia-noite da última segunda-feira, a muito poucas horas de as listas da candidatura de Carlos Moedas serem entregues no Tribunal Constitucional, a direita em Lisboa ainda se viu a braços com uma reviravolta quanto aos nomes negociados para integrarem a coligação “Novos Tempos”, que junta PSD, CDS-PP, PPM, MPT e Aliança. Alegadas dívidas de centenas de milhares de euros de um candidato, que correria em 10º lugar à Assembleia Municipal, obrigaram a uma gestão de crise, que acabou com a subida de dois dirigentes do PPM e MPT na lista, e a substituição do nome incómodo por um outro, que os sociais-democratas receiam que venha a ter muito protagonismo.

Este foi mais um episódio (e o derradeiro) do folhetim da constituição de listas que, nas últimas semanas, consistiu no afastamento de uns quantos candidatos desejados por alas partidárias, como João Gonçalves Pereira, crítico interno do CDS; na inclusão de outros, a pedido do cabeça de lista e de estruturas dirigentes; e no desaparecimento cirúrgico de uns quantos, devido a várias polémicas – algumas que incluem trocas de nudes (fotografias e vídeos de alguém partilhados por telemóvel e nas redes sociais).

O líder da distrital do CDS, Gonçalves Pereira, foi proposto por concelhia em fevereiro, mas, por ser crítico de Rodrigues dos Santos, ficou de fora

Luís Newton, presidente da concelhia do PSD, desvaloriza tais ziguezagues, garantindo que “a constituição destas listas não teve nem mais nem menos trabalho do que é sempre exigido”. “Os nomes aprovados demonstram não só o empenho como a coesão no processo que consideramos ser o que mais condições dá a Carlos Moedas para um ótimo resultado”, frisa, relativizando os valores das sondagens, que dão a coligação a 10 pontos percentuais da candidatura de Fernando Medina. “A vitória de Santana Lopes, em 2001, apanhou muita gente de surpresa, porque na véspera das eleições estava a 10% de João Soares, que é a distância a que estamos agora.”

Os últimos dias contradizem as palavras do presidente social-democrata da Junta de Freguesia da Estrela, que terá sido o responsável por pôr e dispor da lista candidata à Assembleia Municipal, enquanto o elenco dos candidatos à vereação foi delineado exclusivamente por Moedas, integrando nomes como os da deputada do PSD Filipa Roseta, da jornalista Laurinda Alves e do virologista Pedro Simas.

CDS ainda em polvorosa
O último volte-face visou o coordenador do Aliança/Lisboa, Alexandre Nascimento, à mercê da sua relação com o Fisco. A VISÃO apurou que, no domingo à noite, o presidente do Aliança, Paulo Bento, requereu de emergência a retirada de Nascimento e a entrada de Jorge Nuno Sá, antigo líder da JSD e agora “senador” da nova força política, apanhando os outros partidos de surpresa.

Em causa estão alegadas dívidas de mais de 700 mil euros, registadas pela Central de Riscos do Banco de Portugal. Uma parte dirá respeito a diversas operações de crédito, no valor global de cerca de 110 mil euros de leasing e outros processos; a fatia de leão corresponderá a dívidas da Interpet, uma empresa criada em 2015 – pelo cidadão ucraniano Andry Moskalenko e por Alexandre Nascimento – que já não apresenta contas há dois anos. À VISÃO, antes de ser afastado da lista, o dirigente desmentiu tais denúncias: “Não tenho dívidas à Autoridade Tributária. Em relação a tais créditos dessa empresa, sou apenas avalista deles, porque sou amigo do empresário em causa, que está a fazer de tudo para os saldar.” E lamenta a “campanha de baixa política” de que foi alvo. Para o seu lugar vai então Sá, ainda que agora em 13º, cujo “ego” é visto com receio por fontes sociais-democratas, que já engoliram em seco as escolhas de Sofia Vala Rocha e António Prôa – nomes impostos por Moedas para a Assembleia Municipal. “Lamento o sucedido mas, perante factos do conhecimento da direção nacional, não nos restava outra opção”, explica Paulo Bento, sobre o email que enviou no início da madrugada e que travou a entrega de uma providência cautelar, por parte de dirigentes de Oeiras, contra a manutenção de Nascimento na lista.

Quem também saiu inesperadamente foi uma pessoa que estará envolvida num escândalo íntimo com origem em nudes. Apesar de terem como destino uma determinada figura política, as fotos chegaram às mãos de uma terceira pessoa, que alegadamente as distribuiu por alguns elementos da coligação – e cuja veracidade foi confirmada pela VISÃO. O partido dessa pessoa riscou-a dos lugares elegíveis.

Porém, já antes, a não inclusão do presidente da distrital do CDS, Gonçalves Pereira, tinha provocado celeuma – uma vez que Ângelo Pereira, congénere do PSD/Lisboa, vai como candidato a vereador. Embora tenha sido um nome há muito sugerido pela concelhia centrista da capital, o ex-deputado ficou de fora. O desconforto é tal em relação ao afastamento que, na última segunda-feira à noite, um voto de protesto saiu daquela concelhia, dirigido ao presidente do partido, Francisco Rodrigues dos Santos, lamentando o sucedido. Fonte centrista adiantou à VISÃO que “só a dias de o processo da constituição das listas estar concluído é que a direção nacional comunicou a sua decisão sobre a estratégia e os nomes propostos pela concelhia em fevereiro [Diogo Moura e Nuno Rocha Correia foram aceites por Chicão]”. E acrescentou: “Lamentamos que o maior ativo em Lisboa tenha sido excluído.” De João Gonçalves Pereira não foi possível obter uma reação a este gesto de apoio.

Casos quentes

Até à última hora, o jogo do entra e sai de listas ditou convocação de caras cuja incógnita é grande quanto à futura prestação na Assembleia Municipal

Alexandre Nascimento
Coordenador do Aliança
Milhares de euros em dívidas alegadamente associadas ao seu nome levaram direção do Aliança a pedir mexida na lista, para o afastar

Jorge Nuno Sá
Senador do Aliança /Ex-líder da JSD
É um regresso à vida política na capital, num lugar que tem assegurada a eleição (13º). Criou anticorpos no PSD e há quem lhe preveja outros voos, assim que ganhar palco

Sofia Vala Rocha
Vereadora substituta do PSD
Ninguém no PSD tem mão nesta voz, que é vista como a “Ana Gomes da direita”. Apesar de ter estado na lista de Teresa Leal Coelho, em 2017, foi a maior crítica da então vice de Passos

António Prôa
Deputado municipal do PSD em Lisboa
Como Paulo Ribeiro, um dos estrategas da campanha de Moedas, fica de fora, o cabeça de lista pediu a inclusão deste ex-vereador em Lisboa. Há quem não tenha gostado

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